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O tamanho das porções dobrou: cientistas revelam como a indústria manipula sua fome

Nos últimos 50 anos, o tamanho das refeições explodiu no mundo inteiro. Descubra por que trocar o tamanho do prato não funciona e o que realmente desativa o gatilho de comer em excesso

5 jun 2026 - 09h21

Refrigerantes gigantes, hambúrgueres cada vez maiores e pratos que parecem montanhas. Nos últimos 50 anos, o tamanho das porções aumentou continuamente em várias partes do globo, acompanhando de perto a explosão nos índices de obesidade. Mas diante de tantas tentações oferecidas pela indústria alimentícia, como manter uma alimentação saudável e evitar os excessos na mesa?

Descubra a ciência por trás do aumento das porções de comida e aprenda o truque definitivo dos especialistas para evitar o consumo excessivo
Descubra a ciência por trás do aumento das porções de comida e aprenda o truque definitivo dos especialistas para evitar o consumo excessivo
Foto: puhimec/iStock / Getty Images Plus / Bons Fluidos

Essa mudança drástica começou nos Estados Unidos, durante a década de 1980. O processo foi impulsionado pelo crescimento das refeições fora de casa e pela concorrência feroz entre restaurantes. De acordo com a pesquisadora Lisa Young, da Universidade de Nova York: "Se uma empresa — uma rede de massas, por exemplo — vendesse um prato pequeno de macarrão e outra oferecesse uma porção maior, as pessoas tenderiam a escolher a opção maior."

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Young explica que a dinâmica econômica facilitou esse cenário: "A comida também era muito, muito barata. E quando a comida é barata, é vantajoso para o fabricante oferecer o dobro da quantidade e cobrar só um pouco mais. O consumidor acha que está fazendo um bom negócio, e a empresa ganha mais dinheiro".

Contudo, essa tendência já se repete intensamente em países em desenvolvimento. A especialista em comportamento alimentar Marle Alvarenga, da Universidade de São Paulo, faz um alerta importante sobre a realidade brasileira. Segundo ela, "isso acontece principalmente com alimentos embalados e ultraprocessados. Não vemos porções maiores de arroz e feijão ou de peixe com farinha, que fazem parte da nossa alimentação tradicional".

O Efeito 35%: por que você come mais quando ganha mais?

Uma das conclusões mais consistentes da ciência do comportamento é que as pessoas comem mais simplesmente porque recebem mais comida. Uma análise recente estimou que dobrar o tamanho de uma porção leva o indivíduo a consumir, em média, 35% mais calorias.

O psicólogo Lenny Vartanian, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, detalha o fenômeno: "Não se trata apenas de comer tudo o que está no prato, porque muitas vezes as pessoas nem terminam a refeição. Mas sabemos que, quanto maior a porção, maior também tende a ser a quantidade total ingerida."

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Nesse sentido, parte do problema está no fato de que o nosso corpo é péssimo em indicar com precisão a quantidade exata que deveríamos comer. Na dúvida, o tamanho da porção servida passa a ser a nossa única referência de saciedade.

"Raramente sentimos fome extrema ou estamos completamente satisfeitos. Normalmente ficamos em algum ponto intermediário, e é justamente nessa zona que acabamos sendo influenciados por diferentes estímulos", afirma Vartanian.

Usar porções menores funciona? A ciência responde

Durante anos, acreditou-se que reduzir o tamanho das louças seria o truque definitivo. A teoria sugeria que pratos menores criariam uma ilusão de ótica, fazendo a mesma quantidade parecer farta. Mas a ciência derrubou esse mito.

De acordo com os experimentos de Vartanian: "O tamanho do prato, por si só, não afeta a quantidade de comida consumida. O que realmente importa é se há mais comida disponível."

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Em outras palavras, se as travessas e panelas estiverem expostas sobre a mesa, as pessoas vão se servir novamente, independentemente do diâmetro do prato. Por isso, o especialista recomenda a única tática que realmente funciona: sirva a sua porção e guarde o restante imediatamente fora de vista. "Tire a comida de perto para evitar repetir o prato", ensina.

Como reeducar o olhar e vencer o marketing

O maior desafio atual é combater a chamada "distorção de porção", que é quando o aumento constante promovido pelas marcas altera o nosso julgamento do que seria um prato normal.

Para recuperar o controle, Marle Alvarenga aconselha atenção máxima aos truques publicitários:

"Meu conselho é: preste atenção. Leia os rótulos, observe o tamanho das porções. Tente entender o que a indústria está fazendo por meio do marketing e de outras estratégias".

Quando consumimos itens in natura, como frutas e vegetais frescos, o volume importa menos. No entanto, com os industrializados, o cuidado deve ser redobrado. Lisa Young exemplifica um erro clássico cometido no café da manhã:

"As pessoas dizem: 'Eu só como uma tigela pequena de cereal no café da manhã'. Mas, quando pedimos que elas sirvam a quantidade que realmente comem e comparem com a porção indicada no rótulo, muitas vezes estão consumindo três vezes mais. Sirva a porção padrão e observe visualmente quanto ela representa. Depois, pergunte a si mesmo: quantas xícaras disso estou colocando no prato ou na tigela? Isso ajuda."

Em suma, se você deseja evitar os excessos e blindar a sua saúde, o segredo não está na restrição radical, mas sim em comer com presença, interpretando os sinais reais do seu corpo e mantendo as panelas bem longe do seu campo de visão.

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Você já reparou como os pacotes de lanche e os pratos de restaurante parecem gigantes hoje em dia? Que tal fazer o teste da xícara na sua próxima refeição para ver o quanto você realmente consome?

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