Durante muito tempo, ouvir que "cólica é normal" fez parte da rotina de muitas mulheres. No entanto, quando a dor é intensa, frequente e acompanhada de outros sintomas, pode ser um sinal de alerta para uma condição ginecológica que, segundo o Ministério da Saúde, afeta 8 milhões de brasileiras: a endometriose. Março Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a doença, reforçando a importância de reconhecer os sinais e buscar avaliação médica.
A endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, cresce fora dele, podendo atingir ovários, trompas, intestino e outros órgãos da região pélvica. Esse processo inflamatório pode provocar dor intensa e impactar significativamente a qualidade de vida.
De acordo com a ginecologista Dra. Ana Paula Fonseca, um dos principais desafios da doença é que muitos sintomas são normalizados ou confundidos com desconfortos comuns do ciclo menstrual. "Muitas mulheres passam anos convivendo com dor porque acreditam que cólicas fortes são normais. Quando a dor impede atividades do dia a dia, como trabalhar, estudar ou praticar exercícios, é importante investigar", explica.
Sintomas que vão além da cólica
Embora a cólica menstrual intensa seja um dos sinais mais conhecidos, a endometriose pode se manifestar de diversas formas, algumas delas pouco associadas à doença.
Entre os sintomas mais comuns, estão:
- Dor pélvica persistente;
- Cólicas menstruais incapacitantes;
- Dor durante a relação sexual;
- Dor ao evacuar ou urinar durante o período menstrual;
- Alterações intestinais no período da menstruação;
- Dificuldade para engravidar;
- Cansaço e sensação de inchaço abdominal.
Segundo a Dra. Ana Paula Fonseca, a presença de sintomas fora do período menstrual também pode indicar a doença. "A endometriose pode provocar dor pélvica crônica, que não acontece apenas durante a menstruação. Em alguns casos, a mulher sente dor ao evacuar, distensão abdominal ou desconforto durante as relações sexuais. Esses sinais merecem atenção", afirma.
Diagnóstico da endometriose ainda demora anos
Muitas mulheres levam de sete a dez anos para receber o diagnóstico correto de endometriose. Isso acontece porque os sintomas variam muito de pessoa para pessoa e podem ser confundidos com outras condições.
A investigação costuma incluir avaliação clínica, exames de imagem, como ultrassom especializado ou ressonância magnética, e análise detalhada do histórico da paciente. "Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar a progressão. O diagnóstico precoce ajuda a preservar a fertilidade e melhora significativamente a qualidade de vida da paciente", destaca a ginecologista.
Tratamento para a endometriose
O tratamento da endometriose depende de fatores como idade, intensidade dos sintomas, desejo de engravidar e extensão da doença. Em muitos casos, pode incluir medicamentos hormonais, controle da dor e acompanhamento multidisciplinar. Em situações específicas, a cirurgia pode ser indicada.
Para a Dra. Ana Paula Fonseca, o mais importante é que as mulheres aprendam a observar o próprio corpo e não ignorem sinais persistentes. "A dor não deve ser normalizada. Quando o corpo dá sinais de que algo não está bem, procurar avaliação médica é fundamental. Informação e diagnóstico são os primeiros passos para o tratamento adequado", orienta.
Conscientização faz diferença
Campanhas como o Março Amarelo buscam ampliar o debate sobre a endometriose e incentivar o diagnóstico precoce. A doença afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres em fase reprodutiva, ou seja, 190 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas ainda é pouco discutida.
Falar sobre o tema é essencial para reduzir o atraso no diagnóstico e melhorar o acesso ao tratamento. "Quando as mulheres reconhecem os sinais e procuram ajuda, conseguimos intervir mais cedo. Isso muda completamente a evolução da doença e a qualidade de vida da paciente", conclui a Dra. Ana Paula Fonseca.
Por Daiane Bombarda