Dividir comprimidos nem sempre é seguro e pode comprometer o tratamento, alerta o farmacêutico Ivan Olisan. Medicamentos de liberação prolongada, revestidos e sem sulco podem perder eficácia ou causar efeitos adversos. Para ajustes de dose, farmácias de manipulação são alternativas mais confiáveis. Sempre procure orientação profissional antes de cortar comprimidos. 💊
Cortar um comprimido ao meio é um hábito comum entre pessoas que desejam facilitar a ingestão, ajustar a dose ou até economizar o medicamento. Mas será que essa prática é realmente segura? A resposta depende do tipo de remédio.
Segundo o farmacêutico Ivan Olisan, docente do curso de Farmácia da Unopar, dividir comprimidos sem orientação profissional pode alterar a forma como o medicamento age no organismo, comprometendo o tratamento e aumentando o risco de efeitos indesejados. "Existem comprimidos desenvolvidos para liberar o medicamento de forma gradual no organismo. Quando eles são cortados, essa liberação pode ser comprometida, aumentando o risco de efeitos adversos ou reduzindo a eficácia do tratamento", explica.
Quais comprimidos não devem ser cortados?
Nem todos os medicamentos foram desenvolvidos para serem divididos. Alguns possuem características que podem ser alteradas quando o comprimido é partido.
Comprimidos de liberação prolongada
Esses medicamentos são formulados para liberar o princípio ativo aos poucos, mantendo o efeito por várias horas. Quando são cortados, essa tecnologia pode ser comprometida, fazendo com que o organismo absorva o medicamento rapidamente e aumentando o risco de reações adversas.
Comprimidos revestidos
O revestimento não serve apenas para facilitar a ingestão. Em muitos casos, ele protege o estômago, evita irritações ou impede que o medicamento seja degradado antes de chegar ao intestino. Ao partir o comprimido, essa proteção pode ser perdida.
Medicamentos sem sulco
Os comprimidos que não possuem o sulco — a marcação feita para facilitar a divisão — também exigem atenção. Segundo o especialista, o corte pode resultar em partes com quantidades diferentes do princípio ativo, fazendo com que uma dose seja maior que a outra.
Cápsulas e outros formatos
Cápsulas, drágeas e medicamentos mastigáveis também não devem ser abertos ou divididos sem orientação de um profissional de saúde, já que isso pode interferir diretamente na ação do medicamento.
O comprimido cortado pode perder o efeito?
Sim. Depois de ser partido, o medicamento fica mais exposto ao contato com o ar, à umidade e ao calor, fatores que podem comprometer sua estabilidade e reduzir sua eficácia.
Por isso, sempre que houver dúvida sobre a possibilidade de dividir um comprimido, o ideal é conversar com um médico ou farmacêutico antes de fazer qualquer alteração no tratamento.
Farmácia de manipulação pode ser uma alternativa
Quando o paciente precisa de uma dose diferente da disponível no mercado, uma alternativa é recorrer à farmácia de manipulação.
Segundo Ivan Olisan, a manipulação permite preparar a quantidade exata prescrita pelo profissional de saúde, oferecendo mais precisão e segurança do que partir comprimidos manualmente.
"A farmácia magistral dispõe de tecnologia, matérias-primas padronizadas e diferentes tamanhos de cápsulas que permitem o fracionamento e a personalização das doses prescritas pelo profissional de saúde, garantindo maior precisão e segurança ao tratamento", afirma.
O especialista explica que essa opção pode ser indicada para pessoas que precisam de doses intermediárias, têm dificuldade para engolir comprimidos ou necessitam de uma formulação personalizada.
Sempre procure orientação profissional
Embora cortar comprimidos pareça um hábito simples, a decisão deve ser tomada apenas com orientação médica ou farmacêutica. "Nem todos os medicamentos podem ser fracionados ou manipulados da mesma maneira. Por isso, a avaliação técnica é fundamental para garantir que a eficácia e a segurança do tratamento sejam preservadas", conclui o farmacêutico.