Canetas emagrecedoras: risco de câncer é confirmado? Entenda as evidências

Estudos recentes investigam a relação entre medicamentos à base de GLP-1 e diferentes tipos de câncer, mas especialistas pedem cautela na interpretação dos resultados

5 ago 2026 - 12h10
Resumo
As canetas emagrecedoras, usadas no tratamento da obesidade e diabetes, levantaram dúvidas sobre possível risco de câncer de tireoide. Estudos com humanos não confirmam essa relação, apesar de testes em roedores indicarem tumores. Pesquisas recentes também analisam outros tipos de câncer, enquanto especialistas reforçam a necessidade de uso sob orientação médica. 🔎

As canetas emagrecedoras revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes nos últimos anos. No entanto, desde que passaram a ganhar popularidade, também surgiram dúvidas sobre a segurança desses medicamentos, principalmente em relação ao risco de câncer de tireoide. Afinal, o alerta presente na bula significa que o problema acontece em humanos?

Estudos investigam a segurança das canetas emagrecedoras, mas ainda não comprovam que os medicamentos aumentem o risco de câncer de tireoide
Estudos investigam a segurança das canetas emagrecedoras, mas ainda não comprovam que os medicamentos aumentem o risco de câncer de tireoide
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Até o momento, as evidências científicas indicam que a resposta não é tão simples. Embora pesquisas continuem investigando a relação entre os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e diferentes tipos de câncer, especialistas destacam que ainda não há comprovação de que essas canetas provoquem câncer de tireoide em pessoas.

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O que dizem os estudos sobre as canetas emagrecedoras?

Grande parte da preocupação surgiu porque estudos realizados em roedores identificaram o desenvolvimento de tumores nas células C da tireoide após a exposição prolongada a medicamentos da classe do GLP-1. Por esse motivo, as bulas incluem um alerta sobre o possível risco.

Entretanto, pesquisas clínicas realizadas com milhares de pacientes não encontraram aumento significativo da incidência de câncer de tireoide em humanos até o momento. Uma revisão de ensaios clínicos envolvendo mais de 14 mil participantes tratados com semaglutida, por exemplo, registrou uma incidência inferior a 1% da doença, sem evidências de um risco elevado.

Além disso, especialistas explicam que existem diferenças importantes entre a biologia da tireoide de roedores e a de seres humanos, o que dificulta extrapolar diretamente os resultados obtidos em animais.

Estudos também investigam outros tipos de câncer

As pesquisas recentes não analisam apenas a tireoide. Estudos observacionais apontaram que usuários de medicamentos à base de GLP-1 apresentaram menor incidência de alguns tipos de câncer associados à obesidade, como os de endométrio e ovário.

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Por outro lado, os próprios pesquisadores ressaltam que esses resultados ainda precisam ser confirmados por estudos mais robustos. Como essas análises observacionais não conseguem eliminar todos os fatores que influenciam a saúde dos participantes, ainda não é possível afirmar que o medicamento seja responsável pelos benefícios observados.

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Quem deve ter mais atenção?

Apesar das evidências atuais serem consideradas tranquilizadoras, as canetas emagrecedoras continuam contraindicadas para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou de síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2), conforme orientação das bulas.

Para os demais pacientes, o uso deve ocorrer apenas com acompanhamento médico, levando em consideração os benefícios, possíveis riscos e as características individuais de cada caso.

Até que novos estudos tragam respostas definitivas, a recomendação dos especialistas é não interromper o tratamento por conta própria e esclarecer qualquer dúvida com o médico responsável.

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