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Parar de treinar no frio afeta a saúde? Veja o que a ciência diz sobre exercícios e imunidade

Especialistas analisam um hábito comum no inverno e explicam como ele se relaciona com as defesas do organismo

7 ago 2026 - 07h40

Com a chegada do inverno, é comum reduzir a frequência dos exercícios. O frio, os dias mais curtos e a vontade de permanecer em ambientes confortáveis fazem muitas pessoas deixarem de treinar e praticarem até atividade leves, como a caminhada. Entretanto, manter o corpo em movimento pode ter um papel importante para a saúde durante essa época do ano.

Treinar no frio pode parecer mais difícil, mas a ciência explica como esse hábito se relaciona com a saúde e o funcionamento do organismo
Treinar no frio pode parecer mais difícil, mas a ciência explica como esse hábito se relaciona com a saúde e o funcionamento do organismo
Foto: Vitaly Gariev/Pexels / Bons Fluidos

A prática de exercícios não impede completamente que uma pessoa contraia gripe ou resfriado, mas estudos indicam que uma rotina ativa pode contribuir para uma resposta mais eficiente do organismo contra infecções respiratórias.

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Pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, explicam que, durante a prática de exercícios, os músculos liberam substâncias chamadas miocinas, que ajudam na comunicação entre os tecidos e participam da ativação de células importantes do sistema imunológico.

"No entanto, o efeito não é permanente. Poucas horas após o exercício, a contagem de células (uma medida de como o sistema imunológico está reagindo) retorna ao normal", afirmam os especialistas Mateus Ahmadi, Joanne Caldwell Odgers e Nicolau Koemel, em artigo publicado no 'The Conversation'.

Apesar desse efeito temporário, os pesquisadores destacam que a repetição desses estímulos ao longo do tempo pode contribuir para uma resposta imunológica mais eficiente. Ou seja, os benefícios estão relacionados à constância da atividade física, e não a uma única sessão de treino.

Além disso, a prática regular de atividades moderadas parece estar relacionada à redução da inflamação crônica, um processo que pode interferir no funcionamento adequado das defesas do corpo. Uma revisão científica publicada em 2022 também apontou que pessoas fisicamente ativas relatam menos infecções respiratórias do que aquelas com pouca movimentação.

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Exercício não cura gripe e exige equilíbrio

Embora o exercício seja um aliado da saúde, ele não funciona como tratamento para uma infecção já instalada. Treinar intensamente enquanto está doente ou acreditar que o suor elimina vírus não tem comprovação científica.

Os pesquisadores também destacam que existe uma diferença entre a atividade física moderada do dia a dia e cargas extremas de treinamento. Esforços prolongados e muito intensos podem provocar uma redução temporária da resposta imunológica, principalmente em atletas submetidos a grandes volumes de treino.

Para a maioria das pessoas, porém, a recomendação é manter uma rotina equilibrada. Não é preciso realizar exercícios pesados para obter benefícios. Caminhadas, bicicleta, dança ou outras atividades que aumentem a frequência cardíaca já fazem parte de uma rotina considerada saudável.

De acordo com as recomendações de saúde, adultos devem buscar entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada ou entre 75 e 150 minutos de exercícios intensos. Uma forma simples de identificar a intensidade é observar a respiração: em uma atividade moderada, ainda é possível conversar, mas cantar já se torna difícil.

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Dicas para treinar no frio

A falta de motivação costuma ser um dos principais obstáculos nos meses frios. Para driblar esse período, pequenas mudanças podem facilitar a continuidade dos hábitos:

  • Cscolher atividades dentro de casa quando o clima estiver desfavorável;
  • Dividir os exercícios em períodos menores ao longo do dia;
  • Marcar atividades com amigos ou familiares para criar compromisso;
  • Aproveitar os horários com maior presença de luz solar para se movimentar.

Mesmo pequenas sessões de movimento podem ajudar a evitar longos períodos de sedentarismo.

Quando é melhor descansar?

Nem sempre insistir no treino é a melhor decisão. Quando os sintomas estão restritos à região do nariz e da garganta, como coriza ou irritação leve, algumas pessoas podem realizar atividades mais leves, desde que reduzam a intensidade.

Por outro lado, sinais como febre, dores no corpo, cansaço intenso, tosse no peito ou mal-estar generalizado indicam que o organismo precisa de recuperação. Nesses casos, continuar treinando pode aumentar o desgaste e atrasar a melhora.

Em resumo, o exercício físico pode ser um importante aliado durante o inverno, mas funciona melhor quando faz parte de um conjunto de cuidados. Vacinação, boa alimentação, sono adequado e medidas de higiene continuam sendo fundamentais para reduzir o risco de infecções respiratórias.

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