Estudo revela por que pacientes voltam a usar Ozempic após interromper tratamento

Ozempic e Victoza: estudo revela por que muitos diabéticos param os agonistas de GLP-1, mas depois retomam o tratamento

17 jun 2026 - 16h02

Um estudo recente da The Endocrine Society trouxe novos dados sobre o uso de agonistas do GLP-1 em pessoas com diabetes tipo 2. Esses medicamentos, como Ozempic, Victoza e a tirzepatida, ganharam espaço nas prescrições nos últimos anos. No entanto, os pesquisadores observaram que muitos pacientes param o tratamento em algum momento, mesmo após períodos de uso regular.

O levantamento analisou prontuários e registros de prescrição de milhares de indivíduos. Com isso, a equipe conseguiu acompanhar a trajetória de quem iniciou, interrompeu e depois retomou o uso dos agonistas do GLP-1. Os resultados chamaram atenção, porque mostraram um vaivém significativo. Uma parcela expressiva interrompeu o remédio, mas depois voltou a utilizá-lo, muitas vezes após alguns meses.

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GLP-1 tem efeito similar ao Ozempic – depositphotos.com / ariteguhas@gmail.com
GLP-1 tem efeito similar ao Ozempic – depositphotos.com / ariteguhas@gmail.com
Foto: Giro 10

O que são agonistas do GLP-1 e por que ganham destaque?

Os agonistas do GLP-1 imitam a ação de um hormônio intestinal que estimula a liberação de insulina. Assim, esses fármacos ajudam a controlar a glicose no sangue e reduzem picos após as refeições. Além disso, eles retardam o esvaziamento gástrico e aumentam a sensação de saciedade, o que costuma favorecer a perda de peso.

Entre os nomes mais conhecidos, aparecem Ozempic (semaglutida), Victoza (liraglutida) e formulações mais recentes com tirzepatida. Em muitos casos, médicos indicam esses medicamentos quando outros tratamentos não garantem um bom controle glicêmico. Dessa forma, eles entram como uma etapa importante na estratégia contra o diabetes tipo 2.

Por que tantos pacientes interrompem agonistas do GLP-1?

De acordo com o estudo da The Endocrine Society, uma parcela considerável dos pacientes interrompe o tratamento ainda no primeiro ano. Pesquisadores identificaram vários motivos. Em primeiro lugar, os efeitos colaterais aparecem como um dos fatores mais citados. Náuseas, vômitos, azia e desconfortos gastrointestinais podem afetar o dia a dia.

Além disso, alguns pacientes sentem receio com a aplicação injetável, principalmente no início do uso. Outros relatam dificuldades com o custo mensal, mesmo com cobertura parcial de planos de saúde. Em certos casos, a pessoa interrompe o medicamento após perceber melhora nos níveis de glicose. Com isso, alguns acreditam que não precisam mais da medicação e param por conta própria.

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Os autores também apontam possíveis falhas na comunicação entre equipe de saúde e pacientes. Orientações insuficientes sobre como manejar enjoo, por exemplo, podem reduzir a tolerância ao tratamento. Do mesmo modo, consultas espaçadas demais podem atrasar ajustes de dose e agravar desconfortos.

Adesão aos agonistas do GLP-1: quem volta ao tratamento e por quê?

O estudo registrou um dado relevante: uma parte significativa de quem interrompeu o medicamento retornou ao uso em outro momento. Muitas pessoas retomaram o agonista do GLP-1 após perceber piora do controle glicêmico. Em vários casos, exames de sangue mostraram aumento da hemoglobina glicada e da glicemia em jejum.

Outro motivo frequente envolveu o peso corporal. Pacientes que haviam perdido peso com a medicação observaram ganho progressivo após a suspensão. Diante disso, alguns retornaram ao tratamento em busca de novo equilíbrio metabólico. Em vários prontuários, os pesquisadores encontraram relatos de melhora do apetite e de maior consumo de alimentos calóricos após a interrupção.

Os dados sugerem um padrão. Primeiro, o paciente experimenta os efeitos colaterais e decide parar. Depois, nota perda de controle glicêmico ou aumento de peso. Em seguida, volta ao médico, recebe nova orientação e retoma o uso. Esse ciclo apareceu com frequência, principalmente entre adultos em idade ativa.

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Saiba quem pode usar e quanto custa o medicamento –
Foto: depositphotos.com/mariar12 / Giro 10

Medicamentos antigos e novos: há diferença na adesão?

O levantamento também comparou agonistas do GLP-1 mais antigos, como o Victoza, com opções mais recentes, como a semaglutida e a tirzepatida. Os dados indicaram melhor adesão aos fármacos de nova geração. Em geral, eles oferecem esquemas de aplicação mais simples, com injeções semanais em vez de doses diárias.

Além disso, esses medicamentos mais recentes costumam apresentar maior eficácia no controle da glicose e na perda de peso. Essa combinação tende a motivar a continuidade do tratamento. Quando a pessoa percebe benefícios claros e constantes, geralmente mantém o uso por mais tempo. Ainda assim, os efeitos gastrointestinais continuam presentes, embora muitos pacientes relatem adaptação progressiva.

O estudo também sugeriu que programas de acompanhamento estruturado favorecem a adesão aos remédios mais novos. Agendas com retorno regular, canais para tirar dúvidas e orientações nutricionais específicas funcionam como apoio importante. Assim, o paciente encontra espaço para discutir ajustes de dose e estratégias para lidar com náuseas e mal-estar.

Como o acompanhamento médico influencia a decisão de parar ou retomar?

Os autores do trabalho reforçaram a importância do seguimento próximo com profissionais de saúde. Interromper ou retomar um agonista do GLP-1 envolve riscos e benefícios que exigem avaliação individual. Dessa forma, o médico precisa analisar exames, histórico de hipoglicemias, presença de outras doenças e metas de controle.

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Quando o paciente enfrenta efeitos colaterais, a equipe pode sugerir passos intermediários. Entre eles, entram redução temporária da dose, ajustes na alimentação e mudança do horário de aplicação. Em alguns casos, um intervalo planejado permite avaliar sintomas sem abandonar totalmente a estratégia terapêutica.

Na retomada do medicamento, o acompanhamento também ganha relevância. O profissional orienta sobre a reintrodução gradual e explica o que esperar nas primeiras semanas. Além disso, o médico discute alternativas caso os efeitos adversos persistam. Assim, a decisão deixa de se basear apenas em desconfortos imediatos e passa a considerar o quadro geral do diabetes tipo 2.

Diante desses achados, o estudo da The Endocrine Society reforça um ponto central. O uso de agonistas do GLP-1, como Ozempic, Victoza e tirzepatida, não se resume à prescrição. A forma como cada pessoa lida com benefícios, efeitos colaterais e rotina de aplicação define a continuidade. Por isso, um acompanhamento médico atento ajuda a ajustar o tratamento no tempo certo e reduz interrupções desnecessárias.

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