Dificuldade para respirar: entenda as causas além do desvio de septo

Alterações na anatomia do nariz podem comprometer a respiração, afetar o sono e reduzir a qualidade de vida

3 ago 2026 - 12h19
Resumo
Dificuldades respiratórias nem sempre estão ligadas a gripes ou rinite; alterações na anatomia do nariz, como desvio de septo ou colapso da válvula nasal, podem ser as causas. Esses problemas afetam até o sono, mas possuem tratamentos, desde medidas simples até cirurgias que equilibram estética e função respiratória. 🩺👃

Muita gente acredita que dificuldades para respirar estão ligadas apenas a gripes, rinite ou sinusite. No entanto, o nariz também pode ser a causa do problema. Alterações na anatomia da região podem dificultar a passagem do ar, mesmo quando a aparência externa parece normal.

Entenda quando é hora de procurar um especialista por conta de problemas no nariz
Entenda quando é hora de procurar um especialista por conta de problemas no nariz
Foto: Divulgação / Saúde em Dia

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Arnaldo Tamiso, do Hospital Paulista, a estética do nariz nem sempre reflete seu funcionamento.

Publicidade

"Muitas pessoas têm um nariz considerado esteticamente perfeito, mas apresentam desvio de septo ou outras alterações internas que comprometem a passagem do ar. Da mesma forma, há pacientes com narizes tortos ou com características marcantes que respiram normalmente", explica o especialista.

Por isso, algumas pessoas convivem durante anos com dificuldades respiratórias sem perceber que existe tratamento.

Nem toda dificuldade para respirar é causada por desvio de septo

Embora o desvio de septo seja uma das alterações mais conhecidas, ele não é o único fator que pode prejudicar a respiração.

De acordo com o médico, o aumento dos cornetos — geralmente associado à rinite — também pode obstruir a passagem do ar. Além disso, existem alterações estruturais que podem ser percebidas até mesmo pela aparência externa do nariz.

Publicidade

Uma delas é o chamado colapso da válvula nasal. Nessa condição, as laterais do nariz se fecham durante inspirações mais intensas. Segundo Tamiso, esse problema costuma ocorrer em pessoas com cartilagens mais frágeis ou em pacientes que já passaram por cirurgias na região.

Outra alteração frequente é a ponta do nariz muito caída, que pode dificultar a entrada de ar. Deformidades no dorso nasal também podem estar associadas a alterações internas do septo e das cartilagens, seja por fatores genéticos ou por traumas.

Respiração prejudicada pode afetar o sono

As consequências de respirar mal vão além do desconforto durante o dia.

Quando o nariz não permite a passagem adequada do ar, a pessoa tende a respirar pela boca, principalmente durante o sono.

"O ar deixa de ser filtrado, aquecido e umidificado corretamente. A boca permanece aberta, a garganta resseca, a língua tende a cair para trás e o ronco aparece com mais facilidade", explica o otorrinolaringologista.

Publicidade

Segundo ele, isso pode comprometer a qualidade do descanso. A pessoa pode dormir durante toda a noite, mas acordar cansada, com boca seca e sensação de que não descansou.

Em alguns casos, esse quadro também pode estar relacionado à apneia obstrutiva do sono, condição que deve ser investigada por um especialista.

Cirurgia deve preservar a função respiratória

Nos últimos anos, a rinosseptoplastia passou a buscar um equilíbrio entre estética e funcionalidade.

Segundo Tamiso, o objetivo da cirurgia não é apenas modificar o formato do nariz, mas também preservar ou melhorar a capacidade respiratória.

"Hoje sabemos que não basta deixar o nariz bonito. Se a cirurgia reduzir demais algumas estruturas sem reforçar adequadamente as cartilagens, o paciente pode ganhar um resultado estético satisfatório, mas perder qualidade respiratória", afirma.

O especialista também destaca que corrigir apenas o desvio de septo nem sempre resolve o problema.

Publicidade

"Existem pacientes em que a válvula nasal continua funcionando de forma inadequada mesmo após uma septoplastia. Por isso, o planejamento cirúrgico precisa avaliar todas as estruturas envolvidas."

Cirurgia nem sempre é o primeiro tratamento

Apesar de alguns casos exigirem cirurgia, o tratamento costuma começar com medidas mais simples.

Entre elas estão:

  • Lavagem nasal de alto volume e baixa pressão.
  • Investigação e controle da rinite e de outros processos inflamatórios.
  • Uso de dilatadores nasais em situações específicas, para melhorar temporariamente a passagem do ar.

Somente quando essas estratégias não são suficientes é que a cirurgia pode ser indicada, sempre após avaliação médica.

Quando procurar um otorrinolaringologista?

Alguns sinais indicam que vale a pena buscar uma avaliação especializada:

  • Dificuldade constante para respirar pelo nariz.
  • Dependência frequente de sprays descongestionantes.
  • Boca seca ao acordar.
  • Ronco intenso.
  • Sensação de que o nariz "fecha" durante exercícios físicos ou ao deitar.

Segundo o Dr. Arnaldo Tamiso, muitas pessoas acreditam que respirar mal é algo normal. No entanto, em diversos casos, existe uma alteração anatômica que pode ser identificada e tratada.

Publicidade
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações