Hanseníase: Brasil é o 2º no mundo em casos da doença

Janeiro Roxo alerta para o diagnóstico precoce; perda de sensibilidade térmica é o primeiro sinal de perigo

8 jan 2026 - 20h45

O mês de conscientização, conhecido como Janeiro Roxo, traz um alerta urgente: a Hanseníase continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil. Dados recentes confirmam que o país permanece como o segundo com o maior número de casos no mundo, atrás apenas da Índia.

Brasil é o segundo país no mundo com mais casos de Hanseníase
Brasil é o segundo país no mundo com mais casos de Hanseníase
Foto: Divulgação / Saúde em Dia

Hanseníase em circulação no país 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil registrou 22.129 novos diagnósticos em 2024. Embora haja uma leve queda em relação ao ano anterior, a taxa de detecção ainda é considerada alta pelo Ministério da Saúde.

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O cenário preocupa especialistas porque a maioria dos registros (mais de 80%) é da forma multibacilar. Esse tipo apresenta maior carga bacteriana e alto potencial de transmissão, indicando que o diagnóstico está sendo feito tardiamente, quando a doença já avançou.

Sinais silenciosos na pele

A Hanseníase é traiçoeira e pode evoluir sem dor. Para o dermatologista Breno Fonseca, da Rede Oto, o sinal mais importante não é apenas a mancha, mas a alteração de sensibilidade nela.

"O dano neurológico é progressivo. É bem característico da hanseníase começar com a perda da sensibilidade térmica (diferenciar calor ou frio) e evoluir depois para a perda da sensibilidade tátil", explica o médico.

Fique atento a estes sintomas:

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  • Manchas (esbranquiçadas, avermelhadas ou acastanhadas) em qualquer parte do corpo;

  • Áreas da pele que não suam ou perderam pelos;

  • Sensação de formigamento ou dormência nas extremidades (mãos e pés).

Atenção à família e contatos

O grande desafio para erradicar a doença está no rastreio. Dados mostram que uma parcela muito pequena dos novos casos é descoberta através do "exame de contatos" (avaliação de quem mora com o doente). A maioria dos pacientes só chega ao posto de saúde quando os sintomas já estão graves.

Se alguém da família foi diagnosticado, todos que convivem na mesma casa devem passar por avaliação médica, mesmo sem sintomas aparentes. O diagnóstico precoce previne sequelas permanentes e incapacidades físicas.

Transmissão e tratamento no SUS

Ao contrário do estigma antigo, a Hanseníase tem cura e o tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A transmissão ocorre pelas vias respiratórias (tosse ou espirro), mas exige contato próximo e prolongado com uma pessoa doente sem tratamento.

"Quando o tratamento é iniciado no momento adequado, é possível interromper a transmissão imediatamente e evitar sequelas permanentes", reforça o Dr. Breno.

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A terapia, chamada de poliquimioterapia, dura de seis a doze meses. O paciente não precisa de isolamento; assim que toma a primeira dose da medicação, ele deixa de transmitir a bactéria.

Fique atento! Se você notar qualquer mancha suspeita, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima.

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