A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novos registros de medicamentos à base de semaglutida produzidos por laboratórios brasileiros. A decisão amplia a oferta nacional de uma das substâncias que mais ganharam espaço nos últimos anos nos tratamentos contra diabetes e obesidade.
Os registros, publicados no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (17), envolvem produtos dos laboratórios EMS e Germed. Entre as novidades estão versões genéricas da semaglutida e o Semaclique, registrado como medicamento similar.
O que foi aprovado pela Anvisa?
A EMS recebeu registros para apresentações de semaglutida em solução injetável, administrada por via subcutânea. Já a Germed obteve o registro do Semaclique, também desenvolvido a partir do mesmo princípio ativo.
A autorização sanitária é uma das etapas necessárias para que os medicamentos possam ser comercializados no Brasil. A publicação do registro, porém, não significa que os produtos estarão imediatamente disponíveis nas farmácias.
Até o momento, não foram divulgadas as datas de lançamento nem os preços das novas canetas.
O que é a semaglutida?
A semaglutida faz parte da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, que atuam em mecanismos relacionados ao controle da glicose, à saciedade e ao apetite.
A substância ficou conhecida principalmente por estar presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk. Embora tenham o mesmo princípio ativo, os produtos possuem indicações e dosagens específicas e devem ser utilizados de acordo com prescrição e acompanhamento médico.
O crescente uso desses medicamentos transformou o mercado de tratamentos metabólicos e também aumentou a procura por alternativas capazes de ampliar o acesso dos pacientes.
Canetas brasileiras podem aumentar a concorrência
A aprovação de novas versões nacionais pode representar uma mudança importante nesse mercado. Com mais fabricantes oferecendo medicamentos à base de semaglutida, a tendência é de maior concorrência entre os laboratórios.
Isso, no entanto, não permite afirmar que os novos produtos serão necessariamente mais baratos. Os valores dependem de fatores regulatórios e das estratégias comerciais adotadas pelas fabricantes.
A expectativa em torno das versões brasileiras ocorre justamente porque o custo ainda é um dos principais obstáculos para pacientes que precisam realizar tratamentos prolongados com medicamentos dessa classe.
Venda das canetas tem controle mais rígido
Os medicamentos agonistas de GLP-1 estão sujeitos a regras específicas de comercialização no Brasil. A Anvisa determinou a retenção da receita médica nas farmácias para a venda desses produtos, medida adotada diante do aumento do uso sem acompanhamento profissional.
Com os novos registros, o mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida ganha mais opções, enquanto a disputa entre fabricantes nacionais e multinacionais entra em uma nova fase.