Durante décadas, as doenças oncológicas na região da garganta foram associadas quase exclusivamente aos homens. No entanto, um estudo brasileiro recente publicado na revista The Lancet acendeu um alerta para o público feminino.
Os dados mostram que as taxas de óbito por esses tumores estão crescendo progressivamente entre as mulheres brasileiras. O câncer de cabeça e pescoço engloba lesões que surgem na boca, língua, laringe e também na faringe.
Os fatores de risco e a influência do HPV
Segundo o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello, a mudança nos hábitos femininos explica parte desse aumento. O consumo frequente de álcool e o tabagismo são fatores que agora refletem diretamente nas estatísticas de saúde.
Outro ponto crucial para entender o avanço do câncer de orofaringe é a exposição ao vírus do HPV. Mudanças de comportamento nas últimas décadas ampliaram o contato do vírus com a mucosa da garganta da população.
Como esse tipo de tumor leva muitos anos para se desenvolver, o impacto aparece apenas agora nos consultórios. A falta de proteção adequada durante as relações íntimas facilita a contaminação e o surgimento futuro de células malignas.
O estudo também aponta desigualdades regionais e étnicas preocupantes no acesso ao tratamento especializado em todo o país. Norte e Nordeste apresentam tendências de aumento na mortalidade, enquanto o Sudeste registrou quedas nas taxas de óbito.
Sintomas silenciosos e a importância do diagnóstico
O diagnóstico precoce continua sendo o maior desafio para combater o câncer e garantir a cura das pacientes. Muitas mulheres ignoram sinais que parecem simples, mas que indicam que algo não vai bem na saúde bucal.
Feridas na boca que não cicatrizam em duas semanas e rouquidão persistente são motivos reais para buscar ajuda. Dor ao engolir, dificuldade para mastigar ou caroços no pescoço também merecem atenção médica ou odontológica imediata.
Dr. Ramon reforça que o atraso na identificação da doença compromete severamente as chances de sucesso do tratamento. Quando descoberto cedo, o câncer pode ser tratado com cirurgias precisas, radioterapia moderna e até imunoterapia avançada.
Atualmente, tumores relacionados ao HPV costumam apresentar uma resposta terapêutica mais favorável do que outros tipos de lesões. O foco principal deve ser a informação para que as mulheres identifiquem os sintomas rapidamente em casa.
5 passos para prevenir o câncer de cabeça e pescoço
A prevenção envolve medidas simples que podem ser adotadas na sua rotina diária para proteger o seu organismo. Confira as orientações fundamentais do Dr. Ramon Andrade de Mello para manter a saúde da sua garganta e boca:
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Diga não ao cigarro: Evite o uso de tabaco em todas as suas formas, inclusive os dispositivos eletrônicos modernos.
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Modere o álcool: O consumo excessivo de bebidas alcoólicas potencializa os riscos de surgimento de tumores na mucosa.
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Vacine-se contra o HPV: A imunização é uma ferramenta poderosa e segura para prevenir o desenvolvimento de lesões cancerígenas.
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Higiene bucal rigorosa: Mantenha os dentes e a gengiva limpos e visite o seu dentista de confiança regularmente.
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Pratique sexo seguro: O uso de preservativos reduz drasticamente a chance de transmissão do vírus HPV para a garganta.
Reduzir a mortalidade feminina depende de campanhas que conversem diretamente com a realidade atual das mulheres modernas e engajadas. A prevenção primária ainda é o caminho mais curto para evitar diagnósticos tardios e tratamentos muito agressivos.
O corpo sempre dá indícios quando algo não está funcionando da forma como deveria. Fique atenta aos sinais e valorize a sua saúde ocular, bucal e geral para viver com mais qualidade.