Endometriose pode afetar o bebê na gravidez? O que um novo estudo observou

Endometriose na gravidez pode afetar o bebê? Novo estudo investigou possíveis riscos e trouxe um alerta importante.

15 mai 2026 - 15h00
(atualizado às 15h03)
Endometriose na gravidez
Endometriose na gravidez
Foto: SaúdeLAB

Para muitas mulheres com endometriose, a preocupação começa antes mesmo da gravidez. A doença pode dificultar engravidar. Mas, quando a gestação acontece, surge outra dúvida importante. A endometriose pode influenciar a saúde do bebê?

Um novo estudo canadense sugere uma possível ligação entre a doença e algumas anomalias congênitas.

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Os pesquisadores observaram um número ligeiramente maior desses casos entre mulheres com endometriose.

Ainda assim, o resultado precisa ser interpretado com cuidado. A pesquisa não mostrou que a doença provoca malformações diretamente, e a maioria dos bebês nasceu sem alterações.

O que a endometriose pode ter a ver com isso?

A endometriose é uma doença inflamatória crônica. Isso significa que ela não envolve apenas lesões fora do útero. Ela também pode estar ligada a um ambiente de inflamação persistente no organismo.

Os pesquisadores levantam a hipótese de que essa inflamação, junto com alterações celulares ligadas ao chamado estresse oxidativo, possa interferir de forma sutil nas fases iniciais do desenvolvimento embrionário.

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É justamente no começo da gestação que várias estruturas importantes do corpo do bebê começam a se formar.

Mas isso ainda não está comprovado. Os próprios autores tratam essas explicações como hipóteses biológicas que ainda precisam ser investigadas em estudos futuros.

O que o estudo encontrou

A pesquisa analisou mais de 1,4 milhão de nascimentos em Ontário, no Canadá, entre 2006 e 2021. Desse total, pouco mais de 33 mil bebês nasceram de mulheres com endometriose.

Os principais achados foram:

  • 6,3% dos bebês de mulheres com endometriose apresentaram alguma anomalia congênita;
  • entre mulheres sem a doença, esse índice foi de 5,4%;
  • após considerar fatores como idade, infertilidade e outras condições de saúde, os pesquisadores observaram um aumento relativo de 16% no risco.

O número pode parecer alto quando aparece em porcentagem, mas a diferença prática entre os grupos foi pequena. Por isso, os resultados pedem mais atenção e acompanhamento do que alarme.

Os pesquisadores também observaram aumento em alguns tipos específicos de alterações, incluindo certas anomalias cardíacas e genitais.

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Ainda assim, os autores reforçam que o risco absoluto permaneceu baixo.

E os tratamentos de fertilidade?

Como a endometriose pode dificultar a gravidez, muitas mulheres recorrem a tratamentos como fertilização in vitro.

Por isso, os pesquisadores também investigaram se esses procedimentos poderiam explicar parte do aumento observado em alguns problemas identificados no bebê ainda durante a gestação ou logo após o nascimento.

A análise mostrou que uma pequena parte da associação pode estar ligada aos tratamentos de reprodução assistida. Mesmo assim, a maior parte do aumento observado continuou associada à própria endometriose.

Isso não significa que a fertilização in vitro seja perigosa. Os autores apenas ressaltam que fatores como gravidade da doença, infertilidade e uso de medicamentos ainda precisam ser melhor investigados.

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O que isso muda para quem tem endometriose?

Na vida real, a descoberta reforça a importância do acompanhamento antes e durante a gravidez.

Mulheres com endometriose que desejam engravidar podem se beneficiar de uma conversa prévia com ginecologista, obstetra ou especialista em reprodução humana para avaliar histórico, tratamentos e possíveis fatores de risco.

Isso não transforma a endometriose em motivo para medo ou ansiedade constante. A maioria das mulheres com a doença terá uma gestação sem problemas relacionados a anomalias congênitas.

O principal ponto é que conhecer essa possível associação pode ajudar médicos e pacientes a planejarem um acompanhamento mais individualizado durante a gravidez.

O estudo foi publicado na revista científica Canadian Medical Association Journal.

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Fonte: SaúdeLAB
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