Um estudo realizado em Hong Kong com mais de 15 mil idosos ao longo de 16 anos revelou que a perda de visão moderada e grave eleva o risco de desenvolver demência em 42% e 57%, respectivamente. Embora não comprove uma relação de causa direta, a pesquisa sugere que limitações visuais afetam a autonomia e o estímulo cognitivo, ou compartilham causas biológicas comuns. O achado reforça a importância de investigar a saúde visual e neurológica em idosos para intervenções precoces.
Começar a apertar os olhos para ler uma placa, ter dificuldade para reconhecer alguém à distância ou precisar aproximar o celular do rosto são situações que podem passar despercebidas com o envelhecimento. Mas, quando a visão piora, vale prestar atenção não apenas à saúde dos olhos.
Uma pesquisa que acompanhou milhares de idosos por até 16 anos encontrou uma associação entre a gravidade da perda visual e o risco de desenvolver demência.
Os resultados indicam que acompanhar essas mudanças pode ajudar a identificar pessoas que precisam de uma avaliação mais cuidadosa.
Quanto maior a perda de visão, maior o risco observado
Publicado na revista científica Alzheimer's & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring, o estudo foi realizado em Hong Kong e acompanhou 15.576 adultos com 65 anos ou mais atendidos em 18 centros públicos de saúde voltados à população idosa.
Nenhum participante tinha diagnóstico de demência no início do acompanhamento.
Durante o estudo, 3.643 pessoas desenvolveram a condição. Após considerar outros fatores e excluir os casos identificados nos primeiros seis anos, os pesquisadores encontraram diferenças conforme a gravidade da perda visual:
- Perda visual moderada: risco de demência 42% maior em comparação com pessoas com visão normal.
- Perda visual grave: risco 57% maior.
Para a perda visual leve, a análise final não encontrou uma associação estatisticamente significativa. Isso não significa que alterações leves sejam inofensivas, mas que a relação foi mais evidente nos casos moderados e graves.
Por que a saúde dos olhos pode estar relacionada ao cérebro?
Essa relação ainda não está completamente esclarecida.
Uma possibilidade é que as dificuldades para enxergar limitem atividades cotidianas, a interação social e as oportunidades de estímulo cognitivo.
Também é possível que fatores de saúde ou alterações cerebrais contribuam para os dois problemas, inclusive antes do diagnóstico de demência.
O estudo não prova que a perda de visão cause demência. Mostra apenas que as duas condições estão associadas.
O que fazer ao perceber mudanças na visão
A piora da visão não deve ser ignorada, especialmente quando começa a atrapalhar a leitura, a mobilidade ou outras tarefas habituais.
Uma avaliação oftalmológica pode identificar problemas que precisam de correção ou tratamento.
Óculos adequados e o acompanhamento de doenças oculares ajudam a preservar a capacidade visual e a autonomia. No entanto, ainda não há evidências suficientes para afirmar que corrigir a visão, por si só, previna a demência.
Publicado na revista científica Alzheimer's & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring, o estudo reforça a importância de investigar alterações visuais e acompanhar a saúde dos idosos.
Mudanças persistentes na memória, na orientação ou na capacidade de realizar tarefas diárias também merecem avaliação profissional.
Quando dificuldades visuais e cognitivas aparecem, investigar ambas pode ajudar a esclarecer suas possíveis causas.
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