É comum ouvir que os homens também passam por uma "menopausa", conhecida como andropausa. Entretanto, apesar da popularidade da expressão, médicos explicam que o termo mais correto é Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM). A condição é marcada pela redução gradual da produção de testosterona, um processo que costuma se tornar mais frequente após os 40 anos, mas que não acontece de forma abrupta nem afeta todos os homens da mesma maneira.
O que é a DAEM?
Diferentemente da menopausa feminina, que marca o fim da vida reprodutiva, a DAEM acontece de forma lenta e progressiva. A testosterona, portanto, continua sendo produzida, mas seus níveis podem diminuir com o passar dos anos. Além disso, nem todos os homens desenvolvem a deficiência hormonal e a intensidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa.
A testosterona desempenha funções essenciais no organismo. O hormônio participa da manutenção da libido, da ereção, da produção de espermatozoides, da massa muscular, da densidade óssea e do metabolismo. Por isso, quando ocorre uma redução importante da substância, a saúde sofre impactos em diferentes áreas.
Os sinais costumam surgir aos poucos e, muitas vezes, as pessoas os confundem com o próprio envelhecimento. Segundo o endocrinologista Lourimar Bastos, em um vídeo publicado no Instagram, "as alterações mais clássicas dizem respeito à falta de libido, dificuldade de ereção, alterações de humor e redução das massas muscular e óssea."
Além desses sintomas, alguns homens podem apresentar ondas de calor, fadiga persistente, diminuição da disposição, aumento da gordura abdominal, perda de força, dificuldade de concentração, alterações de memória, irritabilidade e insônia.
Investigação completa
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que homens com mais de 40 anos que apresentem sintomas compatíveis com a DAEM procurem avaliação médica e realizem a investigação dos níveis de testosterona total e livre.
No entanto, segundo o urologista Eduardo Gröhs, especialista em Medicina Sexual Masculina, um único exame de testosterona total não é suficiente para diagnosticar a DAEM. O médico apontou que a avaliação deve considerar o histórico clínico, os sintomas e um painel hormonal mais completo, que inclui testosterona total e livre, além de outros hormônios, como prolactina e estradiol. Esses exames ajudam a identificar se a deficiência hormonal realmente existe, qual é a sua causa e, principalmente, o tipo de intervenção necessária.
"Essa investigação é fundamental porque homens com sintomas semelhantes podem precisar de tratamentos completamente diferentes. Em muitos casos, corrigir obesidade, distúrbios do sono, alterações metabólicas ou doenças da hipófise resolve a causa do problema sem que a reposição hormonal seja a primeira opção. Um diagnóstico preciso sempre vem antes de qualquer tratamento", afirmou nas suas redes sociais.
"Menopausa" em homens e a reposição hormonal
Quando exames confirmam a deficiência hormonal e o paciente apresenta sintomas, a reposição de testosterona pode ser uma opção. No entanto, o médico deve indicá-la de forma individualizada e acompanhá-la sempre de perto, já que a terapia possui contraindicações e exige monitoramento periódico.
Além disso, manter hábitos saudáveis continua sendo parte essencial do tratamento. Praticar atividade física regularmente, dormir bem, controlar o peso, adotar uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo e reduzir o consumo de álcool contribuem para preservar a saúde hormonal e promover um envelhecimento com mais qualidade de vida.