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Danilo, da Seleção, fala sobre os impactos da terapia em sua vida: 'Me deu um conforto'

Lateral da Seleção Brasileira contou que enfrentou dificuldades emocionais no auge da carreira, revelou como a terapia transformou sua vida e disse que pretende estudar psicologia

26 jun 2026 - 16h10

Em um universo em que a força física costuma receber mais atenção do que a saúde emocional, Danilo Luiz chamou a atenção por abordar um tema pouco comum entre atletas de alto rendimento. Durante a Copa do Mundo de 2026, o lateral-direito da Seleção Brasileira falou abertamente sobre o impacto que a terapia teve em sua vida e revelou que pretende seguir um novo caminho profissional quando encerrar a carreira nos gramados: estudar psicologia e psicanálise.

Danilo, da Seleção Brasileira, revelou como a terapia mudou sua vida, falou sobre saúde mental e explicou por que deseja estudar psicologia
Danilo, da Seleção Brasileira, revelou como a terapia mudou sua vida, falou sobre saúde mental e explicou por que deseja estudar psicologia
Foto: Reprodução: Juan Luis Diaz/Quality Sport Images/Getty Images / Bons Fluidos

As declarações repercutiram nas redes sociais e renderam elogios de internautas, que destacaram a forma como o jogador falou sobre autoconhecimento e saúde mental.

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O interesse pela psicologia nasceu da experiência pessoal

Durante uma entrevista coletiva nos Estados Unidos, Danilo contou que já pensa no futuro longe do futebol e afirmou que deseja dedicar os próximos anos aos estudos. "Eu não quero jogar futebol até muito tarde, pretendo estudar, acho que a psicologia, a psicanálise, é campo que eu gosto muito, que eu sou apaixonado, campo que penso que vou seguir depois de deixar o futebol", afirmou.

O atleta explicou que já estuda o assunto por conta própria e mantém interesse constante por temas ligados ao funcionamento da mente. "Eu faço muitos estudos, muitas pesquisas em relação a isso", acrescentou.

A sensação de que sempre falta alguma coisa

Durante a conversa, Danilo também compartilhou reflexões sobre um sentimento bastante comum na vida contemporânea: a dificuldade de sentir que aquilo que conquistamos é suficiente. "Mesmo quando temos uma vida que pode ser considerada completa, perfeita, muitas vezes estamos sempre buscando algo a mais. Existe uma sensação constante de insatisfação", observou.

Na sequência, o jogador relacionou essa percepção a conceitos apresentados por Sigmund Freud e Jacques Lacan. Segundo ele, a psicanálise entende que a primeira grande experiência de separação acontece ainda na infância, quando a criança percebe que não é uma extensão da mãe. "Essa ruptura, vivida ainda na primeira infância, deixa uma marca muito profunda no ser humano. E é justamente daí que vem essa sensação de que sempre está faltando alguma coisa na nossa vida", explicou.

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As falas rapidamente ultrapassaram o universo esportivo. Compartilhado nas redes sociais, o vídeo alcançou milhões de visualizações e despertou comentários positivos. Muitos internautas elogiaram o interesse do atleta pelo conhecimento e pela saúde mental.

A terapia mudou sua forma de enxergar a própria vida

O interesse pela psicologia, no entanto, não surgiu apenas da curiosidade intelectual. Em outra entrevista, divulgada pelo perfil Psicanálise Contemporânea, Danilo revelou que buscou ajuda profissional durante um dos momentos mais desafiadores da carreira, quando defendia o Real Madrid. Segundo ele, foi justamente quando alcançou o auge profissional que começaram dificuldades emocionais que nunca havia experimentado antes.

"No Real Madrid eu comecei a ter problemas que eu não tinha antes, quando talvez eu não ganhava tão bem, quando talvez eu não era tão conhecido, que é a parte emocional e mental. E ali, talvez, foi meu maior momento de dificuldade, de 'quem pode me ajudar? Pô, tá doido, ninguém pode me ajudar'. Lá no América Mineiro não tinha nem comida às vezes, não tinha café da manhã, eu treinava e passava por cima de tudo. 'Agora que eu tô aqui no Real Madrid, ganho bem, sou conhecido, tenho carro, casa, tudo perfeito, eu preciso de ajuda?'"

O impacto da terapia

Danilo contou que, inicialmente, resistiu à ideia de fazer terapia por acreditar que deveria lidar sozinho com os problemas. Mas decidiu dar uma oportunidade ao acompanhamento psicológico. "Mas falei: 'beleza, vou escutar um psicólogo do esporte'. E a partir daí eu fiz a primeira sessão e me deu um conforto que eu não tinha há muito tempo. Eu tive uma abertura, eu me abri realmente pra aquilo. Falei: 'Opa, pode ser uma coisa que eu tava mesmo precisando, que vai me ajudar'."

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Ele reconheceu que carregava preconceitos sobre buscar ajuda emocional, mas afirma que a experiência mudou completamente sua percepção. "Eu era cheio de preconceito, cheio de dificuldade pra aceitar que alguém pudesse me ajudar de certa forma. Dessa primeira vez que eu trabalhei com ele, falei: 'ah, beleza, vou fazer mais uma semana pra ver o que dá'. A partir daí, eu comecei e falei: 'opa, quero isso aí toda semana'."

O relato do jogador reforça uma discussão que tem ganhado cada vez mais espaço no esporte: cuidar da saúde mental não é sinal de fragilidade, mas uma forma de fortalecer o equilíbrio emocional e enfrentar os desafios da carreira e da vida pessoal com mais consciência.

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