Doenças de pele no inverno pioram? Entenda por que dermatite atópica e coceira intensa exigem cuidados

Clima frio, baixa umidade do ar e banhos quentes favorecem o ressecamento da pele

21 jul 2026 - 04h58
Entenda como o frio agrava doenças de pele
Entenda como o frio agrava doenças de pele
Foto: Freepik

A chegada do inverno costuma trazer temperaturas mais baixas e um clima seco em boa parte do Brasil. Para quem convive com doenças inflamatórias da pele, no entanto, essa combinação pode representar um período difícil, com o agravamento de sintomas como coceira intensa, ressecamento e inflamação. Especialistas alertam que, nessa época do ano, reforçar a rotina de cuidados é essencial para evitar crises.

Segundo a dermatologista Analia Viana, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), existem explicações para essa piora na pele. "Tanto a dermatite atópica, quanto o prurigo nodular são condições inflamatórias que apresentam uma barreira cutânea alterada. Isso as torna particularmente sensíveis às agressões externas, como as variações climáticas", explica a médica.

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A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica caracterizada por coceira persistente e lesões avermelhadas recorrentes. Estima-se que ela afete mais de 230 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Já o prurigo nodular é uma doença neuroimune crônica marcada por coceira intensa e persistente, que leva ao surgimento de nódulos espessos na pele, geralmente vistos em grandes áreas do corpo. A condição é mais frequente entre pessoas de 50 a 69 anos e pode comprometer significativamente a qualidade de vida.

Dicas para uma pele saudável

Durante o inverno, a baixa umidade do ar contribui para o aumento da perda de água pela pele, agravando uma barreira cutânea que já é naturalmente fragilizada nesses pacientes.

"No inverno, a umidade do ar diminui, o que acelera a perda de água transepidérmica - ou seja, a evaporação natural de água através das camadas da pele. Para um paciente cuja barreira cutânea já é comprometida, isso resulta em um ressecamento grave que alimenta o ciclo vicioso de coceira e inflamação. Por isso, a hidratação e a proteção da pele não são apenas um cuidado estético, mas uma parte crucial do manejo dessas condições", afirma a dermatologista.

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De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o clima frio e seco está entre os principais fatores ambientais capazes de desencadear ou agravar doenças cutâneas inflamatórias. A entidade recomenda atenção especial à hidratação da pele durante os meses de inverno. 

Apesar de comuns nos dias frios, banhos longos e com água muito quente estão entre os hábitos que mais favorecem o ressecamento cutâneo. A recomendação é optar por banhos rápidos, com água morna, e utilizar sabonetes suaves, conhecidos como syndets, formulados com pH fisiológico e livres de fragrâncias.

"Muitos pacientes não se dão conta de que o sabonete comum pode ser um dos maiores problemas no inverno. Ele age removendo a camada lipídica que protege a pele e deixando-a vulnerável. A troca por um sabonete adequado é um passo simples que preserva essa defesa natural e previne o início de uma crise", explica a Dra. Analia.

Após o banho, a hidratação deve ser feita imediatamente, enquanto a pele ainda está levemente úmida. A preferência deve ser por cremes emolientes e hipoalergênicos, sem perfume, álcool ou corantes.

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"Uma recomendação que costumo dar aos meus pacientes é aplicar o creme na pele ainda úmida. Isso porque a umidade na superfície da pele otimiza a absorção dos componentes do creme, potencializando sua ação. Um hidratante eficaz é aquele que vai umectar a pele e, ao mesmo tempo, repor os componentes da sua barreira, que são fundamentais para a reestruturação da proteção danificada", explica Dra. Analia.

Pequenos hábitos fazem diferença

Além da hidratação, outras medidas ajudam a reduzir as crises durante a estação mais fria do ano. Entre elas estão o uso de roupas de algodão, a manutenção da hidratação do organismo, a utilização de umidificadores de ar quando necessário e a redução da exposição prolongada a ambientes com ar-condicionado muito seco.

"O cuidado não termina com o creme - ele deve ser holístico. Um tecido sintético, uma etiqueta que arranha ou um ambiente com ar-condicionado muito seco podem desfazer todo o bom trabalho da hidratação. O paciente precisa estar atento ao seu próprio conforto, ajustando o entorno para proteger sua pele de forma proativa, sempre com a orientação de um dermatologista para indicar o melhor caminho", finaliza a Dra. Analia.

Fonte: Portal Terra
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