Estudo publicado na PLOS ONE indica que desenvolver habilidades culinárias básicas melhora a alimentação, aumentando o consumo de frutas, verduras e integrais e reduzindo bebidas açucaradas e refeições puladas. O ganho reside na autonomia para planejar e preparar a própria comida, gerando confiança na rotina. Embora a prática não garanta emagrecimento, dominar o básico na cozinha facilita a manutenção de hábitos saudáveis sem a necessidade de técnicas sofisticadas.
Você chega em casa cansado, abre a geladeira e não sabe o que preparar. No fim, um alimento pronto ou um pedido por aplicativo parece muito mais fácil.
É justamente aí que saber cozinhar melhor pode fazer diferença. Não necessariamente porque a pessoa passa a preparar pratos sofisticados, mas porque ganha mais facilidade para planejar refeições, escolher ingredientes e colocar comida de verdade no prato.
Uma revisão de estudos publicada recentemente indica que desenvolver habilidades culinárias pode estar relacionado a alguns hábitos alimentares mais saudáveis.
O que muda na alimentação de quem aprende a cozinhar?
A revisão encontrou uma tendência favorável em alguns hábitos.
Pessoas que participaram de programas para desenvolver habilidades culinárias passaram a consumir mais frutas, verduras e alimentos integrais.
Também houve redução no consumo de bebidas açucaradas e menos relatos de refeições puladas, como deixar de tomar café da manhã, almoçar ou jantar (algo que pode dificultar uma alimentação equilibrada ao longo do dia).
Em alguns estudos, a qualidade geral da alimentação melhorou e os participantes passaram a preparar comida em casa com mais frequência.
A explicação pode estar menos na técnica culinária e mais na autonomia.
Quem sabe planejar uma refeição, escolher os ingredientes e preparar alimentos básicos tende a ter mais opções quando precisa decidir o que vai comer.
Aprender a cozinhar: não é só saber fazer uma receita
Os pesquisadores consideraram "habilidades culinárias" de uma forma ampla.
Isso inclui desde técnicas de preparo até planejar refeições, fazer compras dentro do orçamento, escolher alimentos e reduzir o tempo gasto na cozinha.
Outro resultado chamou atenção. Os participantes também relataram maior confiança para preparar refeições saudáveis.
Na prática, isso pode tornar escolhas mais saudáveis e mais fáceis de colocar em rotina.
Aprender a cozinhar ajuda a emagrecer?
Essa conclusão ainda não pode ser tirada.
A revisão encontrou pouca evidência sobre peso e estado nutricional. Apenas um dos estudos avaliou o índice de massa corporal (IMC), e os pesquisadores não encontraram evidência confiável de mudança.
Isso faz sentido porque o peso corporal não depende apenas da alimentação. Sono, atividade física, acesso aos alimentos e condições sociais e econômicas também entram nessa conta.
Portanto, aprender a cozinhar pode facilitar uma alimentação melhor, mas não
O que dá para levar para a vida real?
A resposta mais útil da revisão não é que cozinhar vai fazer alguém emagrecer ou transformar a alimentação da noite para o dia.
O sinal mais consistente é mais simples: quando preparar a própria comida fica mais fácil, alguns hábitos saudáveis também podem ficar mais fáceis de manter.
Publicado na revista científica PLOS ONE, o estudo encontrou mudanças positivas em alguns hábitos alimentares, mas os próprios autores ressaltam que as evidências ainda são limitadas.
No fim, o possível benefício de aprender a cozinhar pode ser menos complicado do que parece. Não é preciso virar chef.
Aprender a preparar alguns alimentos básicos, organizar as compras e ter opções rápidas de refeições caseiras já pode ser um passo mais realista para quem quer melhorar a própria alimentação.
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