Sardine skincare funciona? Médico alerta sobre o uso de ingredientes marinhos

Depois do DNA de salmão, entenda o que é o "sardine skincare" e seus efeitos na pele

9 set 2026 - 16h31
Resumo
A tendência do "sardine skincare" reflete o fascínio por ingredientes marinhos impulsionados pelas redes sociais, mas especialistas alertam que a viralização não comprova a eficácia. O cirurgião plástico Dr. Yuri Moresco adverte que novidades exóticas não substituem a comprovação científica, a estabilidade das fórmulas e a concentração adequada. Em vez de seguir modismos, os cuidados com a pele devem priorizar a proteção solar, a hidratação e tratamentos adaptados às necessidades individuais.

Ingredientes de origem marinha ganham espaço nas tendências de skincare, mas especialista alerta que novidade e apelo nas redes sociais não são sinônimos de eficácia

O universo da beleza parece ter desenvolvido um apetite especial por ingredientes capazes de provocar surpresa. Depois da popularização dos tratamentos associados ao chamado "DNA de salmão", outro peixe começa a aparecer no vocabulário das tendências de skincare: a sardinha.

Foto de Laura Jaeger na Unsplash
Foto de Laura Jaeger na Unsplash
Foto: Revista Malu

O chamado "sardine skincare" chama atenção justamente pelo caráter inesperado. A tendência acompanha o interesse crescente por substâncias de origem marinha e por formulações apresentadas como alternativas inovadoras para hidratação, regeneração e melhora da aparência da pele.

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Mais do que discutir se a sardinha será o próximo fenômeno das clínicas e penteadeiras, o movimento levanta outra questão: por que ingredientes exóticos conseguem conquistar o consumidor tão rapidamente?

Para o cirurgião plástico facial Dr. Yuri Moresco, parte da resposta está na maneira como as tendências de beleza passaram a circular nas redes sociais. Um nome curioso, uma promessa atraente e vídeos mostrando resultados podem transformar rapidamente um ativo desconhecido em objeto de desejo.

"Existe uma fascinação pelo que parece novo, diferente e tecnológico. Só que um ingrediente chamar atenção nas redes sociais não é suficiente para determinar se aquele tratamento realmente funciona. Na medicina, precisamos olhar para a formulação, concentração, mecanismo de ação, segurança e, principalmente, para as evidências científicas disponíveis", explica.

Do fundo do mar para a nécessaire

Ingredientes provenientes do ambiente marinho não são propriamente uma novidade na indústria cosmética. Algas e diferentes compostos derivados de organismos marinhos já aparecem em produtos destinados a hidratação, proteção da barreira cutânea e cuidados relacionados ao envelhecimento.

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O que mudou foi a maneira como esses componentes são apresentados ao consumidor. Em vez de permanecerem como mais um elemento da formulação, determinados ingredientes passam a protagonizar tendências inteiras.

É justamente aí que, segundo Moresco, mora o risco de transformar uma característica da fórmula em uma promessa muito maior do que ela pode entregar.

"Não basta saber que determinada substância possui propriedades interessantes. É necessário avaliar se ela está presente em uma formulação adequada, em qual concentração, como será aplicada e se consegue exercer na pele o efeito que está sendo anunciado. Um ingrediente promissor isoladamente não transforma automaticamente um cosmético em um tratamento antienvelhecimento eficaz", afirma.

Quando o ingrediente vira mais importante que a fórmula

A lógica das redes sociais favorece nomes fáceis de memorizar. "DNA de salmão", "sardine skincare" e outras expressões curiosas acabam funcionando quase como marcas próprias, enquanto detalhes menos chamativos, como concentração, estabilidade e estudos clínicos, dificilmente recebem a mesma atenção.

Esse comportamento pode levar o consumidor a escolher um produto pelo ingrediente estampado no rótulo, e não pela necessidade real da própria pele.

"Duas pessoas da mesma idade podem precisar de abordagens completamente diferentes. Uma pode estar preocupada com manchas, outra com flacidez, outra com textura ou perda de volume. Não existe um único ingrediente capaz de resolver todas essas questões. O tratamento precisa partir da necessidade do paciente, e não da tendência do momento", explica Yuri.

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A busca pelo próximo ativo viral

O interesse pelo "sardine skincare" também revela uma mudança na relação com os cosméticos. A rotina básica de limpeza, hidratação e proteção solar passou a dividir espaço com uma sucessão de séruns, máscaras, boosters e procedimentos que prometem atuar sobre aspectos cada vez mais específicos da pele.

O problema começa quando novidade passa a ser interpretada como superioridade.

Para Moresco, uma rotina eficiente não precisa necessariamente acompanhar cada tendência que aparece nas redes.

"Existe uma ideia de que o skincare precisa estar sempre incorporando alguma novidade para funcionar melhor, e isso não é verdade. Fotoproteção, hidratação e ativos com boa evidência continuam tendo um papel central. Quando existe uma queixa específica ou desejo de rejuvenescimento, a avaliação profissional permite definir aquilo que realmente faz sentido para aquela pele", ressalta.

A sardinha pode ser a novidade da vez e, em alguns meses, outro ingrediente provavelmente ocupará seu lugar nas redes sociais. O desafio para o consumidor é não confundir viralização com validação científica.

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No mercado de beleza, tendências podem surgir praticamente da noite para o dia. Evidência, segurança e resultados consistentes precisam de mais tempo. E, diante do próximo ingrediente inusitado que prometer revolucionar o skincare, talvez a pergunta mais útil não seja de onde ele veio, mas o que a ciência já conseguiu demonstrar sobre ele.

Revista Malu
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