Narguilé ou cigarro: qual é mais prejudicial à saúde?

O uso do narguilé se espalhou entre jovens e adultos como uma forma considerada mais "leve" de fumar. Muitos associam o hábito a encontros sociais e momentos de lazer. Apesar dessa imagem positiva, especialistas em saúde afirmam que a fumaça do narguilé contém diversas substâncias tóxicas. Essas substâncias se assemelham às encontradas no cigarro comum. […]

27 mar 2026 - 06h33

O uso do narguilé se espalhou entre jovens e adultos como uma forma considerada mais "leve" de fumar. Muitos associam o hábito a encontros sociais e momentos de lazer. Apesar dessa imagem positiva, especialistas em saúde afirmam que a fumaça do narguilé contém diversas substâncias tóxicas. Essas substâncias se assemelham às encontradas no cigarro comum. Além disso, estudos recentes mostram que o hábito não é inofensivo e traz riscos importantes para o organismo.

Ao mesmo tempo, o cigarro tradicional continua entre as principais causas evitáveis de doenças cardiovasculares, respiratórias e câncer no mundo. A comparação entre narguilé e cigarro costuma gerar dúvidas, principalmente porque o narguilé passa pela água e, em geral, entra em cena em ambientes de convivência. No entanto, a avaliação dos dados disponíveis indica que ambos ameaçam a saúde. A diferença aparece muito mais no modo de uso do que na segurança. Portanto, nenhuma das duas formas de consumo oferece opção segura.

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Como funciona o narguilé e o que está na fumaça?

O narguilé, também conhecido como hookah ou shisha, é um dispositivo que utiliza carvão em brasa para aquecer um fumo aromatizado, geralmente à base de tabaco. A fumaça gerada passa por um recipiente com água e, em seguida, chega aos pulmões por meio de uma mangueira. À primeira vista, o sistema parece sofisticado. Apesar disso, o princípio permanece simples: queimar carvão e tabaco para produzir fumaça inalada diretamente para os pulmões.

Nessa fumaça, o usuário encontra várias substâncias nocivas. Entre elas, destacam-se:

  • Nicotine, que provoca dependência química;
  • Monóxido de carbono, gás que reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio;
  • Alcatrão, mistura de compostos que inclui substâncias cancerígenas;
  • Metais pesados, como chumbo e arsênio, que prejudicam diversos órgãos;
  • Compostos orgânicos voláteis e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, associados ao surgimento de tumores.

Além disso, o carvão utilizado no narguilé aumenta a produção de monóxido de carbono e de outras toxinas. Desse modo, o potencial de agressão ao sistema respiratório e cardiovascular cresce ainda mais. Em consequência, o usuário se expõe a riscos semelhantes ou até superiores aos do cigarro comum.

cigarro – depositphotos.com / vchalup2
cigarro – depositphotos.com / vchalup2
Foto: Giro 10

Por que muitas pessoas acreditam que o narguilé é menos prejudicial?

A ideia de que o narguilé faz menos mal que o cigarro tradicional se relaciona a alguns fatores específicos. Em primeiro lugar, a presença da água no aparelho cria a impressão de que a fumaça recebe um "filtro" e chega aos pulmões mais limpa. Em segundo lugar, o cheiro adocicado das essências disfarça a sensação de irritação na garganta, comum em outros tipos de fumo. Assim, o usuário percebe menos desconforto imediato.

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Há ainda o aspecto social. Com muita frequência, várias pessoas compartilham o narguilé em rodas de conversa, bares ou lounges. Isso faz com que muitos enxerguem o hábito mais como atividade de entretenimento do que como consumo de tabaco. Além disso, a periodicidade aparentemente menor do uso em comparação ao cigarro reforça a sensação de algo eventual e, portanto, menos arriscado.

No entanto, pesquisas em saúde pública mostram que essa visão engana o usuário. A água não retém a maior parte das substâncias tóxicas. Além disso, o volume de fumaça aspirado em uma sessão prolongada de narguilé pode superar, com folga, o de vários cigarros. Assim, a exposição total a nicotina, alcatrão e outros agentes prejudiciais aumenta de forma significativa.

Narguilé faz menos mal que o cigarro comum?

Estudos que comparam o consumo de narguilé com o de cigarros destacam diferenças importantes na forma de uso. Geralmente, uma pessoa que fuma um cigarro leva alguns minutos e dá um número limitado de tragadas. Já em uma sessão de narguilé, o consumo costuma se estender por 40 minutos ou mais, com tragadas profundas e repetidas. Dessa forma, o volume de fumaça inalada se torna muito maior.

Pesquisas citadas por entidades internacionais de saúde indicam que uma sessão de narguilé pode equivaler, em termos de volume de fumaça, ao consumo de dezenas de cigarros. Esse número varia conforme o tempo de uso e a intensidade da inalação. Isso não significa que os efeitos coincidam em todos os aspectos. Porém, o dado mostra que o narguilé não representa alternativa segura ao cigarro comum.

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Além disso, tanto narguilé quanto cigarro fornecem nicotina e, com isso, favorecem o desenvolvimento de dependência. O consumo repetido aumenta o risco de doenças como câncer de pulmão, problemas nas vias aéreas, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), infarto e acidente vascular cerebral. Como se não bastasse, o compartilhamento de bocal e mangueira facilita a transmissão de infecções, como herpes e outras doenças transmitidas pela saliva.

Principais riscos à saúde associados ao narguilé

Os riscos do narguilé envolvem diferentes sistemas do organismo e tendem a crescer com o tempo de uso e a frequência das sessões. De forma geral, o hábito se relaciona aos seguintes problemas de saúde:

  • Doenças respiratórias crônicas, como bronquite crônica e DPOC;
  • Câncer, especialmente de pulmão, boca, garganta, esôfago e bexiga;
  • Doenças cardiovasculares, incluindo infarto e hipertensão, influenciadas pelo monóxido de carbono e pela nicotina;
  • Dependência de nicotina, que incentiva a manutenção ou o aumento do consumo de produtos de tabaco;
  • Infecções associadas ao compartilhamento de bocais e mangueiras, principalmente quando ninguém faz a higienização adequada.

Estudos publicados até 2026 reforçam que nenhuma forma de uso de produtos à base de tabaco oferece segurança. Isso vale para cigarros convencionais, narguilés ou outros dispositivos de combustão. Informações de campanhas de saúde pública destacam que a redução de danos depende, sobretudo, da diminuição ou interrupção do consumo. Para muitos usuários, a combinação de apoio psicológico, medicamentos e apoio social aumenta a chance de parar de fumar.

Ao analisar os dados disponíveis, o leitor percebe que o narguilé não deve ser visto como alternativa menos prejudicial ao cigarro. A semelhança de substâncias tóxicas presentes na fumaça e o padrão de uso prolongado reforçam a necessidade de atenção. Nesse contexto, orientações de profissionais de saúde e acesso a informações confiáveis ajudam quem deseja compreender melhor os riscos. Assim, a pessoa pode repensar o contato com qualquer forma de tabaco e buscar estratégias para abandonar o hábito.

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cigarro_depositphotos.com / SolidPhotos
Foto: Giro 10
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