A genética não define sozinha o risco de câncer de mama, mesmo com histórico familiar. Especialistas destacam a importância da medicina de precisão, que analisa fatores genéticos, metabólicos e comportamentais para criar estratégias de prevenção. Hábitos saudáveis, como boa alimentação e atividade física, também ajudam na proteção e no gerenciamento do risco. 🩺💡
Ter casos de câncer de mama na família costuma despertar dúvidas e preocupações. Afinal, será que a genética determina quem terá a doença? Segundo especialistas, a resposta é não. Embora algumas alterações genéticas aumentem a predisposição ao câncer de mama, elas não representam uma sentença definitiva.
Hoje, exames de medicina de precisão permitem identificar vulnerabilidades biológicas que podem ajudar médicos a traçar estratégias de prevenção personalizadas, antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas.
Ter histórico familiar aumenta o risco?
De acordo com o médico e pesquisador Dr. Pedro Andrade, fundador do Instituto Genoma, ter familiares com câncer de mama merece atenção, mas não significa que a doença irá necessariamente se desenvolver.
"O objetivo não é descobrir se uma pessoa terá ou não câncer de mama. A medicina não funciona dessa forma. O foco é identificar vulnerabilidades biológicas que possam aumentar riscos ao longo da vida e atuar precocemente", explica.
Por isso, além do histórico familiar, os especialistas avaliam fatores genéticos, metabólicos e o estilo de vida de cada paciente para compreender o risco individual.
O que os exames conseguem identificar?
A chamada medicina de precisão utiliza exames genéticos, biomarcadores e análises metabolômicas para investigar como o organismo funciona.
Segundo o Dr. Pedro Andrade, essas tecnologias podem identificar alterações relacionadas ao metabolismo hormonal, ao estresse oxidativo e à capacidade do organismo de reparar danos celulares.
Em um dos casos acompanhados pelo médico, exames apontaram alterações em marcadores ligados ao dano oxidativo no DNA e variantes genéticas que dificultavam a eliminação de metabólitos derivados do estrogênio.
Apesar dos resultados, o especialista reforça que isso não significa que a paciente desenvolveria câncer.
"Não existe um gene ou exame capaz de determinar sozinho o destino de uma pessoa. O que observamos foi um conjunto de fatores que apontava para uma vulnerabilidade biológica que merecia atenção", afirma.
Genes influenciam, mas não determinam
Embora a genética tenha um papel importante, ela atua em conjunto com fatores ambientais e comportamentais.
Hábitos como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, qualidade do sono e redução do estresse podem influenciar diretamente a forma como esses genes se expressam.
"Costumo dizer que os genes podem carregar a arma, mas o ambiente frequentemente decide se o gatilho será ou não acionado", explica Dr. Pedro Andrade.
Segundo ele, cuidar da saúde vai muito além da herança genética e envolve escolhas feitas diariamente.
A medicina de precisão pode ajudar na prevenção
Diferentemente da medicina tradicional, que muitas vezes atua apenas após o surgimento da doença, a medicina de precisão busca identificar alterações antes que elas provoquem problemas clínicos.
Com base nos resultados dos exames, é possível elaborar estratégias individualizadas envolvendo alimentação, atividade física, sono, saúde intestinal e suplementação, quando indicada.
Essa abordagem tem como objetivo reduzir fatores de risco e promover um acompanhamento mais direcionado, especialmente para pessoas com histórico familiar ou outras condições que mereçam atenção.
Como reduzir o risco de câncer de mama?
Mesmo quando existe predisposição genética, algumas atitudes ajudam a proteger a saúde:
- manter uma alimentação equilibrada;
- praticar atividade física regularmente;
- controlar o peso corporal;
- evitar o tabagismo;
- reduzir o consumo de álcool;
- realizar os exames preventivos recomendados pelo médico;
- procurar avaliação médica diante de histórico familiar importante.
Portanto, conhecer os próprios fatores de risco permite adotar medidas preventivas mais cedo e acompanhar a saúde de forma personalizada. Afinal, embora a genética faça parte da história, ela não escreve sozinha o futuro de ninguém.