Segundo informações divulgadas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o dia 25 de julho marcou duas importantes celebrações: o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, no Brasil, e o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Além de homenagear mulheres que transformaram a história, a data também fortaleceu a luta por igualdade, reconhecimento e combate ao racismo.
Quem foi Tereza de Benguela?
Tereza de Benguela foi uma das principais líderes negras da história brasileira. No século XVIII, assumiu o comando do Quilombo do Quariterê, localizado na região onde hoje fica o estado de Mato Grosso, após a morte de seu companheiro, José Piolho. Sob sua liderança, a comunidade resistiu por cerca de duas décadas à escravidão.
Além disso, organizou uma estrutura política e econômica que garantiu o funcionamento do quilombo até 1770, quando tropas da capitania destruíram o local. Parte dos moradores morreu durante o ataque, enquanto outros acabaram capturados. Além disso, essa celebração reforçou a importância de preservar a memória, reconhecer conquistas e incentivar debates sobre igualdade racial.
Por que o dia 25 de julho é tão importante?
A data representa um marco na valorização da história, da resistência e das contribuições das mulheres negras para a sociedade. No Brasil, a Lei nº 12.987, sancionada em 2014, oficializou o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
Além disso, a celebração também reforçou debates sobre desigualdade racial, violência, acesso à educação, oportunidades de trabalho e direitos das mulheres negras. Dessa forma, o dia tornou-se um momento de conscientização e reflexão sobre desafios que ainda persistem. Dessa maneira, sua história passou a representar resistência, liderança e coragem diante das injustiças da época.
Como surgiu o Dia Internacional da Mulher Negra?
O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha teve origem em 1992, durante o Primeiro Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana.
Na ocasião, participantes discutiram o racismo, o sexismo e as desigualdades enfrentadas pelas mulheres negras em diferentes países. Além disso, como resultado, o encontro deu origem à Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, Afro-Caribenhas e da Diáspora, que, posteriormente, trabalhou pelo reconhecimento internacional da data. Por isso, sua trajetória permaneceu como um dos maiores símbolos da luta pela liberdade no Brasil.
A importância da representatividade
Ao longo das últimas décadas, mulheres negras ocuparam espaços fundamentais na construção de políticas públicas, na produção acadêmica, na cultura e nos movimentos sociais. Entre esses nomes, destacou-se a intelectual Lélia Gonzalez, pesquisadora, professora e uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado.
Além de desenvolver importantes estudos sobre racismo e feminismo negro, Lélia ampliou o debate sobre as diferentes formas de discriminação vividas pelas mulheres negras. Assim, sua trajetória contribuiu para fortalecer discussões sobre igualdade, inclusão e justiça social, inspirando novas gerações até os dias atuais.