Férias sobrecarregam a coluna? Entenda por que as dores aumentam

Ortopedista explica por que o período exige atenção e como evitar sobrecarga e lesões

12 jan 2026 - 14h00

Férias costumam representar descanso para a mente, mas nem sempre para o corpo. Viagens longas, mudanças bruscas na rotina, excesso de esforço físico e até aquela promessa de "voltar a se exercitar" fazem com que a coluna, os ombros e o pescoço entrem em estado de alerta nesta época do ano.

Veja por que as dores aumentam nesta época e como evitar sobrecarga
Veja por que as dores aumentam nesta época e como evitar sobrecarga
Foto: Divulgação / Saúde em Dia

Não por acaso, os meses de dezembro e janeiro lideram as queixas de dor lombar, torcicolo e dores musculares nos consultórios. Segundo o ortopedistaMárcio Godinho, o problema não está nas férias em si, mas na forma como o corpo é exposto a sobrecargas repentinas.

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"O corpo sente o impacto da quebra de hábitos. As pessoas param atividades físicas regulares, exageram em esforços pontuais, passam horas sentadas em viagens longas e dormem fora da própria cama. Tudo isso se soma e cobra seu preço", explica.

Por que a coluna sofre mais durante as férias

A rotina típica do período reúne vários fatores de risco ao mesmo tempo. Entre os principais estão:

  • Interrupção abrupta de exercícios regulares

  • Excesso de esforço em atividades pontuais

  • Longos períodos sentado em viagens

  • Noites mal dormidas em colchões improvisados

  • Estresse, cansaço e desidratação

  • Carregamento de peso excessivo, como malas e mochilas

Um erro comum é o chamado "atleta de fim de semana", quando pessoas sedentárias passam a fazer caminhadas longas, jogar futebol ou treinar intensamente sem preparo prévio.

O corpo avisa antes da dor forte

Engana-se quem acha que a dor aparece de repente. Na maioria dos casos, o corpo dá sinais claros de sobrecarga — que costumam ser ignorados.

"Fadiga muscular excessiva, rigidez ao acordar ou após muito tempo sentado, dores musculares intensas que duram vários dias e desconforto articular persistente são alertas clássicos", explica Márcio Godinho.

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Outro sinal importante é a redução da amplitude de movimento, quando pescoço, costas ou articulações parecem "travados". "Isso mostra que o corpo já está entrando em estado de defesa", completa.

Viagens longas são vilãs da coluna

Entre malas, mudanças de cama e esforço físico, um fator costuma liderar os impactos negativos: o tempo prolongado sentado em má postura.

"Ficar horas imóvel no carro ou ônibus aumenta a pressão sobre os discos da coluna lombar e provoca fadiga muscular. Isso deixa a coluna vulnerável, pronta para travar ao menor movimento errado", alerta o ortopedista.

Como reduzir os danos na estrada

  • Faça pausas a cada 1h30 a 2 horas

  • Ajuste o banco com leve inclinação e apoio lombar

  • Use uma toalha enrolada para apoiar a lombar, se necessário

  • Mantenha os joelhos levemente acima do quadril

Na hora de lidar com malas, o ideal é usar modelos com rodas e levantar peso sempre com as pernas, nunca forçando a coluna.

Atenção aos sinais de alerta

Nem toda dor exige alarme imediato, mas alguns sintomas precisam de avaliação médica urgente:

  • Dor com perda de força

  • Formigamento intenso

  • Dificuldade para controlar urina ou fezes

  • Febre ou perda de peso inexplicada

  • Dor após quedas ou acidentes

Pessoas com histórico de câncer, osteoporose grave ou uso prolongado de corticoides devem redobrar a atenção.

Mochilas, bolsas e microtraumas

Movimentos repetitivos com carga, mesmo leve, mas em má postura, causam microtraumas ao longo do tempo. Para evitar:

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  • Use mochilas com as duas alças, bem ajustadas

  • O peso não deve ultrapassar 10% a 15% do peso corporal

  • Alterne o lado de bolsas de ombro

  • Prefira malas com rodas sempre que possível

"O princípio é manter a carga próxima ao centro do corpo", orienta Godinho.

Quer voltar a se exercitar? Vá com calma

Para quem vê as férias como oportunidade de sair do sedentarismo, o recado é claro: pressa é inimiga da coluna.

"Avaliação médica, progressão gradual, aquecimento adequado e descanso são pilares para evitar lesões", afirma o ortopedista. Ele também alerta que aumentar intensidade ou duração dos treinos em mais de 10% por semana é um erro comum.

Dor não é sinônimo de evolução

Por fim, o médico derruba um mito popular:

"A ideia do 'no pain, no gain' é perigosa, principalmente para iniciantes. Dor articular que não cede com repouso ou dor muscular incapacitante por mais de três dias não é evolução, é aviso".

Ouvir o corpo, respeitar limites e manter constância é o melhor caminho para aproveitar as férias sem transformar descanso mental em sobrecarga física.

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