A queda de cabelo no tratamento do câncer de mama varia segundo a terapia adotada, não afetando todas as pacientes da mesma forma. Enquanto certos quimioterápicos causam perda intensa, a hormonioterapia gera afinamento e a radioterapia na mama não atinge a cabeça. Recursos como o resfriamento capilar e cuidados suaves amenizam danos. O crescimento costuma recomeçar meses após o término das sessões, exigindo suporte médico e acolhimento emocional diante de possíveis mudanças na textura dos fios.
Cuidados com os fios e o couro cabeludo também merecem atenção durante o acompanhamento oncológico
A queda de cabelo é uma das mudanças que podem acompanhar o tratamento do câncer de mama, mas não ocorre da mesma forma em todas as pacientes. Alguns medicamentos provocam perda acentuada dos fios, enquanto outros podem causar afinamento e redução do volume. O tema integra os cuidados com a qualidade de vida das mulheres neste 19 de outubro, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos da doença por ano no triênio de 2026 a 2028.
As alterações capilares estão relacionadas principalmente aos efeitos dos tratamentos. Alguns quimioterápicos atingem células que se multiplicam rapidamente, incluindo as presentes nos folículos responsáveis pela produção dos fios. Por isso, além do cabelo, pode haver perda de sobrancelhas, cílios e pelos de outras partes do corpo. A intensidade varia conforme os medicamentos e as doses utilizadas.
"A pergunta 'vou perder o cabelo?' costuma surgir logo após o diagnóstico, e a resposta depende do esquema de tratamento. Alguns quimioterápicos podem provocar queda acentuada dos fios, chamada de eflúvio anágeno, enquanto outros medicamentos podem causar afinamento e redução do volume. Saber o que esperar ajuda a paciente a fazer escolhas com mais segurança, como decidir se deseja cortar o cabelo ou providenciar uma lace ou peruca. Também permite discutir, antes do início da quimioterapia, a possibilidade de utilizar o resfriamento do couro cabeludo, que pode reduzir a queda em pacientes selecionadas, conforme avaliação da equipe oncológica", explica a médica tricologista Anna Ludmila Guimarães.
Alterações podem ocorrer além da quimioterapia
A hormonioterapia, indicada para determinados tipos de câncer de mama, também pode provocar mudanças capilares, geralmente com afinamento dos fios em vez de perda completa. Já a queda decorrente da radioterapia fica restrita à área irradiada. Assim, a aplicação na mama não costuma provocar queda dos cabelos da cabeça.
Durante o tratamento, os cuidados incluem higienização suave e redução de agressões ao cabelo e ao couro cabeludo, como calor excessivo e penteados que puxam os fios. Em alguns casos, o resfriamento do couro cabeludo pode ajudar a reduzir a queda associada à quimioterapia. A indicação deve ser discutida com a equipe oncológica, pois o recurso não é adequado para todas as pacientes nem garante a preservação completa do cabelo.
Recuperação dos fios exige acompanhamento
Após o término da quimioterapia, o cabelo frequentemente começa a crescer novamente em dois a três meses, mas a recuperação varia. Os novos fios podem apresentar mudanças de textura e cor. Embora a queda seja reversível na maioria dos casos, alguns esquemas de tratamento podem causar perda persistente, o que exige avaliação individual.
"Muitas mulheres veem a volta do cabelo como um sinal de que a doença ficou para trás. Por isso, é importante alinhar expectativas e explicar que a recuperação capilar pode ser lenta e gradual, com alterações na textura, no volume e até na cor dos fios. Acompanhar essa paciente envolve acolher seus anseios, investigar alterações persistentes e, quando houver indicação, oferecer tratamentos em conjunto com a equipe oncológica. A mulher precisa saber que sua preocupação com o cabelo também tem lugar no cuidado", orienta Anna Ludmila Guimarães.
O impacto emocional também merece espaço nas consultas. A perda dos fios pode afetar a autoestima e a maneira como a paciente se reconhece. Lenços, perucas ou a escolha de manter a cabeça descoberta são decisões pessoais, que devem ser respeitadas. O acolhimento dessas questões faz parte do cuidado durante o tratamento.