A endometriose ainda está entre as doenças ginecológicas que mais demoram para receber um diagnóstico. Embora muitas pessoas associem a condição apenas às cólicas menstruais, ela também pode provocar dores em diferentes regiões do corpo. Para facilitar a compreensão desse processo, o ginecologista especialista em endometriose profunda e cirurgia minimamente invasiva Dr. Igor Chiminacio desenvolveu a chamada Teoria do Polvo. Segundo o especialista, o objetivo é traduzir a anatomia da pelve de forma simples, permitindo que pacientes e profissionais entendam melhor a origem dos sintomas. Além disso, essa explicação pode facilitar a comunicação durante a consulta e contribuir para uma investigação mais precisa.
O que é a Teoria do Polvo?
Na teoria, o útero representa a cabeça de um polvo, enquanto os tecidos que sustentam esse órgão, chamados de paramétrios, representam seus tentáculos. De acordo com o Dr. Igor Chiminacio, é justamente nesses tecidos que a endometriose costuma se desenvolver.
"Durante muitos anos, a doença foi explicada olhando apenas para os focos visíveis da endometriose. Mas o problema vai muito além deles. O tecido onde esses focos surgem é o que transmite a dor para nervos, músculos e outras estruturas da pelve. Quando a paciente entende esse conceito, ela também entende por que sente dor em locais tão diferentes do corpo", explica o médico. Assim, a teoria busca mostrar que os sintomas não dependem apenas da localização das lesões, mas também do comprometimento das estruturas que sustentam o útero.
Por que a dor pode aparecer em diferentes partes do corpo?
Segundo o especialista, os tecidos que sustentam o útero são ricos em colágeno e envolvem vasos sanguíneos e nervos. Quando a endometriose atinge essas estruturas, toda essa rede pode ser afetada, favorecendo a irradiação da dor para outras regiões.
Por isso, algumas mulheres podem sentir dores na lombar, na virilha, nas pernas, no quadril, durante as relações sexuais, ao evacuar ou até durante atividades físicas. Muitas vezes, esses sintomas acabam sendo investigados separadamente antes que a endometriose seja considerada.
Modelo busca facilitar o diagnóstico
A Teoria do Polvo não substitui os conhecimentos já existentes sobre a doença. Em vez disso, ela procura transformar conceitos anatômicos complexos em uma linguagem mais acessível para pacientes e profissionais da saúde. Além disso, o médico destaca que compreender a origem da dor também pode ajudar durante a consulta.
"Quando a mulher entende onde está a origem da dor, ela consegue descrever melhor seus sintomas. Isso ajuda no raciocínio clínico e pode contribuir para um diagnóstico mais precoce", afirma o Dr. Igor Chiminacio. Dessa forma, a proposta também busca ampliar o reconhecimento dos sinais da doença logo nas primeiras avaliações médicas.
Entender os sintomas pode acelerar a investigação
Estima-se que mulheres com endometriose convivam entre oito e dez anos com os sintomas antes de receberem o diagnóstico correto. Durante esse período, muitas passam por diferentes especialistas e realizam diversos exames. Segundo o Dr. Igor Chiminacio, parte desse atraso acontece porque a doença ainda costuma ser associada apenas às lesões visíveis. No entanto, o comprometimento dos tecidos profundos também pode explicar sintomas que aparecem em diferentes partes do corpo. Atualmente, o especialista também utiliza a Teoria do Polvo em apresentações científicas e aulas para profissionais da saúde. Assim, a proposta reforça a importância de avaliar toda a anatomia da pelve durante a investigação da endometriose.
Quando procurar avaliação médica?
De acordo com as informações divulgadas pelo especialista, alguns sintomas merecem investigação médica, principalmente quando são persistentes ou apresentam relação com o ciclo menstrual. Entre eles estão:
- Cólicas menstruais intensas ou incapacitantes;
- Dor para evacuar ou urinar, principalmente durante a menstruação;
- Dor na lombar, virilha, quadril ou pernas relacionada ao ciclo menstrual;
- Dor pélvica persistente;
Por fim, investigar esses sinais o quanto antes pode favorecer o diagnóstico precoce e permitir que o tratamento adequado seja iniciado mais rapidamente.