Ela passou meses vendo pessoas e animais que não existiam; exames encontraram larvas de tênia no cérebro

Mulher passa meses vendo pessoas e animais que não existiam, até que exames revelam uma condição rara. Entenda a neurocisticercose.

6 nov 2026 - 13h00
(atualizado às 13h03)
Resumo
Uma mulher de 52 anos, que sofria com dores de cabeça, confusão mental e alucinações, foi diagnosticada com neurocisticercose nas Filipinas. A condição ocorre pela ingestão fecal-oral de ovos da tênia Taenia solium, presentes em água ou alimentos contaminados, que formam cistos no cérebro e geram crises epilépticas e inflamações graves. Após tratamento antiparasitário e anticonvulsivo, a paciente apresentou recuperação completa e redução dos cistos cerebrais em apenas um mês.

Durante quatro meses, uma mulher de 52 anos conviveu com dores de cabeça e episódios em que enxergava pessoas e animais que não estavam ali. Quando finalmente chegou ao hospital, os médicos perceberam que havia algo ainda mais estranho. Ela conseguia falar fluentemente, mas suas frases muitas vezes não faziam sentido.

À esquerda, exame de imagem do cérebro mostrando pontos brilhantes associados aos cistos da neurocisticercose. À direita, a tênia Taenia solium, parasita responsável pela infecção. Crédito: New England Journal of Medicine (NEJM) / Scientific American.
À esquerda, exame de imagem do cérebro mostrando pontos brilhantes associados aos cistos da neurocisticercose. À direita, a tênia Taenia solium, parasita responsável pela infecção. Crédito: New England Journal of Medicine (NEJM) / Scientific American.
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

Também tinha dificuldade para compreender o que ouvia, nomear objetos e seguir comandos simples.

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A investigação revelou uma causa inesperada. Havia cistos espalhados pelo cérebro, alguns com pequenas estruturas brilhantes em seu interior.

Eram larvas de um parasita conhecido principalmente por provocar infecções intestinais.

O caso aconteceu nas Filipinas e foi descrito no New England Journal of Medicine, em julho de 2026.

O diagnóstico foi neurocisticercose, uma infecção que ocorre quando as formas larvais da tênia Taenia solium chegam ao sistema nervoso e formam cistos no cérebro.

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A descoberta também revelou um detalhe importante sobre a transmissão desse parasita. Diferentemente do que muita gente imagina, a infecção cerebral não acontece simplesmente por comer carne de porco contaminada.

O que os médicos encontraram nas imagens do cérebro

Diante das alterações apresentadas pela paciente, os médicos chegaram a considerar a possibilidade de um transtorno psiquiátrico. Mas a investigação por imagem trouxe uma pista importante.

Alguns dos cistos apresentavam um ponto brilhante em seu interior. A estrutura correspondia ao escólex, uma espécie de cabeça da larva, que possui ventosas e ganchos usados para se fixar.

Um eletroencefalograma também mostrou alterações na atividade elétrica cerebral. Com esse resultado, os médicos suspeitaram que as alucinações estivessem relacionadas a crises epilépticas.

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A infecção pode começar longe do prato

Muita gente associa a tênia ao consumo de carne de porco malpassada. Mas esse hábito está relacionado à teníase, uma infecção intestinal causada pelo parasita adulto. A cisticercose é diferente.

Ela ocorre quando uma pessoa ingere ovos da tênia presentes em água, alimentos ou superfícies contaminadas por fezes de alguém infectado.

No organismo, esses ovos liberam larvas que podem alcançar diferentes tecidos pela circulação sanguínea, inclusive os olhos, os músculos e o cérebro. Quando formam cistos no sistema nervoso, a infecção é chamada de neurocisticercose.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica essa transmissão como fecal-oral, associada à falta de higiene e saneamento adequado.

No caso da paciente, os médicos não conseguiram identificar a origem da contaminação.

No ano anterior, ela havia passado algum tempo em abrigos para pessoas que precisaram deixar suas casas, onde as condições de saneamento e higiene no preparo dos alimentos eram precárias. Essa circunstância chamou a atenção dos médicos, mas não comprova que a infecção tenha ocorrido nesses locais.

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Por que um parasita pode provocar alterações tão graves?

A neurocisticercose pode permanecer sem sintomas durante meses ou até anos. Isso acontece porque, inicialmente, os cistos podem provocar pouca reação do organismo.

O quadro pode mudar quando os cistos começam a morrer e se desfazer. Nesse processo, o sistema imunológico reage à presença do parasita, provocando inflamação e inchaço ao redor dessas estruturas.

Os sintomas dependem da quantidade de cistos e de onde estão localizados. Podem incluir dores de cabeça, alterações na visão, convulsões e outros problemas neurológicos.

Nos casos mais graves, o inchaço pode aumentar a pressão dentro do crânio. Além disso, alguns cistos podem bloquear a circulação do líquido que envolve o cérebro, causando complicações potencialmente fatais.

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Um mês depois, os exames mostraram melhora

Após identificar a infecção, os médicos trataram a mulher contra o parasita e também as possíveis crises epilépticas.

Um mês depois, os sintomas haviam desaparecido.

Novas imagens mostraram que os cistos tinham diminuído de tamanho e que os pontos brilhantes característicos já não eram mais visíveis.

A paciente apresentou uma evolução favorável, no entanto, o resultado não significa que todos os casos tenham a mesma resposta ao tratamento.

A neurocisticercose pode provocar complicações graves, e alucinações, isoladamente, não são suficientes para indicar essa infecção.

Quais sinais merecem atenção

Alguns sintomas merecem avaliação médica, principalmente quando são persistentes ou aparecem sem explicação aparente:

  • Dores de cabeça persistentes;
  • Alterações inexplicadas na visão;
  • Dificuldade para falar ou compreender outras pessoas;
  • Episódios de convulsão.

Quando esses sinais aparecem junto de confusão mental ou mudanças repentinas no comportamento, é importante procurar atendimento médico imediatamente.

A prevenção depende principalmente de cuidados com a higiene:

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  • Lavar as mãos depois de usar o banheiro e antes de preparar alimentos;
  • Higienizar frutas e verduras;
  • Consumir água de procedência segura.

Quando há suspeita de neurocisticercose, a investigação pode incluir exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Fonte: SaúdeLAB
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