Dia Mundial do AVC: entenda como a saúde vascular ajuda a prevenir a doença

Controlar a pressão arterial, o colesterol e o diabetes ajuda a reduzir o risco, enquanto reconhecer rapidamente os sintomas pode diminuir suas consequências

29 out 2026 - 13h01
Resumo
No Dia Mundial do AVC, especialistas alertam que a saúde vascular é essencial na prevenção da doença, causada pela obstrução ou rompimento de artérias cerebrais. Problemas como aterosclerose e fatores de risco modificáveis, a exemplo de hipertensão, tabagismo e sedentarismo, ampliam o perigo. Ao notar sinais de alerta como fraqueza súbita, perda de visão ou fala alterada, o socorro médico imediato pelo SAMU (192) é crucial para minimizar sequelas, já que a rapidez no atendimento é decisiva.

O Dia Mundial do AVC (acidente vascular cerebral), celebrado em 29 de outubro, chama a atenção para a importância da prevenção de uma doença diretamente relacionada à saúde dos vasos sanguíneos. O AVC isquêmico, tipo mais frequente, ocorre quando uma artéria que leva sangue ao cérebro fica obstruída. Dessa forma, o órgão deixa de receber fluxo sanguíneo adequado. O AVC hemorrágico, por sua vez, ocorre quando há o rompimento de um vaso. 

O Dia Mundial do AVC reforça a importância da prevenção da doença, diretamente relacionada à saúde dos vasos sanguíneos
O Dia Mundial do AVC reforça a importância da prevenção da doença, diretamente relacionada à saúde dos vasos sanguíneos
Foto: Explode | Shutterstock / Portal EdiCase

Segundo o cirurgião vascular Dr. Celso Ricardo Bregalda Neves, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular - Regional São Paulo (SBACV-SP), entender essa relação é importante para reconhecer os fatores que podem comprometer a circulação e aumentar o risco da doença.

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"As artérias carótidas são responsáveis por levar ao cérebro o sangue rico em oxigênio e nutrientes. Alterações nesses vasos, como a presença de placas ateroscleróticas, estreitamentos ou obstruções, podem comprometer o fluxo sanguíneo e aumentar o risco de um AVC."

Fatores que aumentam o risco de AVC

Entre as principais alterações vasculares associadas a esse risco, está a aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias. Quando esse processo acomete as carótidas, as placas podem provocar o estreitamento do vaso ou liberar fragmentos que seguem pela circulação e podem obstruir uma artéria cerebral.

"É importante lembrar, no entanto, que as carótidas não estão envolvidas em todos os casos de AVC. Existem diferentes mecanismos capazes de levar ao evento, incluindo problemas cardíacos, alterações em outras artérias e doenças dos pequenos vasos cerebrais", ressalta o especialista.

Os principais fatores de risco modificáveis são pressão alta, tabagismo, colesterol elevado, diabetes, excesso de peso, sedentarismo e consumo excessivo de álcool. A hipertensão merece atenção especial, pois pode permanecer sem sintomas durante anos e provocar danos progressivos nos vasos.

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"Esses fatores podem atuar de maneira independente e se somar ao longo do tempo. O importante é que grande parte deles pode ser controlada, o que representa uma oportunidade real de prevenção", afirma Dr. Celso Ricardo Bregalda Neves.

O médico destaca que nem toda pessoa precisa realizar exames das carótidas como rotina. O ultrassom Doppler é útil para avaliar o fluxo sanguíneo e identificar placas ou estreitamentos, mas a indicação deve considerar a história clínica, os fatores de risco, os sintomas e a avaliação médica. Quando existe doença carotídea, o tratamento pode envolver controle dos fatores de risco, medicamentos e, em situações selecionadas, procedimentos de revascularização.

Diante de sinais de AVC, é fundamental consultar um médico imediatamente
Foto: Studio Romantic | Shutterstock / Portal EdiCase

Sinais de alerta

Alguns sinais, como alteração súbita da fala, perda de força ou sensibilidade de um lado do corpo e alteração visual, mesmo que desapareçam rapidamente, podem indicar um ataque isquêmico transitório (AIT). "O desaparecimento dos sintomas não significa que o problema acabou. O AIT pode ser um sinal de alerta para um AVC e precisa de avaliação médica imediata", alerta o médico.

Diante de uma suspeita de AVC, a rapidez é fundamental. Fraqueza ou formigamento, principalmente de um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, boca torta, alteração súbita da visão, tontura, perda do equilíbrio, dificuldade para caminhar e dor de cabeça súbita e intensa estão entre os principais sinais.

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"No AVC, cada minuto faz diferença. Quanto mais tempo uma região do cérebro permanece sem receber oxigênio e nutrientes, maior pode ser a lesão. A orientação é acionar o SAMU pelo telefone 192 ou procurar imediatamente um serviço de emergência", orienta.

Relação entre varizes e AVC

O Dr. Celso Ricardo Bregalda Neves esclarece que varizes e "má circulação" nas pernas não significam, por si só, maior risco de AVC. As varizes são alterações das veias, enquanto o AVC está relacionado principalmente a problemas da circulação arterial.

Da mesma forma, a trombose venosa profunda, que costuma ocorrer nas veias das pernas, não é a causa habitual do AVC. Existem situações específicas, como a embolia paradoxal e a trombose venosa cerebral, que exigem avaliação médica própria.

Hábitos que ajudam a prevenir o AVC

A prevenção depende do acompanhamento contínuo dos fatores de risco. Controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia, não fumar, praticar atividade física, manter alimentação equilibrada, controlar o peso, evitar o consumo excessivo de álcool e seguir corretamente os tratamentos prescritos são medidas que ajudam a proteger os vasos.

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"Prevenir um AVC começa muito antes de aparecer qualquer sintoma. Cuidar da saúde vascular é também cuidar do cérebro. Mas existe uma segunda mensagem, igualmente importante: reconhecer os sinais e não perder tempo. AVC é uma emergência. Quanto mais rápido o paciente for encaminhado para atendimento, maiores são as possibilidades de receber o tratamento adequado", conclui o médico.

Por Elenice Costola

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