Levantamento da FIDI aponta queda superior a 20% nas mamografias de rastreamento em mulheres de 50 a 69 anos, além de recuo de 11% no total de exames. Em contraste, a faixa de 40 a 49 anos teve alta de 28,1%, e os exames para investigar alterações específicas também cresceram. Especialistas alertam que o acompanhamento regular é essencial para o diagnóstico precoce, cenário crucial diante da estimativa do Inca de mais de 78 mil novos casos anuais de câncer de mama no Brasil entre 2026 e 2028.
A realização de mamografias entre mulheres de 50 a 69 anos caiu mais de 20% nos serviços analisados pela Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde (FIDI). Na comparação entre janeiro e julho de 2024 e o mesmo período de 2026, os exames cresceram 28,1% entre pacientes de 40 a 49 anos.
O levantamento, divulgado no contexto do Outubro Rosa, também registra redução de aproximadamente 11% no volume total de mamografias. Os percentuais retratam os procedimentos da instituição e não representam, por si só, a situação de todo o Brasil.
O material apresentado não detalha o número absoluto de exames nem as causas da redução. Dessa forma, os dados não permitem concluir que a queda decorra exclusivamente de menor procura das pacientes.
Acompanhamento precisa ter continuidade
Para Vivian Milani, radiologista especialista em mama da FIDI, ampliar o acesso envolve tanto a disponibilidade do exame quanto a informação sobre a importância de manter o acompanhamento.
"Mesmo quando o resultado é negativo, o acompanhamento deve continuar de forma regular, respeitando a periodicidade indicada para cada mulher", afirma.
A mamografia pode identificar alterações antes do surgimento de sintomas. Sua função no rastreamento é favorecer a detecção precoce, não impedir o aparecimento do câncer.
Segundo a especialista, medo do desconforto, receio de um diagnóstico e a percepção de que a ausência de sintomas dispensa cuidados podem contribuir para o adiamento do exame.
Exames diagnósticos tiveram aumento
Outro resultado diz respeito às mamografias realizadas para investigar alterações específicas. Entre janeiro e julho de 2026, esse volume superou em 5,1% o total de todo o ano de 2025, segundo a FIDI.
A comparação envolve períodos de durações diferentes: sete meses de 2026 e os 12 meses de 2025. O crescimento dos procedimentos diagnósticos, isoladamente, não demonstra aumento dos casos de câncer.
Enquanto o rastreamento é destinado a pessoas sem sinais ou sintomas suspeitos, a mamografia diagnóstica ajuda a esclarecer alterações percebidas pela paciente, identificadas em consulta ou observadas em exames anteriores.
Mesmo com esse avanço, o rastreamento corresponde a 97,2% das mamografias analisadas pela instituição.
Quando fazer mamografia pelo SUS
A orientação do Ministério da Saúde para o rastreamento populacional é realizar mamografia a cada dois anos entre os 50 e os 74 anos.
Mulheres de 40 a 49 anos e acima dos 74 também podem acessar o exame de rastreamento pelo SUS, após orientação profissional sobre os possíveis benefícios e riscos. A nota técnica de 2025 esclarece que o acesso fora da faixa prioritária já existia.
A presença de sinais suspeitos exige avaliação independentemente da idade ou da data prevista para o próximo exame. Nódulo endurecido, secreção com sangue pelo mamilo, retração da pele e inflamação persistente estão entre as alterações que devem motivar a procura por um serviço de saúde.
Brasil estima mais de 78 mil casos anuais
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil no triênio de 2026 a 2028.
A projeção reforça a importância de combinar acesso ao diagnóstico, investigação de alterações suspeitas e início oportuno do tratamento quando necessário. Os dados estão disponíveis no portal do INCA.