O que as amizades de infância nos ensinam sobre permanência e vínculos afetivos?

A amizade de infância entre Sasha Meneghel e Bruna Marquezine mostra como vínculos duradouros podem fortalecer a identidade, promover apoio emocional e atravessar as transformações da vida adulta

17 jun 2026 - 21h11

Há uma beleza nas relações que resistem ao tempo e às transformações que a vida adulta inevitavelmente impõe. A cumplicidade de longa data entre Sasha Meneghel e Bruna Marquezine - que cresceram sob os olhos atentos do país - nos convida a refletir sobre o valor das amizades de infância. O laço que as une ilustra uma verdade profunda: os amigos que nos conhecem antes de sabermos quem nos tornaríamos guardam uma parte essencial da nossa essência. Recentemente, em uma conversa descontraída no podcast Famosos Conselhos, de Mica Rocha, as duas resgataram as memórias de como essa relação começou, provando que o afeto é capaz de subverter até as previsões mais céticas.

A história de Sasha Meneghel e Bruna Marquezine revela por que amizades de infância podem ser importantes fontes de acolhimento
A história de Sasha Meneghel e Bruna Marquezine revela por que amizades de infância podem ser importantes fontes de acolhimento
Foto: Reprodução: Mauricio Santana/Getty Images / Bons Fluidos

Diz a sabedoria popular (e os antigos conselhos maternos) que temperamentos muito parecidos podem colidir. Bruna relembrou com humor os avisos de sua mãe na infância: "leão com leão não dá muito certo". No entanto, unidas pelo mesmo signo solar e pelo ascendente em touro, as duas mostraram que a semelhança, quando lapidada pelo carinho, transforma-se em espelho e sinergia.

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O olhar atento de quem sabe acolher

A semente dessa união foi plantada por volta dos 5 ou 6 anos de idade de Bruna, durante as gravações de um projeto com Xuxa. Com sua sensibilidade nata para ler a alma infantil, a apresentadora percebeu traços em comum entre a pequena atriz e sua própria filha, dois anos mais nova. Movida por uma intuição afetuosa, decidiu que aquelas duas existências precisavam se cruzar: "você tem que ser amiga da minha filha".

Para que o encontro acontecesse, foi preciso vencer as barreiras do zelo materno. A mãe de Bruna, Neide, conhecida por não permitir que a filha dormisse fora de casa, não conseguiu resistir ao convite quase mágico da Rainha dos Baixinhos. Em um misto de reverência e timidez, a permissão foi concedida. "Minha mãe não sabe falar 'não' para a Xuxa até hoje", brincou Bruna, recordando o nervosismo da mãe na presença da apresentadora.

Ao chegar à casa de Xuxa, a pequena Sasha já dormia. Bruna passou a noite conversando no camarim com a apresentadora, que arquitetou o início de tudo com delicadeza: "tem uma cama do lado da Sasá, amanhã quando vocês acordarem, vocês vão se conhecer". E assim foi. O primeiro capítulo dessa história de décadas começou de forma lúdica na manhã seguinte, quando Bruna despertou e deu de cara com Sasha sentada bem perto, fazendo uma simples pergunta: "Oi, quer brincar?".

A salvaguarda da nossa identidade original

À medida que envelhecemos, assumimos papéis sociais complexos: tornamo-nos profissionais, parceiros e figuras públicas navegando pelas pressões cotidianas. É fácil perder-se um pouco ao longo dessas travessias. É aí que reside o verdadeiro milagre dos amigos de infância: eles funcionam como um espelho limpo, capaz de refletir quem somos na nossa forma mais crua e verdadeira.

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Estar com alguém que testemunhou nossos primeiros passos nos desarma. Ao lado deles, não precisamos provar nada. A validação já foi dada há décadas. Essa sensação de pertencimento e aceitação incondicional funciona como um tônico para a nossa inteligência emocional, devolvendo-nos o chão quando a realidade externa parece caótica ou exigente demais.

Embora o tempo e os caminhos da vida adulta tenham trazido momentos de distanciamento natural no passado, a maturidade trouxe o reencontro em uma frequência ainda mais profunda. Hoje, as duas celebram o que chamam de o "ponto mais forte" da amizade. Há um alinhamento maduro em que as trocas de vivências, o suporte mútuo e a partilha de aprendizados ganham um novo sentido de reciprocidade. "Agora tudo está se encaixando e fazendo sentido! Troca de ideias, conselhos, fofocas... a gente compartilha informação, eu não fofoco!", sintetizou Sasha, entre risos.

Resiliência e cultivo em tempos de conexões líquidas

Em uma era digital marcada por interações rápidas e, muitas vezes, descartáveis, manter um vínculo de longa data é um ato de resistência afetiva. Exige cultivo, tolerância às distâncias e, acima de tudo, o entendimento de que o outro vai mudar. A amizade duradoura não pressupõe que as pessoas permaneçam iguais. Mas sim, que o respeito e o carinho mútuo tenham elasticidade suficiente para acompanhar o amadurecimento individual de cada um.

Ver trajetórias assim nos mostra que o sucesso e o crescimento não precisam ser caminhos de solidão. É perfeitamente possível evoluir sem deixar para trás as linhas que costuraram o início da nossa história. Celebrar as vitórias mútuas e servir de testemunha da evolução do outro é um dos privilégios mais bonitos de uma amizade longeva.

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Que possamos olhar para as nossas próprias histórias e valorizar aqueles que seguraram nossas mãos quando nossos passos ainda eram hesitantes. Ligar para um amigo antigo, resgatar uma memória adormecida ou simplesmente enviar uma mensagem de afeto são formas sutis de nutrir a nossa saúde espiritual. E garantir que, independentemente de quão longe cheguemos, jamais esqueceremos o caminho de volta para casa.

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