Maratona de Cape Town: a África merece uma Major

Percurso desafiador, atmosfera vibrante e estrutura de alto nível colocam a prova sul-africana no radar da elite mundial.

28 mai 2026 - 08h30
Denise Amaral na Expo da Maratona de Cape town (Foto: Arquivo Pessoal)
Denise Amaral na Expo da Maratona de Cape town (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto: Divulgação / Contra-Relógio

A Maratona de Cape Town, organizada desde 1994, já era a principal maratona da África do Sul, solo das icônicas Two Oceans Marathon, com 56 e 21 km, e da Comrades Marathon, com 87 e 89 km, dependendo se ano da "subida" ou "descida".

E, com o interesse dos organizadores das World Marathon Majors (WMM) em ampliar o número de provas do circuito e atender ao desejo dos corredores em desafiar-se e viajar, a inclusão de uma prova no continente africano seria uma excelente opção.

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O processo para "entrar no clubinho" e juntar-se às maratonas já consolidadas, como Tóquio, Boston, Londres, Berlin, Chicago, Nova York, Sydney, e se tornar uma maratona Major é longo e devem ser atendidos diversos requisitos mínimos.

Esse critério de escolha, aliado ao excelente marketing de concessão de mais uma estrela, que ninguém sabe quando e se oferecerá uma nova mandala, agitou o desejado circuito.

A inscrição é através de sorteio, pacotes das Operadoras Oficiais de Turismo, como a Kamel Turismo e a Rent a Tour, além de inscrições por caridade como nas demais WMM.

A escolha da prova como local de realização do Age Group Championship, que garante vaga aos corredores 40+,  com tempos mais rápidos em suas faixas etárias obtidos em provas informadas no site da WMW, garantiu mais atletas internacionais, como os 62 brasileiros convidados, do total de 162 que participaram da prova.

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E um glamour extra à prova com o anúncio da participação do queniano Eliud Kipchoge, bicampeão olímpico, na primeira etapa do seu projeto em participar de maratonas nos diferentes continentes e arrecadar recursos para a sua fundação, como fará em breve na NB 42k Porto Alegre.

Eliud Kipchoge (à esquerda) foi a grande estrela da festa. Na Expo (centro e à esquerda), produtos oficiais da Adidas e o mascote do evento (Fotos: Arquivo Pessoal)
Foto: Divulgação / Contra-Relógio

A organização enviou o QR Code para a retirada do número e dicas essenciais por WhatsApp, pois pouquíssimos leem as informações no site da prova, uma amostra inicial do show de organização que encontraríamos a seguir: excelente sinalização, retirada do kit sem demora com uma lindíssima camiseta azul com letras douradas, Expo realizada no Estádio de Futebol da Copa de Mundo de 2010 e com diversas lojinhas. 

A Adidas, patrocinadora da prova, comercializava somente um modelo de jaquetinha, item de desejo dos maratonistas, com mangas estilizadas com desenhos africanos, o tênis modelo Boston, boné, short, meia, regata com a logo e cores da prova, e apenas uma outra camiseta amarela, que foram consumidos vorazmente pelos anunciados 9 mil atletas estrangeiros.

E ofereceu 2.000 rands, aproximadamente R$600,00, aos que completassem a maratona com qualquer tênis da marca. O voucher deveria ser usado no site da Adidas local e alguns brasileiros, que estenderam a viagem, puderam usar e solicitar o envio para o seu hotel.

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Treinões, os famosos Shakeout Run na semana da prova foram anunciados pelo Instagram, tradição nas Maratonas de Boston e Nova York.

O sensacional show de abertura na sexta-feira teve a presença de Eliud Kipchoge no palco explicando seu projeto e orgulho com a possibilidade de uma WMM no continente africano.

Provas de 5 e 10 km aconteceram no sábado, além de corridas trail de 11, 22 e 43 km, com chegadas pelo lindo tapete azul até o mesmo pórtico da Maratona em frente ao estádio.

Tudo perfeito e só aumentava a expectativa para o dia da prova. 

No domingo, os banheiros químicos na largada foram atração: tinham descarga que liberava um detergente azul e staffs que os limpavam após cada utilização.

A prova teve um público alegre, músicas e danças africanas, excelente sinalização dos quilômetros, muita água, isotônico, Coca-Cola e pontos de distribuição de gel, biscoitos, bananas. 

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O percurso é desafiador com diversos viadutos e ondulações, resultando em 356 metros de ganho acumulado e também com os temidos "pontos de corte", tradição na Two Oceans e Comrades, sendo de 6h30 contadas da última onda.

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Foto: Divulgação / Contra-Relógio

Na chegada, uma lindíssima medalha, tendas para corredores internacionais e para os corredores do Age Group e muitas tendas de grupo de corredores locais que cantavam, dançavam e faziam churrasco.

Infelizmente, um erro na entrega do guarda-volumes fez alguns corredores aguardarem mais de 1 hora para receber seus pertences e a organização enviou um pedido desculpas, por WhatsApp, logo após a prova.

Adorei e, se perguntarem a minha opinião se a Maratona de Cape Town pode ser aprovada para fazer parte do "clubinho", a minha resposta é sim!

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