Copa 2026: Pausa para hidratação divide opiniões no futebol

A decisão da Fifa de paralisar as partidas da Copa do Mundo de 2026 dividiu opiniões entre técnicos e atletas

26 jun 2026 - 18h09
Resumo
A regra de pausas obrigatórias para hidratação na Copa de 2026 gerou debate: apoiadores valorizam o cuidado com a saúde dos jogadores em meio ao calor extremo, enquanto críticos argumentam que ela prejudica o ritmo do jogo. Além de reidratar, as paradas são usadas por técnicos para ajustes táticos. ⚽💧

A pausa obrigatória para hidratação se consolidou como um dos temas mais debatidos da Copa do Mundo de 2026.

Entenda a pausa para hidratação da Copa
Entenda a pausa para hidratação da Copa
Foto: Foto 1: FIFA. Foto 2: FIFA/Rafael Ribeiro - CBF / Saúde em Dia

A nova regra implementada pela Fifa mudou a dinâmica das partidas, mas qual é o verdadeiro impacto disso na saúde dos atletas e no andamento do jogo?

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Entenda a nova regra

A Fifa determinou paradas obrigatórias para hidratação em todos os confrontos deste Mundial. O intervalo dura exatamente três minutos.

Ele ocorre por volta dos 22 minutos do primeiro e do segundo tempo.

A regra é fixa e acontece independentemente da temperatura local, das condições do estádio ou do horário do jogo.

A medida gerou divergências. De um lado, defensores enxergam a parada como uma proteção indispensável para quem atua no rigoroso verão da América do Norte.

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Do outro, críticos reclamam que a novidade quebra o ritmo do futebol, transformando os tradicionais dois tempos em uma disputa dividida em quatro quartos.

A Fifa sustenta que a segurança motivou a decisão. A entidade afirma que a regra garante condições de igualdade para as seleções.

Além disso, ajuda a preservar o físico dos esportistas em um torneio marcado por calor intenso, alta umidade e longas distâncias de viagem.

Mais do que apenas beber água

No dia a dia da competição, esses três minutos vão muito além da ingestão de líquidos.

Segundo Ana Paula Simões, médica do esporte, o intervalo funciona muito mais como uma estratégia de resfriamento corporal e manutenção do que como um processo de reidratação total.

O reflexo disso também se tornou tático.

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Os treinadores transformaram o tempo livre em uma oportunidade para corrigir o posicionamento dos atletas, alterar esquemas de marcação ou frear a pressão do adversário. 

Por conta disso, o intervalo passou a ser chamado por alguns profissionais de "coaching break", ou seja, uma pausa para orientações técnicas.

O efeito do calor extremo no organismo

Durante uma partida, o corpo humano já gera calor de forma natural devido ao esforço físico.

Quando o jogo ocorre sob altas temperaturas, o organismo precisa trabalhar em dobro para manter a homeostase, que é o equilíbrio das funções internas.

Nessa situação, o corpo lida com duas frentes exigentes ao mesmo tempo.

Ele precisa direcionar o sangue para os músculos, que demandam energia, e enviar sangue para a pele, em uma tentativa de reduzir a temperatura e resfriar o sistema.

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Esse mecanismo eleva significativamente a sudorese. Por meio do suor, o atleta perde grandes volumes de água e sais minerais, principalmente o sódio.

É por isso que muitos jogadores exibem marcas esbranquiçadas e relatam uma sensação de pele "salgada" após o término do esforço.

"Com o suor, a gente vai perdendo água e sais. É aquele 'salgadinho', o sal que fica na pele. Tem algumas pessoas que ficam parecendo cheias de areia, mas, na verdade, são os eletrólitos, principalmente o sódio", afirma Ana Paula.

Como consequência direta, ocorre uma diminuição no volume de sangue circulante, pois a água compõe o líquido sanguíneo.

Com menos sangue disponível nos vasos, o coração é obrigado a bater mais rápido para tentar compensar a falta.

Mesmo com esse esforço cardíaco, a temperatura interna do corpo pode continuar subindo perigosamente.

Reflexos no desempenho técnico

A redução do fluxo sanguíneo faz com que menos oxigênio chegue até a musculatura. O atleta começa a sentir os sintomas da fadiga muito mais cedo.

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Há uma perda notável de velocidade e queda na capacidade de explosão. O jogador passa a encontrar dificuldades para repetir corridas de alta intensidade.

No segundo tempo, esse desgaste fica evidente.

O profissional demora mais para reagir às jogadas, chega atrasado nas disputas de bola, comete erros em passes curtos e perde a precisão em decisões que costumam ser automáticas.

O calor também prejudica as funções cognitivas. Isso significa que o cansaço não afeta apenas as pernas, os pulmões e o coração. Ele interfere diretamente no raciocínio rápido.

"O jogador passa a ter dificuldade nas escolhas, até para fazer um passe", aponta Ana Paula Simões.

O problema das cãibras

A desidratação severa e a perda acentuada de eletrólitos são fatores que favorecem o surgimento de cãibras.

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O problema se manifesta quando a reposição de água e sais não acompanha o nível de exigência física e térmica do ambiente.

A médica lembra que muitos atletas sofrem com cãibras mesmo consumindo líquidos durante o jogo.

Isso indica que a reposição feita no jogo nem sempre supre o que foi eliminado.

"A gente viu jogadores tendo cãibras mesmo fazendo hidratação. Então, é um sinal de que a hidratação não está sendo suficiente, principalmente em relação aos eletrólitos."

Três minutos resolvem a desidratação?

Caso o atleta já entre em campo desidratado, três minutos são insuficientes para normalizar o quadro.

Não há tempo hábil para o organismo absorver e repor todo o volume perdido. Tampouco é possível corrigir totalmente o déficit de líquidos e minerais essenciais nas células.

Apesar disso, a parada funciona bem como uma ação de manutenção.

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Ela possibilita que o jogador reduza o ritmo metabólico, abaixe a frequência cardíaca e resfrie o corpo por alguns instantes. Trata-se de uma oportunidade para uma reposição básica de água. 

"É como se fosse um respiro para o corpo", compara Ana Paula Simões.

A iniciativa deve ser interpretada como um processo de contenção, não como uma cura. O jogador precisa iniciar a partida em condições ideais de hidratação.

Ao longo do confronto, os três minutos atuam apenas para evitar que o desgaste físico progrida de forma acelerada.

Por que existem tantas reclamações?

A queixa principal reside na quebra da fluidez do esporte. O treinador Gustavo Alfaro, que comanda a seleção do Paraguai, posicionou-se de forma dura contra a determinação.

Ele argumentou que a continuidade das jogadas é interrompida e lamentou que os jogos deem a impressão de estarem sendo disputados em quatro períodos distintos.

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Marcelo Bielsa, técnico do Uruguai, endossou as críticas à medida.

Para o comandante uruguaio, a inovação não agrega valor ao futebol e altera o ritmo contínuo, que é uma das características históricas mais marcantes da modalidade.

No grupo dos atletas, o zagueiro Virgil van Dijk, capitão da Holanda, declarou que compreende a necessidade de descanso em cenários de calor extremo.

Contudo, o defensor questionou a obrigatoriedade da regra em todos os compromissos do calendário, criticando também a inserção de comerciais de TV durante as transmissões dessas paradas.

Já entre os profissionais favoráveis, Rudi Garcia, técnico da Bélgica, revelou enxergar o momento muito mais como uma oportunidade tática de orientação do que como um intervalo médico.

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Segundo ele, o período se mostra bastante útil para reorganizar o time e transmitir instruções importantes de jogo.

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