Conheça a síndrome que faz algumas pessoas terem certeza de que morreram

Síndrome de Cotard faz algumas pessoas acreditarem que morreram. Entenda o caso de uma mulher que dizia não ter cérebro, estômago ou alma.

7 set 2026 - 20h00
(atualizado às 20h01)
Resumo
A síndrome de Cotard é uma condição rara em que a pessoa crê piamente que morreu, não existe ou perdeu órgãos e partes do corpo. Descrita no século XIX pelo médico Jules Cotard, a condição decorre de falhas na percepção cerebral e costuma estar associada a quadros psiquiátricos graves, como depressão psicótica e esquizofrenia, ou a distúrbios neurológicos. O tratamento foca na causa subjacente e inclui o uso de antidepressivos, antipsicóticos e eletroconvulsoterapia.

Como seria ter certeza de que você morreu, mesmo estando vivo?

Para algumas pessoas, essa não é uma metáfora para descrever tristeza ou sofrimento. É uma convicção. Elas podem acreditar que morreram, que deixaram de existir ou que partes do próprio corpo desapareceram.

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Esse fenômeno raro é conhecido como síndrome de Cotard.

A história que ajudou a dar origem ao conceito começou em Paris, em 1880, quando o médico francês Jules Cotard descreveu uma mulher de 43 anos com crenças incomuns sobre o próprio corpo.

Uma mulher que dizia ter perdido partes do corpo

Identificada apenas como "Mademoiselle X", a paciente dizia não ter cérebro, nervos, tórax, estômago ou intestinos.

Para ela, restavam apenas pele e ossos.

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A negação ia além do corpo. Ela também afirmava não ter alma e dizia que Deus e o diabo não existiam.

A mulher acreditava ainda que não precisava comer e que não poderia morrer de uma morte natural.

Cotard apresentou o caso em Paris, em 28 de junho de 1880, ao descrever uma forma grave de melancolia ansiosa.

Como surgiu a síndrome de Cotard?

Em 1882, Cotard publicou outro trabalho e usou a expressão francesa délire des négations, ou "delírio de negação".

O termo descrevia casos em que a pessoa negava de maneira extrema aspectos de si mesma, como o próprio corpo, a identidade ou a existência.

A expressão síndrome de Cotard surgiu posteriormente e é geralmente atribuída ao psiquiatra francês Emil Régis, em 1893.

Por isso, a mulher de 1880 não recebeu o diagnóstico moderno. Seu relato foi um dos casos históricos que ajudaram a descrever o fenômeno.

Quando alguém acredita que está morto

A manifestação mais conhecida é a crença de que a própria pessoa morreu.

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Ela pode conversar, caminhar e interagir normalmente com quem está ao redor, mas estar convencida de que seu corpo não funciona mais ou de que sua existência terminou.

Em outros casos, a ideia aparece de outra forma. A pessoa pode acreditar que perdeu órgãos, que não possui sangue ou que seu corpo está vazio.

É diferente de dizer que alguém está "morto por dentro" depois de uma experiência dolorosa.

Na síndrome de Cotard, a crença pode ser literal e vivida como realidade.

Para quem está de fora, isso parece impossível. Para quem vivencia o quadro, porém, a ideia pode fazer sentido dentro da maneira como está percebendo o próprio corpo e a própria existência.

Por que isso acontece?

A ciência ainda não sabe exatamente por que a síndrome de Cotard acontece.

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Uma das hipóteses é que alterações na forma como o cérebro percebe o próprio corpo e a própria existência contribuam para essas crenças.

Estudos já encontraram alterações em diferentes áreas do cérebro em alguns pacientes, mas os casos são raros e não existe uma única alteração capaz de explicar a síndrome.

Síndrome de Cotard
Síndrome de Cotard
Foto: SaúdeLAB

Síndrome de Cotard / Canva

O que pode levar alguém a acreditar que morreu?

A síndrome de Cotard costuma aparecer associada a quadros psiquiátricos graves, principalmente depressão com sintomas psicóticos.

Também há relatos em pessoas com transtorno bipolar e esquizofrenia.

Ela ainda pode ocorrer em associação com condições neurológicas, como acidente vascular cerebral, epilepsia, traumatismos cranianos, demências, doença de Parkinson e encefalites.

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Existe tratamento?

Sim. O tratamento depende principalmente da condição associada aos sintomas.

Quando o fenômeno aparece em um quadro grave de depressão com sintomas psicóticos, por exemplo, podem ser utilizados antidepressivos e antipsicóticos.

Em situações graves, a eletroconvulsoterapia (ECT), tratamento que utiliza estímulos elétricos controlados no cérebro sob anestesia, também pode ser considerada.

A avaliação médica é especialmente importante quando a pessoa deixa de comer ou beber por acreditar que não precisa desses cuidados ou apresenta risco de autoagressão.

Mais de um século depois do caso descrito por Jules Cotard, a medicina consegue reconhecer experiências em que uma pessoa acredita ter morrido, investigar possíveis alterações envolvidas e tratar as condições associadas.

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Fonte: SaúdeLAB
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