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Quando sentir tristeza passa a ser um sinal de alerta? Psiquiatra cita dificuldade para reconhecer sentimento

Setembro amarelo reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce da depressão e da atenção aos hábitos diários

12 set 2026 - 04h58
Depressão, tristeza ou solidão
Depressão, tristeza ou solidão
Foto: Anthony Tran/Unsplash

Com o lema “Se precisar, peça ajuda!”, a campanha nacional do Setembro Amarelo chega à 13ª edição em 2026. Organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a campanha busca conscientizar sobre a prevenção do suicídio e o cuidado com a saúde mental. O Brasil registrou 16.533 vítimas de suicídio em 2025 — uma média de 45 mortes por dia, segundo o Mapa da Segurança Pública.

O comportamento suicida é multifatorial e envolve uma interação complexa de fatores biológicos, psicológicos, sociais e espirituais, segundo a ABP. A existência de um transtorno mental é considerada um fator de risco para o suicídio: 96,8% dos casos registrados estão associados com histórico de doenças psiquiátricas, que podem ser tratadas. “A doença mental, como qualquer outra, precisa e merece ter um tratamento adequado”, explica o psiquiatra Luiz Carlos Souza Sampaio.

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Para Gustavo Estanislau, psiquiatra pesquisador do Instituto Ame Sua Mente e do projeto Saúde Mental nas Escolas, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) "na grande maioria dos casos de suicídio a pessoa tem um transtorno mental associado, e muitas vezes é a depressão".

Como diferenciar a tristeza passageira da depressão?

Sentir tristeza diante de uma situação difícil faz parte da vida. A preocupação começa quando esse sentimento se prolonga, ganha intensidade e passa a interferir na rotina e na capacidade de sentir prazer.

De acordo com Estanislau, a duração e a intensidade dos sintomas ajudam a diferenciar a tristeza passageira da depressão. Enquanto a tristeza costuma durar menos de duas semanas e pode oscilar ao longo do dia, a depressão tende a ser mais persistente e intensa.

Outro sinal importante é a perda de prazer em atividades que antes eram agradáveis, podendo afetar até ações básicas, como se alimentar. Sentimentos intensos de culpa e pensamentos frequentes sobre a morte também são sinais de alerta. 

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A presença desses sinais indica a importância de buscar avaliação profissional com um médico psiquiatra, que poderá avaliar os sintomas e determinar o diagnóstico correto.

Nem sempre a pessoa percebe os sinais

A dificuldade em reconhecer o próprio sofrimento também pode fazer com que os sinais de um problema de saúde mental passem despercebidos. Por isso, a atenção de familiares, amigos e até colegas de trabalho pode ser importante.

“Nem sempre a pessoa consegue admitir ou entender que está sofrendo por alguma razão. Muitas vezes, a alteração de comportamento é percebida por terceiros”, afirma Sampaio.

As mudanças que indicam sofrimento psíquico podem aparecer de diferentes formas. Para identificar esses sinais, Estanislau sugere observar três aspectos: “Precisamos pensar nos sentimentos, pensamentos e comportamentos dessa pessoa e observar se essas três frentes estão associadas com um sofrimento e um prejuízo que vem se mantendo ao longo do tempo”, orienta. Mudanças persistentes nessas áreas podem indicar que é hora de conversar com a pessoa e, se necessário, buscar ajuda profissional.

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Cuidado com a saúde mental também passa pela rotina

Hábitos cotidianos são fundamentais para a manutenção da saúde mental, e o sono ocupa um papel central nesse processo. Estanislau explica que a falta de sono de qualidade pode diminuir a capacidade de lidar com situações de estresse ao longo do dia, e isso tende a aumentar os riscos de problemas de saúde mental.

A prática regular de exercícios físicos também está entre os fatores que podem contribuir para o bem-estar. Além dos efeitos biológicos, como a redução dos níveis de cortisol e a liberação de neurotransmissores, a atividade pode favorecer a criação e o fortalecimento de redes de apoio.

Outro ponto de atenção é o uso excessivo de telas e redes sociais. A comparação constante com outras pessoas pode afetar a percepção que o indivíduo tem de si mesmo. “A gente tende a ser bombardeado com histórias de sucesso de outras pessoas. Então, sempre dá a impressão de que a gente não está conquistando nada”, explica.

Fique atento aos sinais e procure ajuda:

  • Humor e Sentimentos: Tristeza profunda constante, pessimismo, sentimento de desesperança, culpa excessiva e perda de ambição.
  • Perda de Prazer: Desinteresse repentino ou gradual por atividades e passatempos que antes eram prazerosos.
  • Comportamento e Socialização: Isolamento social, afastamento de amigos e familiares, e queda no rendimento nos estudos ou no trabalho.
  • Sintomas Cognitivos: Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e problemas na tomada de decisões.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção do suicídio gratuitamente pelo telefone 188 (24 horas por dia), chat, e-mail (apoioemocional@cvv.org.br) e pessoalmente em alguns endereços. Saiba mais em cvv.org.br. 

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Fonte: Portal Terra
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