A Vigilância em Saúde investiga a intoxicação de oito pessoas após o consumo de peixe em Fernando de Noronha. Os pacientes foram atendidos, liberados e serão monitorados por 90 dias sob suspeita de ciguatera, toxina não eliminada pelo cozimento. Amostras dos alimentos foram enviadas para análise laboratorial. Diante do surto, autoridades reforçam o alerta para que a população evite o consumo de peixes de grande porte frequentemente associados à doença, como barracudas e guarajubas.
Oito pessoas foram atendidas com sinais de intoxicação alimentar após consumirem peixe em Fernando de Noronha. Os casos ocorreram na noite da quarta-feira, 26 de agosto, e são investigados pela Vigilância em Saúde do arquipélago.
Entre os pacientes estão moradores e turistas. Todos foram levados ao Hospital São Lucas, receberam atendimento e tiveram alta. Os sintomas apresentados incluíram diarreia, vômitos, dores musculares, queda da pressão arterial e redução dos batimentos cardíacos.
A principal suspeita é de ciguatera, intoxicação provocada pela ingestão de peixes contaminados com toxinas produzidas por microalgas marinhas. A relação com a doença ainda não foi confirmada e depende das análises laboratoriais.
Os estabelecimentos relacionados aos atendimentos não foram divulgados pelas autoridades.
Amostras serão examinadas
Equipes da Vigilância em Saúde visitaram os locais ligados aos casos e recolheram amostras dos peixes consumidos. O material foi enviado ao Recife e deverá seguir para um laboratório de referência no Rio Grande do Sul.
Os pacientes serão monitorados por pelo menos 90 dias. Os contatos estão previstos para ocorrer depois de sete, 15 e 30 dias, inclusive com os turistas que já tenham retornado às cidades onde moram.
O acompanhamento prolongado é necessário porque a ciguatera pode causar manifestações tardias. Além dos problemas gastrointestinais, a intoxicação pode provocar formigamento, fraqueza muscular, visão turva e alteração na percepção de temperaturas.
O cozimento, a fritura ou o uso de substâncias ácidas não eliminam a ciguatoxina. Também não existe tratamento específico, e o atendimento é direcionado ao controle dos sintomas.
Espécies devem ser evitadas
Análises realizadas em episódios anteriores detectaram ciguatoxinas em amostras de guarajuba e barracuda consumidas em Noronha. Por precaução, as autoridades recomendam evitar essas espécies, especialmente exemplares com mais de dois quilos.
Entre 2022 e 2025, aproximadamente 190 casos suspeitos de ciguatera foram registrados no arquipélago, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.
Quem apresentar sintomas depois de comer pescado deve procurar atendimento médico e informar qual espécie consumiu. Se possível, uma porção do alimento deve ser congelada e preservada para análise.