Ovodoação: o que é e por que a procura cresce no Brasil

A ovodoação cresceu 27,8% no último ano. Entenda como funciona o tratamento, para quem é indicado e como fica o vínculo entre mãe e bebê

26 jan 2026 - 17h07

A maternidade é um sonho que, muitas vezes, encontra obstáculos biológicos. Nesse cenário, a ovodoação surge como uma alternativa cada vez mais procurada e aceita pelas brasileiras.

Entenda o que é a ovodoação
Entenda o que é a ovodoação
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Dados recentes do Grupo Huntington, referência nacional em medicina reprodutiva, mostram um cenário de transformação. O número de tratamentos com óvulos doados cresceu 27,8% entre 2024 e 2025.

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O que é a ovodoação?

A ovodoação é uma técnica de reprodução assistida onde uma mulher recebe óvulos de uma doadora anônima.

Esses óvulos são fertilizados em laboratório com o sêmen do parceiro da paciente (ou de um doador) e, posteriormente, o embrião formado é transferido para o útero da mulher que deseja engravidar.

É importante destacar que, no Brasil, a doação é voluntária, anônima e altruísta (sem fins comerciais).

A doadora passa por uma bateria rigorosa de exames clínicos, genéticos e psicológicos para garantir a segurança de todos os envolvidos.

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Já a receptora é quem vai gestar o bebê, vivenciando todas as etapas da gravidez, do parto e da amamentação.

Por que a procura aumentou tanto?

O crescimento de quase 30% em apenas um ano não é coincidência. Diversos fatores sociais e biológicos explicam essa alta demanda pela ovodoação.

O principal deles é o adiamento da maternidade. Muitas mulheres optam por engravidar mais tarde, priorizando a carreira ou a estabilidade financeira.

No entanto, a reserva ovariana (quantidade e qualidade dos óvulos) cai drasticamente após os 35 anos. Além da idade, outros fatores clínicos tornam a recepção de óvulos a melhor (e às vezes única) alternativa.

Principais indicações do tratamento

A técnica é recomendada especialmente para:

  • Mulheres com baixa reserva ovariana;

  • Casos de falência ovariana precoce (menopausa precoce);

  • Mulheres com histórico de tratamentos oncológicos (quimioterapia ou radioterapia);

  • Mulheres que possuem alterações genéticas transmissíveis;

  • Casais homoafetivos masculinos (em gestação solidária).

"O filho é realmente meu?"

Talvez esta seja a barreira emocional mais comum. A insegurança sobre o vínculo com o bebê é natural no início do processo.

A pergunta "o filho será meu mesmo não tendo meu DNA?" passa pela cabeça da maioria das tentantes.

A resposta dos especialistas, porém, é categórica: sim, o filho é seu. E essa afirmação se sustenta tanto biológica quanto psicologicamente.

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Segundo a Dra. Ana Paula Aquino, especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, a maternidade não começa no óvulo, mas na decisão de gerar.

"A mulher que engravida por ovodoação vive todas as transformações hormonais, físicas e emocionais da gravidez. É esse processo que constrói o vínculo materno", explica a médica.

O corpo prepara o vínculo

Durante a gestação, o corpo da mulher que recebe o embrião trabalha intensamente.

É o organismo dela que nutre o feto, fornece oxigênio e cria o ambiente necessário para o desenvolvimento da vida.

Além disso, a interação entre o útero materno e o embrião é única. A mãe sente os movimentos do bebê, conversa com ele e estabelece uma conexão diária ainda no período intrauterino.

Essas experiências sensoriais são fundamentais para a construção do apego, muito antes do nascimento.

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Maternidade além da genética

A sociedade está ressignificando o que define uma família. Histórias públicas têm ajudado a normalizar e tirar o estigma do tratamento.

A atriz Viviane Araújo, por exemplo, compartilhou abertamente sua experiência ao engravidar através da ovodoação.

Relatos como o dela mostram que o amor e a parentalidade são construídos na convivência e na entrega, não apenas em sequências de DNA.

Para a Dra. Cássia Avelar, psicóloga do Grupo Huntington, acreditar que o vínculo depende apenas da biologia é um "mito social".

"A parentalidade e a filiação não são aspectos somente biológicos, pois é o desejo e o discurso dos pais que irá definir o lugar que o filho ocupará na família", afirma a psicóloga.

Papel fundamental das doadoras

Se de um lado há o desejo de ser mãe, do outro há a solidariedade de quem doa.

Mulheres que escolhem doar óvulos permitem que outras realizem seus sonhos. Recentemente, a atriz Yana Sardenberg tornou pública sua decisão de ser doadora após congelar seus próprios óvulos.

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Esse ato de empatia é o que move a engrenagem da reprodução assistida.

A doadora não tem qualquer responsabilidade legal ou parental sobre a criança, mas tem o papel crucial de possibilitar a vida.

Como iniciar o processo?

Se você se identificou com as situações descritas e considera a ovodoação, o primeiro passo é buscar uma clínica de reprodução assistida de confiança.

O processo envolve etapas claras:

  1. Avaliação médica: Análise da saúde geral e reprodutiva do casal.

  2. Apoio psicológico: Fundamental para alinhar expectativas e trabalhar questões emocionais.

  3. Compatibilidade: A clínica busca uma doadora com características físicas compatíveis com a receptora (tipagem sanguínea, cor de olhos, cabelo, etc.).

  4. Preparação do útero: A receptora utiliza medicamentos para preparar o endométrio para receber o embrião.

  5. Fertilização e Transferência: Ocorre em laboratório e, dias depois, o embrião é transferido.

A ovodoação é mais do que um tratamento médico; é uma possibilidade real de amor e constituição de família.

Como reforça a Dra. Ana Paula Aquino, "o que sustenta a maternidade é a presença emocional, o cuidado e a disponibilidade afetiva".

Se o seu sonho é ser mãe em 2026, a genética não precisa ser o fim da linha, mas apenas um detalhe em uma grande história de amor.

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