Exercícios na gravidez: veja o que pode e o que não pode

Hidroginástica, musculação, natação e alongamento são algumas das atividades indicadas durante a gestação

16 jan 2014 - 10h11

O barrigão não é desculpa para muitas mulheres que continuam pegando firme na malhação durante a gestação. É o caso da americana Mary Helen Bowers, de 34 anos, que é bailarina e ficou recentemente conhecida por continuar a treinar mesmo grávida de 39 semanas. No Instagram, ela postava fotos de posições do ballet clássico como se toda aquela barriga não estivesse ali.

No Brasil, quem tem sido frequente tanto na academia, quanto na rede, é a ex-BBB Jaque Khury, que mesmo com nove meses de gravidez continua malhando com disciplina.

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Mas até que ponto a atividade faz bem para a saúde da mãe e do bebê? Na opinião das especialistas ouvidas pelo Terra, os exercícios só fazem bem para mulheres nesta condição – desde que feitos com moderação.

Valéria Castro, professora de condicionamento físico do Programa Futura Mamãe da academia Competition, explica que o primeiro passo é conseguir a liberação médica, para garantir que não há nenhum risco.  

As recomendações não diferem muito das direcionadas a uma pessoa em condições normais que frequenta uma academia. Nunca malhar em jejum, tentar comer de três em três horas, usar roupas confortáveis.

Além disso, o que ajuda muito a tornar tudo mais fácil é buscar a atividade que gosta, lembra Rosiane Mattar, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.

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Saiba mais sobre as vantagens de continuar ou começar um programa de atividades durante a gravidez; os riscos vindos dos exageros e as atividades menos ou mais indicadas.

Benefícios

Segundo Valéria, no período gestacional o corpo da mulher passa por muitas mudanças hormonais, além de ter aumento de líquido e do fluxo sanguíneo. Tudo isso, combinado à mudança de eixo do corpo, faz com que a mulher se sinta mais cansada. “O exercício físico ajuda a fortalecer a musculatura e também traz mais disposição para as atividades do dia a dia. Além disso, as atividades ajudam a futura mamãe a ter mais consciência corporal e aumentar a tolerância à dor, o que pode ser importante na hora do parto”, observa.

Com a rotina de exercícios, a gestante também controla o peso e a pressão arterial e previne a diabetes gestacional. “A atividade promove a melhora da absorção do açúcar no sangue. Você usa a glicemia como forma de energia, ou seja, usa mais o açúcar que ficaria livre no sangue”.

<p>Com moderação e acompanhamento, grande parte das atividades pode ser realizada sem riscos para a mãe e para o bebê</p>
Com moderação e acompanhamento, grande parte das atividades pode ser realizada sem riscos para a mãe e para o bebê
Foto: Getty Images

Rosiane também elenca vantagens como o controle do peso e melhora da postura. “Tudo isso também diminui a incidência de vários doenças, da hipertensão e das dores nas costas”. 

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De volta à antiga forma

A professora Valéria afirma que as mães que seguem uma dieta alimentar equilibrada e se mantêm em movimento ganham, em média, 10 kg durante a gestação, que são eliminados geralmente logo nos dois primeiros meses após o nascimento do bebê. “O fato de ter feito atividade física faz com o que o corpo volte mais rápido”, afirma.

Já para as mulheres que sempre passaram longe da academia, inclusive durante o período da gravidez, voltar à forma antiga é mais difícil. A professora calcula que em média elas levam um ano para voltar à forma.

Um bom incentivo para quem nunca foi fã de exercícios é que mesmo as mulheres que só malharam durante a gestação conseguem ver alguns resultados. “Elas ganham massa muscular, mesmo com treinos mais leves”, diz. Sendo assim, a chegada de um filho pode ser uma boa “desculpa” para incorporar os exercícios físicos na rotina.

Cuidado com os exageros

Rosiane afirma que, para as grávidas, vale evitar exercícios com exposição ao sol e também os de alto impacto. O ideal é que ela não aumente muito a frequência cardíaca. “Ela não pode fazer exercícios que a cansem tanto e que aumentem a temperatura do corpo”, afirma.

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Os principais riscos para a mãe, segundo ela, são as lesões de articulação e musculatura. Já para o bebê, pode ocorrer a restrição do crescimento ou um parto prematuro.

Sendo assim, vermelhidão, transpiração excessiva, taquicardia e tontura são as ‘bandeiras vermelhas’ de que a gestante está pegando pesado demais. Um indicador simples recomendado por Rosiane pode ser um termômetro eficaz. “Se a pessoa está conseguindo conversar enquanto faz atividade, está tudo bem”, explica.

Lembrando que as atividades devem ser sempre moderadas. A frequência indicada pela profissional é de quatro a cinco vezes por semana, meia hora por dia.

Atividades mais indicadas

A professora Valéria fala quais são as atividades mais e menos indicadas durante o período da gestação. Confira.

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Hidroginástica

De acordo com Valéria, a atividade trabalha força, resistência muscular e a parte cardiovascular. “A água tira o peso corporal e fica mais fácil, reduz impacto e fica muito mais leve pra gestante”.

Musculação

São exercícios que ajudam o fortalecimento do corpo em geral. A especialista ressalta a importância, nesta modalidade, de se controlar pressão arterial e frequência cardíaca que não deve ultrapassar os 140 por minuto. “Ela deve sentir ardência muscular, mas não pode ficar ofegante ao realizar no final”, diz, explicando que a frequência do bebê já é muito alta, por isso, se a mãe pegar pesado pode aumentar ainda mais o quadro.

Ioga

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Boa atividade para melhorar a respiração da futura mamãe. Outros benefícios são os exercícios de relaxamento e de fortalecimento da pelve. Algumas escolas têm aulas específicas para gestantes. Mas em uma aula regular, basta avisar o professor sobre a condição e pedir para movimentos que se adaptem mais facilmente à anatomia da grávida.  

Natação

Além de trabalhar a parte cardiovascular, a natação é um exercício de baixo impacto e que trabalha todos os músculos.

Alongamento

“Super importante porque, conforme a maturidade gestacional, vão ocorrendo mudanças com relação à gravidade, o centro de equilíbrio da mulher. Então o alongamento alivia bastante as dores que aparecem em consequência disso”, recomenda Valéria.  

Pilates

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De acordo com a professora, quem já pratica Pilates não precisa parar. Porém, vale ressaltar que muitas posições não vão ser confortáveis para a gestante. Além disso, ela não recomenda exercícios que focam na isometria muscular, que é o caso de alguns movimentos do pilates. “Com isso, você pode obstruir de certa forma a cavidade venosa, então quando solta o músculo solta também um volume de sangue de uma vez só”, explica. Por isso, o ideal é pedir orientação do professor para apostar nos movimentos certos.

Abdominal

Os exercícios focados nos músculos do abdômen são indicados para fortalecer a região, o que traz benefícios especialmente para as mulheres que optam pelo parto normal. Além disso, Valéria afirma que a prática previne as dores na coluna e facilita a recuperação da barriga depois do nascimento. Vale consultar o médico para certificar-se se há risco de diástese, que é o aumento do ligamento do músculo do abdômen. Caso a mulher tenha propensão ao problema, é melhor não fazer este tipo de exercício.

Spinning

Controlando a frequência cardíaca, é possível fazer esta atividade até o final da gestação. No entanto, ele deve ser feito com algumas restrições, como a adaptação da postura. “O spinning é um exercício aeróbico, melhora o condicionamento cardiorrespiratório, e usa como fonte de energia a gordura, auxiliando o controle do peso e e a pressão arterial”, observa.

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Caminhada

Segundo Valéria, a caminhada é recomendada do começo ao fim da gravidez. “Além dos benefícios gerais, a redução da pressão arterial e o controle de peso, o fato de estar em pé caminhando faz com que a mulher melhore a dilatação, então alguns médicos recomendam até o finalzinho, desde que ela não tenha nenhuma restrição”, recomenda.

Grávida de 9 meses, a ex-BBB Jaque Khury continua malhando com disciplina
Foto: Instagram / Reprodução

Corrida

Qualquer atividade de impacto (aqui também se encaixam exemplos como jump e step) é um risco para a gestante, de acordo com a especialista. Ela explica uma das mudanças que ocorrem com o corpo da mulher nesta condição é o afrouxamento dos ligamentos, até para ajudar na hora do parto.

Com isso, atividades que de alto impacto ou com saltos e quedas, aumentam as chances de torções, quedas e rompimentos de ligamentos.

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Valéria acrescenta ainda que mesmo as mulheres já acostumadas à corrida devem tomar cuidado, pois a corrida aumenta facilmente a frequência cardíaca. “Ainda assim, na esteira é um pouco melhor, porque ela absorve o impacto, não tem buracos e nem desnível”, orienta.   

Isso não quer dizer que a atividade é proibida – basta diminuir a intensidade e consultar um profissional para um acompanhamento. “Não é uma fase de aumentar a performance, e sim de curtir a gravidez e controlar a alimentação e os exercícios”, pontua.

TRX

Alguns exercícios desta modalidade podem continuar a serem feitos durante a gestação, mas, segundo Valéria, é necessário orientação já que a maioria dos movimentos são em pé e podem ser pouco confortáveis para a gestante.

Dança

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A dança é uma boa pedida durante a gravidez, mas sempre lembrando que é considerada uma atividade aeróbica e que, além disso, exige flexibilidade. Para evitar um rompimento de fibra indesejado, a professora avisa que o alongamento exigido nas aulas deve ser com fins de relaxamento, e não para ter ganho de performance.

Treinamento funcional

É indicado, mas precisa ser adaptado especialmente nos movimentos que exigem equilíbrio. “Por conta da mudança de ponto de gravidade, a mulher fica com  uma postura diferenciada. Deve tomar cuidado com a postura para não compensar o peso de forma errada”, aconselha. 

Fonte: Terra
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