Uso de cannabis não reduz a testosterona

6 nov 2026 - 12h26
(atualizado às 12h28)
Resumo
Estudo da Universidade de Genebra revelou que o uso de cannabis não reduz a testosterona em homens jovens, mas eleva seus níveis em cerca de 23% via síntese testicular. Os autores enfatizam que esse aumento não indica melhora na fertilidade ou qualidade do esperma. O fenômeno pode ser uma resposta compensatória à perda de sensibilidade de receptores androgênicos ou decorrer do fato de que homens com níveis naturalmente altos do hormônio têm maior propensão ao consumo de cannabis.

06 de novembro de 2026 (Bibliomed). Os efeitos da cannabis no sistema hormonal e na fertilidade masculina permanecem controversos na comunidade científica. Um estudo conduzido pela Universidade de Genebra, na Suíça, oferece uma nova perspectiva, demonstrando que o uso de cannabis não reduz os níveis de testosterona em homens jovens e pode até mesmo aumentar sua síntese testicular. No entanto, esse aumento nos níveis hormonais não pode ser diretamente relacionado à fertilidade.

Uso de cannabis não reduz a testosterona
Uso de cannabis não reduz a testosterona
Foto: LittleIvan/Evanto / Boa Saúde

Os pesquisadores realizaram uma análise detalhada de hormônios esteroides — incluindo hormônios sexuais como andrógenos, progestógenos e estrogênios — em amostras de plasma sanguíneo de 94 recrutas suíços com idades entre 18 e 23 anos. A coorte incluiu 47 usuários confirmados de cannabis e 47 não usuários.

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Os resultados mostraram que o uso de cannabis levou a um aumento de cerca de 23% na testosterona em homens jovens. Contudo, ao analisarem mais detalhadamente todos os hormônios sexuais masculinos, os pesquisadores conseguiram localizar a origem desse aumento especificamente nos testículos. Os hormônios sexuais masculinos produzidos pelas glândulas suprarrenais não foram afetados pelo aumento.

Segundo os autores, isso sugere que a cannabis parece ter um efeito direto nos testículos e, mais especificamente, nas células de Leydig, que produzem testosterona. Eles também identificaram dois novos biomarcadores potenciais do uso de cannabis: a hidroxiprogesterona (11ß-OHP4) e a di-hidroprogesterona (5ß-DHP4).

Os pesquisadores ressaltam que esse aumento nos níveis hormonais entre usuários de cannabis não deve ser interpretado como um indicador da qualidade do esperma. A relação entre testosterona e fertilidade permanece muito complexa e difícil de decifrar. Além disso, o aumento observado pode representar uma resposta compensatória do organismo à redução da sensibilidade de certos receptores de andrógenos na presença de cannabis. Também é possível que homens com níveis naturalmente mais altos de testosterona sejam mais propensos a comportamentos de risco e, consequentemente, mais propensos ao uso de cannabis.

Fonte: Communications Medicine. DOI: 10.1038/s43856-026-01469-x.

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