Quem convive com enxaqueca frequente, problemas intestinais, ansiedade ou fadiga costuma procurar especialistas diferentes para cada queixa. O que muitas mulheres não imaginam é que, em alguns casos, todos esses sintomas podem estar relacionados à endometriose.
Como cada manifestação costuma ser investigada separadamente, muitas pacientes passam anos em busca de respostas antes de descobrir a verdadeira causa.
Agora, uma pesquisa internacional reforça que a endometriose pode afetar muito mais do que o sistema reprodutor, exigindo um olhar mais amplo sobre a doença.
Nem toda endometriose se apresenta da mesma forma
A endometriose acontece quando um tecido semelhante ao que reveste o interior do útero cresce fora dele, provocando inflamação e dor.
Estima-se que a doença afete cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, mas o diagnóstico costuma levar de quatro a onze anos após o surgimento dos primeiros sintomas.
Parte dessa demora acontece porque os sintomas da endometriose nem sempre aparecem da forma mais conhecida.
Além das cólicas menstruais intensas e da dor pélvica, algumas mulheres podem apresentar:
- enxaqueca;
- ansiedade ou depressão;
- dor abdominal;
- problemas digestivos;
- fadiga persistente.
Quando essas queixas são avaliadas isoladamente, é comum que sejam atribuídas a outras condições, o que pode atrasar a suspeita de endometriose.
Sintomas de endometriose: o que a pesquisa descobriu
Pesquisadores da Espanha e dos Estados Unidos analisaram dados de mais de 22 mil mulheres com endometriose. O estudo foi publicado na revista científica Human Reproduction.
Os pesquisadores identificaram diferentes perfis de sintomas, mostrando que a doença nem sempre se manifesta da mesma forma.
Um dos grupos reunia mulheres com dores intensas, problemas digestivos e sintomas relacionados à saúde mental. Outro apresentava manifestações mais moderadas. Já um terceiro era marcado principalmente por ansiedade, depressão e enxaqueca.
Segundo os autores, isso ajuda a explicar por que muitas mulheres passam anos consultando neurologistas, gastroenterologistas ou psiquiatras antes de receberem o diagnóstico correto.
Impacto que vai além da dor
Os pesquisadores também observaram que a endometriose pode afetar significativamente a qualidade de vida.
As mulheres com maior carga de sintomas relataram mais limitações para realizar atividades do dia a dia, pior bem-estar físico e emocional e mais dificuldades nas relações sociais.
Segundo os autores, avaliar apenas a intensidade da dor ou a extensão das lesões pode não refletir todo o impacto da doença.
A endometriose continua sendo uma doença ginecológica, mas seus efeitos podem ultrapassar o sistema reprodutor e influenciar diferentes aspectos da saúde.
Quando vale a pena investigar
Os resultados não significam que toda mulher com enxaqueca ou problemas intestinais tenha endometriose.
No entanto, quando esses sintomas aparecem junto de cólicas menstruais muito fortes, dor pélvica, dor durante as relações sexuais ou dificuldade para engravidar, vale conversar com um ginecologista.
Avaliar todos os sintomas em conjunto, e não cada um isoladamente, pode facilitar a suspeita da doença, acelerar a investigação e contribuir para que o tratamento comece mais cedo.
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