No Dia Mundial da Coluna, especialistas alertam que dores nas costas afetam cerca de 20% dos adultos, iniciando por volta dos 35 anos devido ao sedentarismo e à sobrecarga de trabalho. Para prevenir problemas em qualquer idade, o ortopedista Murilo Daher recomenda manter o corpo ativo com exercícios, fazer pausas para movimentação durante o expediente, ajustar a ergonomia de cadeiras e telas, alternar posturas e usar calçados adequados, buscando apoio médico caso os incômodos persistam.
Neste Dia Mundial da Coluna, celebrado em 16 de outubro, vale olhar com mais atenção para os hábitos que fazem parte da rotina. Passar horas sentado, trabalhar em pé por muito tempo e deixar a atividade física de lado são situações que merecem atenção.
A dor nas costas faz parte da rotina de muita gente e nem sempre aparece na terceira idade. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que entre 18,5% e 23,4% dos adultos convivem com problemas crônicos de coluna. A média de início dos sintomas é de aproximadamente 35 anos.
Segundo o ortopedista Murilo Daher, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, os problemas na coluna podem aparecer em qualquer idade. Nos jovens, por exemplo, pode haver alterações posturais, como a escoliose. Já entre adultos, a dor lombar é frequente e pode estar relacionada ao sedentarismo, à sobrecarga física e às exigências do trabalho.
Com o envelhecimento, também aumentam as chances de alterações como desgaste dos discos, artrose nas articulações da coluna e estreitamento do canal vertebral.
5 dicas para cuidar da coluna no dia a dia
Não é preciso manter o corpo rígido o tempo inteiro para cuidar da postura. De acordo com Murilo Daher, o mais importante é evitar ficar horas na mesma posição, movimentar o corpo e adaptar o ambiente às necessidades de cada atividade. Veja o que pode ajudar.
1. Faça pausas para se movimentar
Quem passa muito tempo sentado no trabalho pode acabar ficando horas na mesma posição sem perceber. Para evitar isso, procure levantar, caminhar um pouco e mudar a posição do corpo ao longo do dia.
A recomendação também vale para quem trabalha em pé. A coluna precisa de movimento, e pequenas pausas já ajudam a variar a rotina.
"O objetivo não é seguir um intervalo rígido para todos, mas evitar longos períodos sem movimentação", explica o médico.
2. Ajuste a cadeira e a tela do computador
Se você trabalha sentado, observe se os pés ficam apoiados no chão ou em um suporte e se a cadeira oferece apoio para a região lombar. O monitor também deve ficar à frente do corpo, em uma altura confortável para a cabeça e o pescoço.
Já quem trabalha em pé precisa prestar atenção à altura da bancada ou da superfície utilizada. Quando ela está inadequada, pode ser necessário inclinar demais o tronco ou manter os ombros elevados durante a tarefa.
3. Alterne entre sentar e ficar em pé
Sempre que a atividade permitir, tente variar a posição ao longo do expediente. Quem trabalha sentado pode aproveitar uma pausa para caminhar ou realizar alguma tarefa em pé. Para quem permanece em pé, sentar por alguns momentos também pode trazer mais conforto.
"Mesas com regulagem de altura podem ajudar, mas não substituem a necessidade de movimentação", destaca Daher.
4. Inclua exercícios na rotina
A atividade física ajuda a preparar o corpo para as tarefas do dia a dia. Exercícios
de fortalecimento muscular, caminhadas e atividades que trabalham a mobilidade podem contribuir para melhorar o condicionamento físico.
A escolha depende das condições de cada pessoa, principalmente quando já existe dor ou alguma limitação. Segundo Murilo Daher, não é necessário ter músculos extremamente fortes, mas desenvolver capacidade física para lidar com as exigências da rotina.
5. Escolha calçados confortáveis
Essa dica merece atenção principalmente para quem passa muitas horas em pé. Calçados confortáveis, estáveis e adequados ao trabalho podem diminuir o desconforto nos pés e nas pernas.
Em alguns ambientes, tapetes antifadiga e apoios para os pés também podem ajudar. Porém, como ressalta o ortopedista, nenhum calçado elimina sozinho o risco de dor na coluna.
Dor nas costas não é sempre um problema de postura
Embora os hábitos diários façam diferença, nem toda dor nas costas é causada pela postura. Questões como predisposição genética, sobrecarga física e alterações que surgem com o envelhecimento também podem estar envolvidas.
Murilo Daher reforça que envelhecer não significa necessariamente desenvolver uma doença incapacitante na coluna. Ao mesmo tempo, pessoas jovens não estão livres desses problemas.
Por isso, se a dor persistir ou atrapalhar as atividades cotidianas, vale procurar avaliação médica para investigar a causa e receber a orientação adequada.