Brasileira com doença degenerativa tem morte assistida na Suíça: 'No limite da minha dignidade'

Célia Maria Cassiano foi diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica em novembro de 2024

17 abr 2026 - 14h00
(atualizado às 14h35)
Celia Maria viajou à Suíça para realizar suicídio assistido
Celia Maria viajou à Suíça para realizar suicídio assistido
Foto: Reprodução/Instagram/celiamariacassiano

A professora Célia Maria Cassiano publicou em seu Instagram um relato gravado antes de ela cometer um suicídio assistido na Suíça. Diagnosticada com uma doença crônica, a brasileira viajou até a Europa para ter uma morte assistida, legalizada no país.

O procedimento consiste em dar fim à própria vida de forma indolor e com todos os cuidados médicos necessários. No Brasil, o suicídio assistido é proibido. Na Suíça, há um protocolo bem rigoroso para este tipo de morte.

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A polícia deve ir até o local verificar a documentação preenchida pelo paciente e pelos médicos para atestar a legalidade do procedimento. Em seguida, o corpo é encaminhado para perícia e, posteriormente, cremado. Esse procedimento pode custar entre 11.500 e 17.000 francos suíços (cerca de R$ 65 mil e R$ 97 mil).

"Eu estou perdendo a voz, perdi meus movimentos. Estou vivendo um processo de degeneração física. Não intelectual, estou super afiada intelectualmente, mas fisicamente estou sendo destruída mesmo por uma doença", diz a brasileira no vídeo.

Célia Maria Cassiano era professora e mestre em Multimeios pela UNICAMP
Foto: Reprodução/Instagram/celiamariacassiano

Quem era Célia Maria?

Célia Maria era mestre em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Era formada em Ciências Sociais e professora acadêmica. Em novembro de 2024, ela foi diagnosticada com uma doença do neurônio motor, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), que leva à atrofia muscular progressiva.

"Eu avaliei bem e, há pouco mais de um ano, decidi que iria lutar pelo meu direito de ter uma morte digna. Porque eu, especificamente eu, não quero ficar totalmente dependente e ter que ficar presa em uma cama ligada em aparelhos. Eu resolvi exercer o meu direito de escolher quando colocar um fim na minha vida", afirma.

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Do diagnóstico de ELA à decisão pela morte assistida

A brasileira explica que, nos últimos seis meses, teve um trabalho intenso para localizar uma organização na Suíça na qual o suicídio assistido é permitido por lei. Ela relata que, no Brasil, tentou pedir ajuda para amigos, advogados e tradutores, mas nunca era ouvida.

"Ninguém queria me ajudar. Quando eu dizia o que ia fazer, as pessoas simplesmente fugiam, caíam fora, desconversavam. O que eu fiz? Mudei de estratégia. Precisei de várias pessoas, laudos médicos, laudos de dentista. Me desculpem, menti para todos vocês. Eu disse que eu estava vindo fazer um tratamento, que eu ia participar de um experimento clínico com medicamento novo para ALS (sigla em inglês para ELA)", continua. 

Célia lamenta por ter enganado as pessoas ao seu redor, mas diz que se organizou nos últimos meses para ter uma morte da forma que ela desejava. No relato, ela cita um exemplo de que precisa de três pessoas para levá-la ao banheiro.

Célia Maria Cassiano viajou pela Europa antes de ter morte assistida
Foto: Reprodução/Instagram/celiamariacassiano

"Fiquei exausta para conseguir exercer o meu direito a uma morte digna. Eu quero uma morte sem dor, uma morte limpa. Eu vou deitar em uma cama que está aqui, vou ter duas enfermeiras do meu lado, eu não vou sentir dor nenhuma. Eu não aguentaria ficar nem um dia a mais, porque eu estou sofrendo. Estou no limite da minha dignidade. Eu vivi uma vida deliciosa".

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Antes de realizar o procedimento de morte assistida, a professora viajou por alguns países da Europa e conheceu lugares que sempre teve vontade. Ela diz que teve os melhores dias de sua vida e agradece a generosidade das pessoas que conviveram com ela durante esse período.

"Daqui a pouco vou descansar para sempre, como todos nós vamos, né? Eu não estou fazendo nada diferente. Eu só quis anteceder, ter a oportunidade de fazer isso. Indico para vocês e sugiro: lutem por esse direito no Brasil. Quem nunca passou pelo que eu estou passando, não imagina o que é você precisar e se sentir totalmente incapaz. Eu sou uma privilegiada por estar aqui", finaliza a brasileira.

Fonte: Portal Terra
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