Como não emburrecer usando a IA: Especialistas dão dicas para preservar autonomia mental no SPIW

Vanessa Mathias, sócia da empresa White Rabbit e autora do livro 'Reimaginação Radical', conduziu o assunto no São Paulo Innovation Week nesta quinta-feira, 14, ao lado da neurocientista americana Heather Collins

14 mai 2026 - 22h26

Na mesa Sete passos para não emburrecer na era da IA, durante o São Paulo Innovation Week, nesta quinta-feira, 14, no Pacaembu, a economista Vanessa Mathias, fundadora da empresa White Rabbit, ofereceu uma série de dicas para as pessoas não perderem a autonomia mental na era da inteligência artificial.

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Vanessa Mathias participou de palestra no SPIW.
Vanessa Mathias participou de palestra no SPIW.
Foto: Gabriel Zorzetto/Estadão / Estadão

Vanessa abriu a exibição com um clipe da icônica cena do macaco de 2001: Uma Odisséia no Espaço, além de trechos de Wall-E, animação da Disney, para fazer paralelos com os dias atuais. Autora do livro Reimaginação Radical, ela afirmou: "Ninguém nunca conseguiu construir algo sem antes sonhar" e que "não podemos perder a habilidade de sonhar".

A neurocientista americana Heather Collins foi chamada ao palco para explicar como nosso cérebro reage com a IA. Ela salientou que, antes de tudo, precisamos prepará-lo para o aprendizado.

Heather alertou para o chamado "ciclo dopaminérgico", destacando que o cérebro é afetado quando a plataforma faz constantes elogios ao usuário, por causa da liberação de dopamina. Nesse sentido, a IA funciona como espécie de droga.

Algumas das dicas das palestrantes foram: "Antes de abrir qualquer IA, escreva sua dúvida num pedaço de papel", "Procure a discordância, não a confirmação" e "Se três tentativas com a plataforma não bastam, o problema é a pergunta".

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Elas ainda disseram que quanto mais alguém usa a IA para conversar emocionalmente, mais sozinha essa pessoa vai se sentir. Ademais, mencionaram que o uso da ferramenta enfraquece o pensamento crítico.

Vanessa e Heather também alertaram que o uso constante do aparelho celular pode trazer impactos negativos para o funcionamento do cérebro, especialmente quando há excesso de tempo de tela. Sobre isso, deram recomendações que podem ajudar na diminuição da dependência de tela. Por exemplo: deixar o celular no carro quando vamos nos exercitar na academia.

No encerramento do painel, Vanessa insistiu para estimularmos sempre a nossa imaginação, enfatizando a soberania cognitiva. "Temos que construir sonhos coletivos e saber que temos tempo. Precisamos conseguir deitar na cama sem nos sentirmos inúteis. Não podemos ser escravos do utilitarismo", arrematou.

SPIW

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

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