Apenas 11,6% dos municípios brasileiros atingiram um nível avançado no cuidado nutricional na Atenção Primária à Saúde, enquanto a maioria opera em estágios intermediários ou iniciais, com desafios regionais e déficits de insumos e recursos humanos.
Apenas 11,6% dos municípios brasileiros alcançaram um estágio avançado na implementação do cuidado nutricional dentro da Atenção Primária à Saúde (APS). O levantamento, que analisou mais de 4 mil cidades, aponta que a maioria do sistema ainda opera em níveis intermediários ou incipientes. Esse cenário revela desafios significativos para o enfrentamento da obesidade e de doenças crônicas em todo o país.
Conforme o estudo publicado na Revista de Saúde Pública, 57,7% das localidades analisadas estão em patamar intermediário e 30,7% permanecem em estágio inicial. A amostra reuniu 4.064 municípios, cobrindo 73% do território nacional com base nos dados do Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB).
Na divisão entre os eixos avaliados, a dimensão de Gestão registrou conceito favorável em 8,2% das administrações. O gargalo mais expressivo ocorreu no fornecimento de insumos como sulfato ferroso e ácido fólico, apontado como inadequado em 65,8% dos postos de atendimento.
No eixo focado na Atenção à Saúde, 19,7% das redes obtiveram avaliação satisfatória. As ações de Vigilância Alimentar e Nutricional se destacaram positivamente em 51,9% dos locais, enquanto o desenvolvimento de atividades de educação alimentar obteve resultado insuficiente em 56,3% dos municípios.
Quais fatores ampliam a presença do atendimento nutricional?
A contratação direta de nutricionistas na atenção básica e a cobertura completa da Estratégia Saúde da Família dobram a probabilidade de implantação adequada dos serviços alimentares.
Cidades de pequeno porte, com até 25 mil habitantes, concentraram a taxa de 14,7% de consolidação do serviço. Em contrapartida, nenhum centro urbano com mais de 100 mil residentes alcançou o estágio avançado na avaliação.
Como se dividem os resultados regionais pelo território nacional?
Santa Catarina e Rio Grande do Sul lideram os índices de implantação avançada no país, atingindo 24,3% e 23,5% de seus respectivos municípios no topo da classificação.
Nove estados não registraram nenhuma cidade no patamar mais elevado: Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará, Alagoas, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Rio de Janeiro.