As glândulas de Bartholin fazem parte da anatomia íntima feminina e costumam despertar dúvidas. Isso ocorre principalmente quando surgem sintomas como dor, inchaço ou desconforto na região vulvar. Embora pequenas e pouco comentadas no dia a dia, essas estruturas têm papel relevante na lubrificação durante a excitação sexual. Assim, favorecem o conforto e a proteção dos tecidos genitais. Quando a pessoa entende onde ficam, como funcionam e quais problemas podem afetá-las, ela reconhece sinais de alerta com mais facilidade e busca atendimento adequado.
Essas glândulas existem naturalmente em mulheres em idade reprodutiva e, em geral, não chamam atenção. Na maior parte do tempo, não causam dor, não aparecem a olho nu e atuam de forma discreta, liberando secreções em pequenas quantidades. Somente quando ocorre obstrução, infecção ou aumento de volume, elas tendem a chamar mais atenção. Nesses casos, geram preocupação e até constrangimento. Portanto, a informação acessível e sem tabu torna-se ainda mais importante.
Glândulas de Bartholin: o que são e onde ficam na vulva?
As glândulas de Bartholin, também chamadas de glândulas vestibulares maiores, formam um par de estruturas localizadas na vulva, uma de cada lado da abertura vaginal. Elas ficam na porção inferior dos pequenos lábios, próximas ao períneo, em uma área que, externamente, costuma parecer normal em condições fisiológicas. Cada glândula possui um pequeno ducto que se abre na face interna dos pequenos lábios, por onde a secreção sai para a região vulvar.
Do ponto de vista anatômico, essas glândulas têm tamanho reduzido, geralmente com poucos milímetros de diâmetro. Justamente por isso, profissionais de saúde, em muitos exames de rotina, não percebem alterações quando tudo permanece normal. Além disso, a localização próxima à entrada da vagina explica por que eventuais cistos ou inflamações podem causar dificuldade para sentar, caminhar ou ter relações sexuais. Qualquer aumento de volume atinge uma região de atrito frequente e provoca maior desconforto.
Por que o nome glândulas de Bartholin?
O nome glândulas de Bartholin faz referência ao médico e anatomista dinamarquês Caspar Bartholin, o Jovem, que descreveu essas estruturas no século XVII. Na época, estudiosos ainda organizavam de forma sistemática a anatomia humana. Assim, muitas partes do corpo recebiam o nome do pesquisador que as descrevia com mais detalhes para a comunidade científica. Desse modo, as glândulas vestibulares maiores passaram a receber o sobrenome do pesquisador e, com o tempo, o termo se popularizou.
Esse tipo de nomeação, chamado de epônimo, ainda aparece com frequência na medicina. No entanto, existe uma tendência atual de priorizar termos mais descritivos, como "glândulas vestibulares maiores". Mesmo assim, o termo tradicional permanece amplamente difundido em livros, artigos e consultórios. Por isso, a pessoa precisa conhecer ambos os nomes para evitar confusão durante consultas ou leituras de materiais de saúde.
Qual é a função das glândulas de Bartholin na lubrificação vaginal?
A principal função das glândulas de Bartholin se relaciona à lubrificação da região vulvovaginal, especialmente durante a excitação sexual. Quando ocorre estímulo, essas glândulas produzem um fluido transparente e viscoso. Em seguida, esse fluido sai na entrada da vagina, reduz o atrito durante a penetração e aumenta o conforto físico. Essa secreção complementa a umidade natural da mucosa vaginal, sem atuar como única fonte de lubrificação.
Vale destacar que a lubrificação feminina não depende apenas dessas estruturas. Outras glândulas e a própria parede vaginal também produzem fluidos. No entanto, as glândulas vestibulares maiores funcionam como um reforço pontual, concentrado na região de maior contato. Em condições normais, a pessoa não identifica claramente a atuação específica dessas glândulas. Ela apenas percebe a região mais úmida e deslizante durante a atividade sexual.
Além de facilitar a penetração, a lubrificação protege o tecido da vulva e da vagina contra microlesões decorrentes do atrito. A redução de pequenas fissuras cutâneas também diminui a chance de entrada de microrganismos. Dessa forma, a função das glândulas de Bartholin se liga não apenas ao conforto nas relações, mas também à saúde sexual e íntima em sentido mais amplo.
Problemas comuns: cisto, inflamação e infecção
Entre as alterações mais frequentes associadas a essas glândulas, destacam-se o cisto de Bartholin e a bartolinite, que corresponde à inflamação da glândula. O cisto geralmente aparece quando o ducto que drena a secreção entope. Nesse caso, o fluido se acumula internamente. Em grande parte das situações, a pessoa nota um aumento de volume na lateral da abertura vaginal. Esse aumento pode não causar dor, mas provoca desconforto, principalmente ao sentar ou durante a relação sexual.
Quando, além do acúmulo de secreção, ocorre infecção por bactérias, pode surgir um abscesso de Bartholin. Nessa situação, a dor costuma se tornar intensa e limita tarefas simples do dia a dia. Além disso, a região fica vermelha, quente e, em alguns casos, a pessoa apresenta febre. Em muitos quadros, a paciente percebe uma massa bastante dolorosa, que dificulta movimentos simples, como caminhar ou sentar. A infecção pode ter origem em microrganismos da flora vaginal, da pele ou, em alguns casos, em agentes transmitidos sexualmente.
Alguns sinais indicam que a pessoa deve buscar avaliação profissional:
- Aumento de volume em um dos lados da vulva, próximo à entrada da vagina;
- Dor ou incômodo ao caminhar, sentar ou ter relações sexuais;
- Vermelhidão, sensação de calor local ou saída de secreção purulenta;
- Febre ou mal-estar associado ao inchaço na região íntima.
Como é feita a prevenção e o tratamento das alterações nas glândulas de Bartholin?
Não existe um método específico que impeça totalmente a formação de um cisto de Bartholin. Entretanto, alguns cuidados com a região íntima ajudam a reduzir o risco de infecções. Entre eles, destacam-se a higiene diária suave, sem excesso de produtos irritantes, o uso de roupas íntimas que permitam ventilação e tecidos respiráveis, e a troca regular de absorventes. Além disso, o uso de preservativos nas relações sexuais diminui a exposição a agentes infecciosos.
Quando o cisto permanece pequeno e não provoca dor, o profissional de saúde pode optar apenas por observação e acompanhamento periódico. Em situações de maior desconforto, costuma-se indicar banhos de assento mornos para aliviar sintomas e favorecer a drenagem espontânea. Já nos casos de abscesso ou infecção mais intensa, o profissional de saúde pode recomendar diferentes abordagens, de acordo com o quadro clínico.
- Drenagem cirúrgica do conteúdo acumulado;
- Uso de antibióticos, conforme o agente suspeito ou identificado;
- Procedimentos para manter o ducto aberto, como marsupialização, quando ocorrem recidivas;
- Em situações excepcionais e recorrentes, remoção parcial ou total da glândula.
O profissional escolhe a conduta considerando fatores como idade, frequência dos episódios, intensidade da dor, presença de febre e resposta a tratamentos anteriores. Em mulheres acima de determinada faixa etária, alterações atípicas na região das glândulas de Bartholin exigem investigação mais cuidadosa. Nessas situações, o médico pode solicitar exames específicos para descartar outras doenças, inclusive tumores raros. Por isso, qualquer nódulo persistente ou mudança significativa nessa área deve passar por avaliação de um profissional habilitado. A pessoa não deve se automedicar nem tentar espremer o inchaço em casa.
Em resumo, as glândulas de Bartholin possuem tamanho pequeno, mas exercem função importante na lubrificação feminina e no conforto durante a atividade sexual. Quando permanecem saudáveis, passam despercebidas no dia a dia. Contudo, quando sofrem alterações, podem causar dor e interferir na rotina. Assim, informação clara, atenção aos sinais do corpo e busca precoce por atendimento especializado ajudam a manter a saúde íntima em melhores condições e permitem lidar com esses problemas de forma segura.