Semaglutida em comprimido tem o mesmo efeito da caneta? Veja o que dizem os estudos

Nova versão oral do Wegovy foi aprovada pela Anvisa e apresentou resultados de emagrecimento semelhantes aos da aplicação semanal

5 nov 2026 - 05h00
Wegovy em comprimido: remédio emagrece o mesmo que a versão injetável?
Wegovy em comprimido: remédio emagrece o mesmo que a versão injetável?
Foto: Freepik

A possibilidade de tratar a obesidade sem precisar aplicar uma injeção semanal acaba de ganhar uma nova alternativa no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (4), o Wegovy em comprimidos, medicamento à base de semaglutida que até então era disponibilizado no país para essa finalidade apenas na versão injetável.

Mas será que tomar o medicamento pela boca produz o mesmo resultado que usar a conhecida caneta emagrecedora? Os estudos clínicos indicam que sim: a formulação oral de 25 mg apresentou uma redução de peso semelhante à observada com a semaglutida injetável de 2,4 mg. A diferença está na forma de administração, na frequência de uso e nas orientações que precisam ser seguidas para garantir a absorção do medicamento.

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A novidade representa uma mudança nas opções de tratamento da obesidade, especialmente para pessoas que têm dificuldade com aplicações ou preferem medicamentos administrados por via oral.

Semaglutida em comprimido emagrece tanto quanto a injetável?

As evidências científicas apontam para resultados comparáveis entre as duas apresentações, embora seja importante observar que os estudos não fizeram uma comparação direta entre os medicamentos no mesmo ensaio clínico.

Um dos principais trabalhos sobre o assunto é o estudo OASIS 4, publicado em setembro de 2025 no periódico científico The New England Journal of Medicine.

A pesquisa acompanhou adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma complicação relacionada ao peso, sem diabetes. Os participantes receberam semaglutida oral de 25 mg diariamente ou placebo, além de orientações sobre alimentação e atividade física.

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Depois de 64 semanas, o grupo que recebeu o medicamento apresentou redução média de 13,6% do peso corporal. Entre os participantes que receberam placebo, a perda foi de 2,2%.

Em uma análise que considerou os participantes que permaneceram no tratamento, a redução média chegou a 16,6%. Os resultados indicaram que a formulação oral pode proporcionar uma perda de peso expressiva, próxima à observada com a versão injetável.

A comparação com os dados do estudo STEP 1, que avaliou a semaglutida injetável de 2,4 mg, também apontou resultados semelhantes. Essa análise, entretanto, foi indireta, baseada em pesquisas distintas, e não significa que todos os pacientes terão a mesma resposta às duas apresentações.

Qual é a diferença entre a semaglutida em comprimido e a caneta?

A principal diferença está na forma de administração. A semaglutida injetável utilizada no tratamento da obesidade é aplicada uma vez por semana. Já a nova versão oral do Wegovy precisa ser tomada diariamente.

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As duas apresentações contêm o mesmo princípio ativo, mas foram desenvolvidas com formulações e concentrações diferentes para permitir a absorção adequada pelo organismo.

O comprimido de 25 mg também exige cuidados específicos. A orientação é tomá-lo pela manhã, em jejum, com uma pequena quantidade de água. Depois da ingestão, é necessário aguardar pelo menos 30 minutos antes de comer, beber ou utilizar outros medicamentos.

Essas recomendações são importantes porque a absorção da semaglutida pela via oral pode ser prejudicada pela presença de alimentos, líquidos ou outros medicamentos no estômago.

Comprimido de semaglutida é o mesmo que Rybelsus?

Embora os dois medicamentos contenham semaglutida, existem diferenças nas apresentações, nas doses e nas indicações aprovadas.O Rybelsus é uma versão oral de semaglutida utilizada no tratamento do diabetes tipo 2. Já o Wegovy em comprimidos, aprovado pela Anvisa em novembro de 2026, foi desenvolvido para o controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma condição relacionada ao excesso de peso.

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A dose de 25 mg avaliada no estudo OASIS 4 corresponde à formulação desenvolvida especificamente para o tratamento da obesidade. A substituição de uma apresentação por outra não deve ser feita por conta própria.

A versão oral apresenta efeitos adversos semelhantes aos observados com a semaglutida injetável. Os sintomas mais comuns estão relacionados ao sistema gastrointestinal.

Entre as possíveis reações estão:

  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Diarreia;
  • Constipação intestinal;
  • Dor ou desconforto abdominal.

No estudo OASIS 4, os eventos adversos gastrointestinais foram registrados em 74% dos participantes que receberam semaglutida oral, contra 42,2% daqueles que utilizaram placebo.

A maioria dessas reações foi de intensidade leve ou moderada, mas os sintomas podem comprometer a continuidade do tratamento em algumas pessoas. A semaglutida também exige avaliação médica antes do início do uso, considerando o histórico de saúde, os medicamentos utilizados e as possíveis contraindicações.

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Quem pode usar semaglutida em comprimido?

A aprovação brasileira contempla adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma condição de saúde relacionada ao excesso de peso.

O tratamento deve ser associado a uma alimentação com redução de calorias e à prática de atividade física. A indicação e o acompanhamento precisam ser feitos por um profissional de saúde.

A chegada do comprimido amplia as possibilidades de tratamento, mas não significa que a formulação oral seja necessariamente melhor ou mais adequada para todas as pessoas. A escolha depende das características clínicas, da tolerância ao medicamento e das necessidades de cada paciente.

Quando o Wegovy em comprimido chega às farmácias?

A aprovação da Anvisa nesta quarta-feira (4) autorizou o registro da nova apresentação no Brasil. Entretanto, a liberação regulatória não significa que o medicamento esteja imediatamente disponível em todas as farmácias.

A comercialização depende da estratégia de lançamento da fabricante, a Novo Nordisk. Até o anúncio da aprovação, não havia confirmação de uma data específica de chegada às farmácias brasileiras nem de preço oficial para o mercado nacional.

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