Ovodoação: o caminho para ser mãe após os 40 anos

O crescimento recorde da ovodoação em 2025 mostra que o sonho de ser mãe está encontrando novos e modernos caminhos

26 jan 2026 - 17h52

O sonho de ser mãe, para muitas mulheres, encontra obstáculos biológicos que parecem intransponíveis.

Entenda mais sobre Ovodoação.
Entenda mais sobre Ovodoação.
Foto: Shutterstock / Alto Astral

No entanto, o avanço da medicina reprodutiva tem mostrado que o caminho para a maternidade pode ser diferente do imaginado, mas igualmente pleno.

Publicidade

O número de tratamentos com ovodoação cresceu 27,8% entre 2024 e 2025, segundo dados do Grupo Huntington.

Esse crescimento reflete uma transformação silenciosa de uma compreensão de que ser mãe deixa de estar associado exclusivamente ao DNA.

Ser mãe passa a ser entendido como um projeto construído pelo desejo, pela gestação e pelo cuidado diário. 

Para quem enfrenta a baixa reserva ovariana ou o início tardio do projeto reprodutivo, a ovodoação surge como uma ponte para realizar o sonho de gerar uma vida.

Publicidade

O que é a ovodoação e por que ela cresce tanto?

A ovodoação é um tratamento de reprodução assistida no qual uma mulher recebe óvulos doados de forma voluntária e anônima.

Esses gametas são fertilizados em laboratório e o embrião resultante é transferido para o útero da paciente, que vivencia toda a experiência da gravidez.

Indicações comuns do tratamento

O aumento na procura por esse método se deve, em grande parte, ao adiamento da maternidade.

Mulheres 30+ e 40+ são o público principal, mas a técnica também é indicada para:

  • Mulheres com falência ovariana precoce (menopausa precoce);

  • Pacientes com histórico de tratamentos oncológicos (quimioterapia);

  • Mulheres com baixa reserva ovariana ou falhas sucessivas em FIVs anteriores.

A desconstrução de um mito social

A maior barreira para a ovodoação ainda é emocional. A pergunta "o filho será realmente meu?" ecoa na mente de muitas tentantes.

No entanto, o crescimento de quase 30% nos tratamentos mostra que esse tabu está sendo quebrado.

A parentalidade e a filiação não são aspectos meramente biológicos; o lugar que o filho ocupa na família é definido pelo desejo e pelo discurso dos pais.

Publicidade

O vínculo materno vai além da genética

Um dos pontos mais fascinantes da ovodoação é como o vínculo se estabelece. Segundo especialistas do Grupo Huntington, a maternidade não começa no óvulo, mas na decisão de gerar e no desejo de cuidar.

"A mulher que engravida por ovodoação vive todas as transformações hormonais, físicas e emocionais da gravidez. É esse processo que constrói o vínculo materno", afirma Dra. Ana Paula Aquino, especialista em reprodução humana.

A experiência da gestação

Engravidar via ovodoação significa produzir os hormônios que sustentam a vida, sentir o bebê mexer e nutrir aquela nova vida através do próprio corpo.

É um processo biológico intenso que cria uma conexão diária ainda no período intrauterino.

Esse "tempo de espera" consolida a maternidade de forma tão profunda que, após o nascimento, a origem do óvulo torna-se um detalhe diante da imensidão do afeto.

Publicidade

O papel da epigenética

Embora o óvulo venha de uma doadora, o ambiente uterino da mãe receptora influencia a forma como os genes do bebê se expressam.

Isso é o que a ciência chama de epigenética. Ou seja, a mãe que gesta tem um papel ativo na formação biológica daquela criança, reforçando que a experiência da maternidade é plena e única.

Relatos públicos que inspiram o desapego genético

A visibilidade de figuras públicas tem sido crucial para que mais mulheres encarem a ovodoação com naturalidade.

A atriz Viviane Araújo é um exemplo de destaque, compartilhando sua jornada e descrevendo como vive a maternidade de forma completa, focada na relação diária e no amor pelo filho.

A generosidade de quem doa

Do outro lado do processo, mulheres como a atriz Yana Sardenberg ajudam a ressignificar o tema ao tornarem pública a decisão de serem doadoras.

Doar óvulos é um ato de solidariedade que permite que outras mulheres realizem o sonho de ser mãe.

Publicidade

Esse ciclo de ajuda mútua fortalece a ideia de que a família se constrói através de laços de generosidade e vontade.

Como funciona o processo de doação de óvulos?

Para quem está considerando o tratamento, é importante saber que a ovodoação segue critérios médicos e éticos rigorosos no Brasil.

O anonimato entre doadora e receptora é garantido, e todo o processo é mediado por profissionais de saúde.

Critérios para doadoras e receptoras

As doadoras passam por avaliações clínicas, genéticas e psicológicas detalhadas. O objetivo é garantir a saúde da doadora e a viabilidade dos óvulos.

Para a receptora, o útero é preparado hormonalmente para receber o embrião no momento ideal, garantindo as melhores chances de sucesso na implantação.

Taxas de sucesso e esperança

A ovodoação apresenta taxas de sucesso elevadas, justamente porque utiliza óvulos de mulheres jovens e saudáveis.

Isso reduz drasticamente os riscos de alterações genéticas relacionadas à idade da mãe receptora e aumenta as chances de uma gestação tranquila e bem-sucedida.

Publicidade

Conclusão: a maternidade é um ato de escolha

O crescimento de quase 30% na procura pela ovodoação em apenas um ano é a prova de que estamos vivendo uma mudança de paradigma.

Ser mãe é um projeto de vida construído dia após dia, no cuidado, na presença e no afeto. A genética é apenas uma parte da história, mas o amor é o que escreve os capítulos principais.

Se você está em uma jornada de fertilidade, saiba que a ovodoação não é um plano B, mas sim um caminho legítimo e maravilhoso para a formação da sua família.

Permitir que o sonho encontre novos caminhos para se realizar é um ato de coragem e amor incondicional.

LEIA MAIS:

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações