A tuberculose que ataca o abdômen: conheça a forma peritoneal

Tuberculose peritoneal: descubra sintomas, diagnóstico e tratamento dessa forma rara que ataca o abdômen e vitimou o apresentador Erlan Bastos

28 jan 2026 - 19h31

A tuberculose peritoneal é uma forma rara de tuberculose que atinge o revestimento interno do abdômen. Esse revestimento se chama peritônio e envolve órgãos como intestino, estômago e fígado. Embora menos conhecida, essa enfermidade exige atenção, porque pode demorar para ser identificada.

Esse tipo de tuberculose costuma surgir quando o bacilo da tuberculose, o Mycobacterium tuberculosis, sai do pulmão e alcança o abdômen. Em muitos casos, a pessoa teve contato prévio com a bactéria, mesmo sem perceber. Assim, a infecção permanece silenciosa durante meses ou anos.

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Erlan Bastos – Reprodução
Erlan Bastos – Reprodução
Foto: Giro 10

A tuberculose peritoneal e seus principais sintomas

A palavra-chave central é tuberculose peritoneal, pois descreve a infecção que inflama o peritônio. Essa inflamação provoca líquido no abdômen, dor e mal-estar generalizado. Frequentemente, o quadro se confunde com outras doenças abdominais.

Os sintomas aparecem de forma lenta. Eles podem enganar profissionais de saúde e pacientes. Entre os sinais mais relatados estão:

  • Dor abdominal persistente e difusa.
  • Aumento do volume da barriga por acúmulo de líquido.
  • Perda de peso não intencional.
  • Febre baixa, muitas vezes no fim do dia.
  • Cansaço intenso e falta de apetite.

Essas manifestações se parecem com cirrose, câncer de ovário ou problemas intestinais. Por isso, muitos exames costumam ser necessários até que a causa real fique clara.

Como se pega?

A infecção geralmente começa nos pulmões, por meio da inalação do bacilo. Depois, a bactéria entra na corrente sanguínea e alcança o peritônio. Em outros casos, a contaminação parte de gânglios próximos ou de órgãos abdominais afetados.

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Alguns fatores aumentam o risco dessa forma de tuberculose. Entre eles, especialistas citam:

  1. Sistema imunológico enfraquecido, como em pessoas com HIV.
  2. Uso prolongado de corticoides ou medicamentos imunossupressores.
  3. Desnutrição e condições de vida precárias.
  4. Histórico de tuberculose anterior, mesmo tratada.
  5. Contato frequente com pessoas com tuberculose pulmonar ativa.

Dessa maneira, a tuberculose extrapulmonar, incluindo a forma peritoneal, aparece com mais frequência em grupos vulneráveis. No entanto, pessoas sem doenças prévias também podem desenvolver o problema.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico dessa tuberculose abdominal representa um desafio diário nos serviços de saúde. A pessoa, em geral, chega com dor abdominal, barriga inchada e perda de peso progressiva. Então, a equipe médica precisa descartar muitas hipóteses.

Os exames costumam seguir alguns passos:

  • Ultrassom ou tomografia para avaliar presença de líquido e espessamento do peritônio.
  • Punção do líquido abdominal, chamada paracentese, para análise laboratorial.
  • Pesquisa do bacilo da tuberculose nesse líquido e em amostras de tecido.
  • Em alguns casos, laparoscopia para visualizar o peritônio por dentro.

Esses métodos fornecem pistas importantes. Mesmo assim, a confirmação definitiva às vezes demora. Por isso, a investigação precisa ser ágil, sobretudo quando os sintomas avançam rapidamente.

Qual é o tratamento da tuberculose que atinge o peritônio?

O tratamento da tuberculose peritoneal segue o padrão da tuberculose pulmonar. A terapia combina vários antibióticos específicos durante um longo período. Em geral, o esquema básico dura de seis a nove meses.

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Os medicamentos mais usados incluem:

  • Isoniazida.
  • Rifampicina.
  • Etambutol.
  • Pirazinamida.

As equipes de saúde acompanham o uso diário desses remédios. Elas também monitoram possíveis efeitos colaterais, como alterações no fígado. Com o tratamento correto, muitos pacientes apresentam melhora progressiva dos sintomas.

Em situações específicas, cirurgias podem ser necessárias. Elas ajudam a retirar aderências no abdômen ou a aliviar obstruções intestinais. Ainda assim, o pilar terapêutico permanece sendo a combinação de antibióticos.

tuberculose – depositphotos.com / serezniy
Foto: Giro 10

Por que é considerada rara?

Essa forma de tuberculose aparece com bem menos frequência que a pulmonar. Os registros mostram maior concentração em países com desigualdades sociais acentuadas. Ainda assim, casos surgem em grandes centros urbanos, inclusive no Brasil.

A classificação como doença rara não significa ausência de risco. Ela indica apenas que o número de diagnósticos é menor. Por isso, campanhas de informação costumam focar na tuberculose pulmonar. No entanto, o reconhecimento das formas extrapulmonares, como a peritoneal, ganha espaço nas discussões atuais.

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Profissionais de saúde reforçam a importância da vacinação com BCG na infância. Embora a vacina não impeça todas as formas de tuberculose, ela reduz quadros graves em crianças. Além disso, políticas de rastreamento e tratamento da tuberculose pulmonar ajudam a evitar essas manifestações em outros órgãos.

O caso do apresentador Erlan Bastos

A tuberculose que atinge o abdômen ganhou destaque recente no noticiário nacional. O apresentador de TV Erlan Bastos morreu após enfrentar um quadro de tuberculose peritoneal. O caso chamou atenção para essa doença rara e para as dificuldades no diagnóstico precoce.

Segundo informações divulgadas, o comunicador apresentou sintomas compatíveis com inflamação no abdômen. A evolução rápida trouxe preocupação e mobilizou equipes médicas. A morte do apresentador expôs como essa forma de tuberculose pode avançar de maneira grave.

O episódio com Erlan Bastos reacendeu debates sobre vigilância em tuberculose no país. Especialistas destacaram a necessidade de reconhecer sinais de alerta em dores abdominais prolongadas, principalmente em pessoas com fatores de risco. Assim, o caso passou a servir como exemplo trágico da importância do diagnóstico antecipado.

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Diante desse cenário, instituições de saúde ressaltam alguns pontos essenciais:

  • Buscar avaliação médica para dor abdominal persistente e perda de peso.
  • Não interromper o tratamento da tuberculose sem orientação profissional.
  • Manter o calendário vacinal em dia, incluindo a BCG.
  • Adotar medidas de prevenção, como ventilação de ambientes fechados.

Dessa forma, a história recente do apresentador reforça uma mensagem central. A tuberculose peritoneal, embora rara, merece atenção de profissionais e da população em geral. Informação adequada, diagnóstico rápido e tratamento completo reduzem riscos e ampliam as chances de recuperação.

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