Água no ouvido: como aliviar o incômodo e evitar infecções

A presença de água no ouvido após banho de mar, piscina ou chuveiro é uma situação frequente e, em grande parte dos casos, passageira.

15 mar 2026 - 13h00

A presença de água no ouvido após banho de mar, piscina ou chuveiro é uma situação frequente e, em grande parte dos casos, passageira. No entanto, quando a água permanece retida no canal auditivo, o desconforto pode se prolongar e abrir espaço para problemas de saúde. Entre as principais complicações está a otite externa, uma infecção que atinge a pele do conduto auditivo e pode gerar dor considerável.

A preocupação com a água acumulada nos ouvidos não se limita ao desconforto imediato. A umidade constante cria um ambiente propício para o crescimento de bactérias e fungos, especialmente em pessoas que já têm irritações na pele da orelha ou que usam hastes flexíveis com frequência. Por isso, entender como essa água fica retida, quais são os riscos e como agir de forma segura torna-se importante para evitar complicações.

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Por que a água no ouvido pode causar otite externa?

O canal auditivo é revestido por uma pele delicada e por uma camada de cera (cerúmen) que ajuda a proteger contra microrganismos. Quando há água no ouvido após a piscina, mar ou banho, essa proteção natural pode ser parcialmente removida, deixando a pele mais vulnerável. Além disso, a umidade persistente favorece a proliferação de bactérias e fungos, o que aumenta o risco de infecções como a otite externa.

A chamada "otite do nadador" é justamente a inflamação dessa região externa do ouvido, geralmente associada à exposição frequente à água. Pequenos ferimentos no canal auditivo, causados pelo uso de objetos como hastes, grampos ou unhas, facilitam a entrada de germes. Quando combinados com água parada no ouvido, esses fatores podem favorecer quadros infecciosos, que exigem avaliação médica e, muitas vezes, o uso de medicamentos específicos.

Entre os sintomas mais comuns da otite externa estão dor ao tocar a orelha, sensação de ouvido tampado, coceira intensa, vermelhidão e, em alguns casos, saída de secreção. Nessas situações, tentativas caseiras de remoção de água ou cera com objetos pontiagudos podem agravar a irritação e empurrar ainda mais o conteúdo para dentro, tornando o quadro mais complexo.

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Foto: Giro 10

Como aliviar o incômodo de água no ouvido de forma segura?

Na maioria das vezes, o incômodo de água retida no ouvido pode ser amenizado com medidas simples, sem necessidade de intervenções invasivas. A ideia é ajudar a água a escoar naturalmente, sem provocar lesões no canal auditivo.

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Algumas estratégias comuns incluem:

  • Inclinar a cabeça para o lado do ouvido afetado, mantendo essa posição por alguns segundos, para facilitar a saída do líquido.
  • Puxar delicadamente a orelha para cima e para trás (no caso de adultos) ou levemente para baixo (em crianças), ajudando a retificar o canal e permitindo que a água escorra.
  • Realizar pequenos pulos com a cabeça inclinada, sempre com cuidado, para estimular o deslocamento da água.
  • Usar um secador de cabelo em ar frio, a uma distância segura da orelha, direcionando o ar para a entrada do canal por poucos segundos, sem encostar o aparelho na pele.

Em qualquer dessas técnicas, é importante evitar o uso de hastes flexíveis, tampas de caneta ou outros objetos, pois esses itens podem ferir o canal auditivo, empurrar cera e água para regiões mais profundas e aumentar o risco de infecção. Caso a sensação de ouvido tampado por água persista por muitas horas ou dias, a orientação especializada se torna recomendada.

Quando a água no ouvido exige avaliação médica?

Nem todo caso de água nos ouvidos representa um problema maior, mas alguns sinais funcionam como alerta para a necessidade de exame médico. A presença de dor intensa é um dos principais indicativos de complicação, especialmente quando o desconforto piora ao tocar ou movimentar a orelha externa.

Entre os sinais que costumam motivar consulta com profissional de saúde estão:

  • Dor forte e persistente no ouvido, que não melhora com medidas simples.
  • Secreção saindo do ouvido, seja clara, amarelada, esverdeada ou com presença de sangue.
  • Febre associada ao desconforto auricular, especialmente em crianças.
  • Perda de audição súbita ou progressiva, sensação de chiado ou zumbido constante.
  • Sensação de pressão intensa ou vertigem, como se tudo estivesse girando.

Nessas situações, a avaliação de um médico, preferencialmente otorrinolaringologista, ajuda a identificar se há otite externa, infecção de ouvido médio ou outro problema associado. O profissional pode realizar limpeza adequada, indicar gotas específicas, analgésicos ou outros tratamentos, evitando que o quadro se agrave.

Como prevenir água no ouvido e evitar complicações futuras?

A prevenção é uma das formas mais eficazes de reduzir a chance de água acumulada no ouvido evoluir para infecções. Pequenas mudanças na rotina de banho, natação e lazer aquático podem diminuir bastante o risco de otite externa e de outros desconfortos auditivos.

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Entre as medidas preventivas mais adotadas estão:

  1. Usar protetores auriculares adequados para natação ou toucas que cubram bem as orelhas em piscinas e mar, principalmente em quem passa muito tempo na água.
  2. Secar com cuidado a parte externa da orelha após o banho, utilizando toalha macia, sem introduzir objetos no canal auditivo.
  3. Evitar o uso de hastes flexíveis dentro do ouvido, pois removem a cera protetora e podem causar microferimentos.
  4. Em pessoas com histórico frecuente de otite externa recorrente, discutir com o médico o uso de gotas preventivas específicas pode ser uma alternativa.
  5. Limitar o tempo de permanência na água, quando possível, especialmente em ambientes com higiene duvidosa ou água contaminada.

Quando adotadas de forma constante, essas atitudes contribuem para que o contato com água no dia a dia, no mar, na piscina ou no chuveiro, seja mais seguro. A atenção aos sinais do corpo e a busca por orientação profissional diante de sintomas persistentes ajudam a preservar a saúde dos ouvidos e a evitar complicações decorrentes da água retida no canal auditivo.

orelha – depositphotos.com / IgorVetushko
Foto: Giro 10
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