Com a chegada das temperaturas mais baixas em diferentes regiões do país, cresce também a preocupação com os efeitos do frio sobre o organismo. Entre os principais riscos está o impacto na saúde cardiovascular, já que o inverno pode favorecer alterações na circulação sanguínea e na pressão arterial, fatores diretamente ligados ao Acidente Vascular Cerebral (AVC).
De acordo com o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), o frio pode elevar em até 20% o risco de AVC. A explicação está na resposta natural do corpo à queda de temperatura: para conservar calor, o organismo provoca a contração dos vasos sanguíneos, o que aumenta a pressão e exige mais esforço do coração.
Como o frio afeta a circulação sanguínea
O neurocirurgião Victor Hugo Espindola explica que essa reação fisiológica é uma forma de preservar a temperatura interna do corpo, mas pode trazer consequências importantes para quem já tem predisposição cardiovascular. Quando os vasos se contraem, a circulação fica mais pressionada e o coração precisa trabalhar mais para manter o fluxo sanguíneo adequado.
"Quando somos expostos a temperaturas mais baixas, ocorre uma contração dos vasos sanguíneos para diminuir a perda de calor. Isso faz a pressão arterial subir e aumenta o esforço do coração para manter a circulação funcionando adequadamente", afirma o médico.
Essa mudança no funcionamento do sistema circulatório pode ser especialmente perigosa em pessoas mais vulneráveis. Em quem já apresenta doenças cardiovasculares ou fatores de risco acumulados, o frio pode atuar como um gatilho para complicações mais graves.
Quem deve redobrar os cuidados no inverno
Segundo o especialista, a atenção precisa ser ainda maior entre pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, histórico de tabagismo e sedentarismo. Esses fatores, isoladamente ou em conjunto, aumentam a chance de problemas cardiovasculares ao longo do ano e exigem vigilância constante durante o inverno.
O médico ressalta que o frio não é a causa única do AVC, mas pode funcionar como um detonador em pacientes que já convivem com maior risco vascular. Por isso, mudanças bruscas de temperatura, banhos muito quentes seguidos de exposição ao frio e hábitos pouco saudáveis podem agravar o quadro.
Além disso, pessoas idosas e indivíduos com doenças crônicas também precisam de acompanhamento mais próximo nessa época do ano. A combinação entre frio, pressão arterial elevada e menor mobilidade pode favorecer episódios de emergência.
Hidratação cai no inverno e aumenta o risco
Outro ponto de atenção destacado por Victor Hugo Espindola é a redução da ingestão de água nos dias frios. Como a sensação de sede costuma diminuir no inverno, muitas pessoas passam a beber menos líquidos do que o necessário, o que favorece a desidratação.
Esse cenário pode afetar diretamente a circulação. Quando o corpo recebe menos água, o sangue pode ficar mais viscoso, aumentando o risco de formação de coágulos e dificultando ainda mais o trabalho do sistema cardiovascular.
"Muitas pessoas sentem menos sede no inverno e acabam se hidratando menos. Isso favorece a desidratação e pode deixar o sangue mais viscoso, aumentando o risco de formação de coágulos", explica o neurocirurgião.
Manter a ingestão de água ao longo do dia é uma atitude simples, mas importante. Mesmo sem a mesma sensação de sede do verão, o organismo continua precisando de hidratação adequada para funcionar bem.
Sintomas de AVC exigem atendimento imediato
Reconhecer os sinais de AVC o quanto antes faz diferença no desfecho do caso. Entre os sintomas mais comuns estão fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar, confusão mental, alteração na visão, desequilíbrio súbito e dor de cabeça intensa sem causa aparente.
Em situações assim, a orientação é buscar atendimento médico de urgência imediatamente. Quanto mais cedo o paciente recebe assistência, maiores são as chances de minimizar sequelas e preservar funções neurológicas importantes.
O AVC é uma emergência médica e não deve ser tratado como algo passageiro. Mesmo sinais que desaparecem em poucos minutos precisam ser avaliados por profissionais de saúde, já que podem indicar um evento transitório com risco de repetição.
Prevenção do AVC deve acontecer o ano todo
Apesar de o inverno exigir atenção extra, o especialista reforça que a prevenção ao AVC precisa ser mantida durante todo o ano. A construção da saúde cardiovascular depende de hábitos consistentes e acompanhamento regular, não apenas de cuidados pontuais em períodos de frio.
Entre as principais medidas estão praticar atividade física com regularidade, manter a pressão arterial controlada, abandonar o cigarro, reduzir o sedentarismo e realizar consultas periódicas com profissionais de saúde. Também é importante tratar doenças crônicas e seguir corretamente as orientações médicas.
"Praticar atividade física regularmente, controlar a pressão arterial, evitar cigarro, reduzir o sedentarismo e manter acompanhamento médico são atitudes fundamentais para diminuir o risco de AVC", afirma Victor Hugo Espindola.
Segundo o médico, a lógica da prevenção é diária. O frio pode aumentar a vulnerabilidade, mas é o conjunto de hábitos ao longo da vida que determina o risco cardiovascular de cada pessoa.
Inverno pede atenção redobrada
A chegada do frio não significa, por si só, que um AVC vai acontecer. No entanto, ela cria um ambiente mais favorável para que problemas cardiovasculares apareçam, principalmente em quem já possui fatores de risco. Por isso, a orientação é não negligenciar sintomas, manter a hidratação, seguir o tratamento indicado e adotar uma rotina mais atenta ao corpo.
Em resumo, o inverno deve ser encarado como um período de vigilância ampliada. Cuidar da circulação, da pressão arterial e dos hábitos diários pode fazer diferença na proteção contra o AVC e outras complicações cardiovasculares.