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Dia Mundial da Esclerose Múltipla: o que precisamos saber sobre a doença?

Doença neurológica autoimune afeta o sistema nervoso central; saiba como identificar os sinais

30 mai 2026 - 10h09

Nos últimos anos, a Esclerose Múltipla passou a receber muito mais atenção do público. Esse movimento aconteceu, principalmente, por causa da coragem de várias personalidades famosas que decidiram compartilhar seus diagnósticos na internet. No cenário nacional, por exemplo, as atrizes Cláudia Rodrigues, Guta Stresser, Ana Beatriz Nogueira e Ludmila Dayer enfrentam essa condição e sempre dão atualizações sobre suas rotinas. Além delas, estrelas internacionais também usam suas vozes para conscientizar o mundo. É o caso de Selma Blair (reconhecida por seus papéis em "Legalmente Loira" e "Segundas Intenções"), Christina Applegate (estrela de "Bad Moms") e Jack Osbourne, conhecido por ser filho de Ozzy Osbourne. Através de entrevistas e redes sociais, todas essas celebridades ajudam a quebrar barreiras e a acolher quem passa pelo mesmo problema.

Dia Mundial da Esclerose Múltipla: o que precisamos saber sobre a doença?
Dia Mundial da Esclerose Múltipla: o que precisamos saber sobre a doença?
Foto: Canva / Bons Fluidos

O que acontece no corpo e os números da doença

Mas, afinal, o que é essa condição? Em termos médicos, a Esclerose Múltipla é uma doença neurológica crônica, autoimune, inflamatória e neurodegenerativa. Na prática, isso significa que as defesas do próprio corpo atacam o cérebro e a medula espinhal. De acordo com o Ministério da Saúde, embora seja considerada rara, ela se destaca como uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição afeta cerca de 2,8 milhões de pessoas no mundo. Já aqui no Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima que existam cerca de 40 mil casos diagnosticados.

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Com o objetivo de esclarecer as origens do problema, o doutor Marcelo Nakamura, neurologista do Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO), explica que as causas envolvem uma mistura de predisposição genética e fatores ambientais. Entre esses gatilhos externos estão infecções por vírus, tempo de exposição ao sol e níveis baixos de vitamina D no organismo. Geralmente, a doença é descoberta em jovens na faixa dos 20 aos 40 anos. Além disso, a ocorrência é de duas a três vezes maior em mulheres do que em homens, um mistério que a ciência ainda tenta desvendar.

Esclerose Múltipla: como identificar os sintomas mais comuns?

Ficar atento aos sinais do corpo é fundamental. De acordo com o médico, os sintomas mais comuns da doença são fadiga crônica, alterações fonoaudiológicas, perda de equilíbrio, vertigens, náuseas, tremores e transtornos nas emoções e na cognição. Por isso, é muito frequente que os primeiros sintomas em pacientes jovens surjam como queixas visuais, formigamentos e perda de força nas pernas.

Infelizmente, a Esclerose Múltipla ainda não tem uma cura definitiva. Por outro lado, um tratamento eficaz consegue garantir uma excelente qualidade de vida ao paciente por muitos anos. Nesse sentido, a abordagem multidisciplinar surge como um pilar essencial. Além das consultas de rotina e avaliações periódicas, praticar atividades físicas para melhorar o equilíbrio, beber bastante água e manter uma dieta rica em fibras são hábitos vitais para o dia a dia. Para fechar o diagnóstico, o médico baseia-se em critérios clínicos e solicita uma ressonância magnética para buscar lesões inflamatórias no sistema nervoso central, além de uma análise do líquor.

Os grandes desafios enfrentados pelos pacientes

Atualmente, o maior desafio para os pacientes ainda é conseguir um diagnóstico precoce. O Dr. Marcelo Nakamura conta que a investigação costuma ser demorada por causa do acesso limitado a médicos especialistas e a exames complexos, visto que "a ressonância magnética e o exame do líquor são necessários para a detecção da doença". Outro grande obstáculo diz respeito ao acesso ao tratamento adequado e individualizado. Embora o SUS ofereça muitas medicações de alto custo, algumas fórmulas dependem de planos de saúde ou da rede privada.

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Além disso, o acompanhamento ao longo da vida é complexo e envolve profissionais como psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisiatras, oftalmologistas, psiquiatras e especialistas em dor. Por fim, quem tem a doença ainda precisa lidar com o preconceito gerado pela falta de informação na sociedade. Esse julgamento se manifesta na família, no trabalho e, infelizmente, até entre profissionais da saúde. Por tudo isso, buscar informação de qualidade e apoiar as campanhas de conscientização é o melhor caminho para mostrar que nenhuma pessoa está sozinha nessa luta.

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