O diagnóstico precoce do câncer de mama eleva a chance de cura a mais de 95%, tendo a mamografia anual a partir dos 40 anos como exame essencial de rastreamento. A doença se divide entre tumores luminais, HER2 e triplo-negativos, exigindo terapias específicas. O tratamento cirúrgico prioriza técnicas conservadoras e reconstrução imediata via SUS. Próteses de silicone só são trocadas em caso de intercorrências, reposição hormonal pós-tratamento é contraindicada e testes genéticos guiam a quimioterapia.
O diagnóstico precoce do câncer de mama eleva as chances de cura da condição para mais de 95%, afirma a mastologista Fernanda Barbosa em entrevista à jornalista Talita na bancada do programa Brasil News.
Durante as ações de conscientização do Outubro Rosa, a médica explica que a realização de mamografia anual a partir dos 40 anos atua como o exame determinante para o rastreamento populacional na prevenção secundária, diferenciando-se da ressonância magnética e da ultrassonografia, instrumentos reservados para diagnósticos complementares ou orientação de biópsias.
A especialista destaca que a doença compreende três divisões biológicas com comportamentos distintos: os tumores luminais, dependentes de estrogênio e mais frequentes na população; as formações com expressão da proteína HER2, tratadas por bloqueadores direcionados; e os carcinomas triplo-negativos, caracterizados pelo avanço rápido e abordagem terapêutica por imunoterapia combinada a medicamentos citotóxicos.
No plano cirúrgico, a mastologia prioriza procedimentos conservadores em substituição à remoção integral da mama, retirando o tumor com margens livres e mantendo a cobertura cutânea e o complexo aréolo-papilar.
A legislação do Sistema Único de Saúde estabelece a reconstrução mamária imediata durante a mesma intervenção operatória da paciente, utilizando próteses de silicone como recurso principal, além de retalhos miocutâneos retirados do dorso ou abdômen e enxertos de tecido adiposo.
Sobre a relação clínica com as pessoas em atendimento, Fernanda Barbosa pontua a necessidade de acolhimento integral: "Você está tratando a paciente sentada na sua frente, não está tratando a doença dela".
Qual é a regra para substituição de implantes mamários?
As próteses de silicone não possuem prazo de validade pré-fixado no organismo. A troca cirúrgica ocorre exclusivamente diante de intercorrências diagnosticadas em consultas de acompanhamento, como ruptura do invólucro ou enrijecimento por contratura capsular fibrosa.
Quem concluiu o tratamento pode utilizar terapia hormonal?
Pacientes com histórico de neoplasia mamária não recebem indicação clínica para reposição de hormônios no climatério. O manejo das queixas associadas à menopausa precoce e ao bloqueio endócrino requer a adoção de atividade física, reeducação alimentar e substâncias sem ação estrogênica.
Como funciona a aplicação do teste genético Oncotype?
O ensaio molecular analisa o perfil genético do tumor em estágios iniciais com receptores hormonais positivos para gerar uma pontuação de risco. A escala numérica mensura a probabilidade de metástase futura e define a real necessidade da prescrição de ciclos de quimioterapia adjuvante.