Os transtornos mentais estão entre os maiores desafios de saúde da população jovem brasileira. Um estudo publicado pela revista científica The Lancet, com base em estimativas do Global Burden of Disease (GBD) 2023, indica que 15,6 milhões de brasileiros entre 5 e 29 anos vivem com pelo menos um transtorno mental. Isso representa cerca de 20,9% dessa faixa etária.
Os dados mostram que o problema se torna mais frequente conforme a idade avança. Enquanto a prevalência estimada é de 12,1% entre crianças de 5 a 9 anos, ela chega a quase 25% entre adultos jovens de 25 a 29 anos. Entre os transtornos analisados, a ansiedade aparece como a principal causa de incapacidade não fatal em todas as faixas etárias estudadas.
A saúde mental merece a mesma atenção que a saúde física
Quando pensamos em cuidar da saúde, é comum lembrar da alimentação, dos exames e da prática de exercícios. Mas o bem-estar emocional também faz parte desse cuidado. Sentimentos de tristeza, medo, angústia ou preocupação fazem parte da experiência humana. O problema surge quando essas emoções se tornam intensas, persistentes e começam a afetar a rotina, os relacionamentos, o trabalho ou os estudos.
Pedir ajuda nessa fase não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: é um passo importante para interromper o sofrimento antes que ele se torne ainda maior.
Como perceber que está na hora de procurar ajuda?
Nem sempre os sinais aparecem de forma evidente, mas alguns comportamentos merecem atenção, especialmente quando persistem por semanas:
- Tristeza ou ansiedade constantes;
- Perda de interesse por atividades que antes davam prazer;
- Alterações importantes no sono ou no apetite;
- Dificuldade para se concentrar;
- Sensação frequente de desesperança;
- Uso excessivo de álcool ou outras substâncias como forma de aliviar o sofrimento.
Esses sintomas não significam, necessariamente, um diagnóstico, mas indicam que vale a pena conversar com um profissional de saúde mental.
Dicas para atravessar momentos difíceis
Vale ressaltar que o acompanhamento profissional é fundamental quando o sofrimento é intenso. Além disso, alguns hábitos podem ajudar a reduzir a sobrecarga emocional no dia a dia:
1. Não enfrente tudo sozinho
Compartilhar o que está sentindo com alguém de confiança costuma aliviar o peso emocional e diminuir a sensação de isolamento.
2. Evite se cobrar o tempo todo
Em momentos difíceis, é natural que a produtividade diminua. Em vez de buscar perfeição, tente estabelecer pequenas metas diárias.
3. Cuide da rotina básica
Dormir bem, alimentar-se regularmente e movimentar o corpo não resolvem um transtorno mental, mas ajudam o organismo a enfrentar melhor o estresse.
4. Reduza o excesso de comparação nas redes sociais
Lembrar que a internet costuma mostrar apenas os melhores momentos da vida das pessoas pode diminuir a sensação de inadequação.
5. Permita-se sentir
Tentar ignorar ou reprimir emoções geralmente aumenta o sofrimento. Reconhecer o que está acontecendo é um passo importante para buscar mudanças.
Onde buscar apoio?
Caso perceba que o sofrimento emocional está se tornando difícil de enfrentar sozinho, procure ajuda profissional. Psicólogos e psiquiatras podem avaliar a situação e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
Também é possível buscar atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que oferecem assistência especializada em saúde mental.
Falar sobre o que está acontecendo não faz o problema aumentar. Na maioria das vezes, é justamente o primeiro passo para encontrar caminhos de cuidado, acolhimento e recuperação.
Os números mostram que os transtornos mentais são uma realidade para milhões de jovens brasileiros. Ao mesmo tempo, reforçam a importância de ampliar o acesso à informação, reduzir o preconceito e lembrar que ninguém precisa enfrentar o sofrimento emocional sozinho.