Cresci frequentando um centro espírita pequenininho ao lado da minha casa. Foi ali que tive meus primeiros contatos com a espiritualidade e com o passe magnético. Naquela época, eu não entendia exatamente o que acontecia durante aqueles poucos minutos de silêncio. Apenas me sentava, fechava os olhos e recebia o passe como parte natural da rotina.
Os anos passaram. Tornei-me farmacêutico, aprofundei meus estudos sobre saúde, fisiologia e ciência, mas sem me afastar da minha fé. Continuo espírita e, talvez por transitar entre esses dois universos, sempre procurei compreender os fenômenos espirituais com respeito, curiosidade e senso crítico.
Embora cada pessoa tenha uma percepção diferente sobre o passe magnético e ainda não existam estudos capazes de comprovar de forma definitiva todos os seus efeitos, posso falar da minha própria experiência: sempre que recebo um passe, saio mais tranquilo, mais equilibrado e com uma sensação de leveza que, até hoje, tenho dificuldade de traduzir em palavras.
Talvez seja justamente essa experiência, compartilhada por milhões de pessoas ao longo de gerações, que desperte tanto interesse sobre o tema. Afinal, o que acontece durante um passe magnético? Como ele age? Existe alguma explicação científica para os benefícios relatados por quem o recebe?
Segundo a doutrina espírita, o passe magnético é uma forma de transmissão de energias por meio da imposição das mãos. Allan Kardec descrevia o magnetismo como uma força natural capaz de influenciar os seres vivos, auxiliando no restabelecimento do equilíbrio físico, emocional e espiritual.
Uma revisão científica publicada em 2021 na revista Cureus avaliou estudos sobre terapias bioenergéticas e observou resultados promissores relacionados à redução da ansiedade, do estresse e à melhora da sensação de bem-estar. No Brasil, pesquisadores da Universidade de São Paulo realizaram uma revisão da literatura científica disponível sobre o passe espírita. Outro trabalho interessante foi realizado no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro.
Como espírita, continuo recebendo passes. Como farmacêutico, continuo acompanhando com atenção as pesquisas que buscam compreender a influência da espiritualidade sobre a saúde humana. E, mesmo depois de tantos anos, uma coisa permanece inalterada: sempre que recebo um passe, saio mais leve, mais tranquilo e mais equilibrado do que quando entrei.